sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Várias ocupações, um único fim


“As palavras de nosso Senhor Jesus Cristo nos advertem que, em meio à multiplicidade das ocupações deste mundo, devemos aspirar a um único fim. Aspiramos porque estamos a caminho e não em morada permanente; ainda em viagem e não na pátria definitiva; ainda no tempo do desejo e não na posse plena. Mas devemos aspirar, sem preguiça e sem desânimo, a fim de podermos um dia chegar ao fim” (Do Sermão 103, de Santo Agostinho).
As tantas aspirações da vida podem nos jogar numa busca frenética de tantas coisas, podem nos fazer mergulhar num redemoinho de preocupações e até de futilidades... E, então, essas tantas aspirações nos alienam, nos esvaziam, nos sufocam e desumanizam... Que o digam os psicólogos e terapeutas...

E, no entanto, o nosso bendito Salvador nos manda aspirar; mas, não a qualquer coisa: devemos aspirar a um único fim, devemos aspirar por Deus, aquele Deus que somente vem a nós o Filho Jesus! Quando esta é a nossa aspiração radical, a nossa saudade fundamental, o nosso anelo mais profundo e definitivo, então tal aspiração não nos frustra, mas realiza, não nos angustia, mas nos enche de paz, não torna a vida pesada, mas alivia, não nos amargura, mas nos cumula de doçura, não nos decepciona, mas nos prepara para o prêmio e o gozo da eternidade.

Jamais deixaremos de aspirar. Quem neste mundo a nada aspira é doente, deixa de buscar, de sonhar, de viver; já não é humano! Aspirar é próprio da condição humana, é-nos inerente. Por isso diz Agostinho: “Aspiramos porque estamos a caminho e não em morada permanente; ainda em viagem e não na pátria definitiva; ainda no tempo do desejo e não na posse plena”. A questão, portanto, não é aspirar, mas a que aspiramos! Há tantos no mundo que a tanta tolice aspiram! Há tantos que, se dizendo cristãos, já não aspiram a nada! Aqueles estão tomados pelo vazio; estes, pela mediocridade... Aspiremos! Aspiremos pela plenitude, aspiremos pelo destino, aspiremos pela morada, aspiremos pela posse plena, aspiremos por Deus! Seja ele a aspiração fundamental da nossa existência e nossa vida terá valido a pena! “Mas – adverte-nos ainda o santo Bispo de Hipona – devemos aspirar, sem preguiça e sem desânimo, a fim de podermos um dia chegar ao fim”...

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