quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Por que a fraqueza humana teme se aproximar de Maria?



Não existe nada de austero, nada de terrível na Mãe de Deus. Ela é plena doçura, e tudo o que nos oferece é o leite e a lã.

Percorrei, atentamente, toda a sequência da história evangélica, e se encontrardes em Maria, uma única palavra de censura ou a mais ínfima marca de indignação, aceito que tenhais dúvidas sobre ela, e que tenhais receio de se aproximar dela. Mas, ao contrário, se a encontrardes, em qualquer ocasião, como a encontrareis, verdadeiramente, plena de graça e de bondade, plena de misericórdia e de ternura, rendei graças Àquele que, em sua misericórdia, infinitamente doce, vos deu esta Mãe e medianeira, que vós não tereis jamais alguma coisa a temer por parte dela.

Enfim, ela se dedicou inteiramente a todos e se constituiu, em sua caridade imensa, devedora dos insensatos, assim como, devedora dos sábios.

São Bernardo,
Sermão para o domingo da Oitava da Assunção de Maria

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

NOSSAS DÁDIVAS




O sol buscava a linha do horizonte, e o manto escuro da noite já se espalhava pelos campos, quando o trabalhador deixou a lavoura e tomou o caminho de volta para casa.

Caminhava a passos largos com a colheita do dia às costas, quando notou que em sentido contrário vinha luxuosa carruagem revestida de estrelas.

Contemplando-a fascinado, viu-a parar junto dele e, quase assustado reconheceu a presença do Senhor do Mundo, que saiu dela e estendeu-lhe a mão a pedir-lhe esmolas...

O quê? refletiu espantado.

O Senhor da Vida a rogar auxílio a mim que nunca passei de mísero escravo na aspereza do solo?

Mas como o Senhor continuava esperando, mergulhou a mão no alforje de trigo que trazia e entregou ao divino pedinte apenas um grão da preciosa carga.

O Senhor agradeceu e partiu.

Quando, porém, o pobre homem do campo voltou a si do próprio assombro, observou que doce claridade vinha do alforje poeirento...

O grão de trigo, do qual fizera sua dádiva, tornara à sacola transformado em uma pedra de ouro luminescente...

Deslumbrado gritou:

Louco que fui!...
Por que não dei tudo o que tenho ao Senhor da Vida?

O apólogo retrata um pouco da atual realidade da Terra.

Quando o materialismo compromete edificações veneráveis da fé, no caminho dos homens, o Cristo pede cooperação para a sementeira do Seu Evangelho junto ao Seu rebanho sofrido.

No entanto, nós costumamos agir como o lavrador.

Não estamos dispostos a ofertar a nossa dádiva em benefício do bem comum. E quando fazemos, damos apenas uma pequena migalha.

O Senhor da Vida não necessita das coisas materiais porque todas lhe pertencem, no entanto, solicita a nossa auto-doação em prol da edificação de um mundo moralmente melhor.

Assim como o verme executa sua tarefa embaixo do solo, a chuva e o vento fazem seu papel no contexto da natureza.

Assim como o sol, a lua e os demais astros trabalham para que haja harmonia no Universo...

Assim como as abelhas e outros insetos fazem a tarefa da polinização, possibilitando a fecundação da vida..

Assim também o Senhor da Vida espera de nós a dádiva da polinização do seu amor junto aos Seus filhos.

A pequena dádiva da paciência e da tolerância...

A esmola convertida em salário justo, dignificando o homem...

Uma migalha de afeto doada com sinceridade...

O sorriso capaz de despertar a alegria em alguém...

Um minuto de atenção a um enfermo solitário...

A palavra sincera capaz de esclarecer e consolar...

Uma semente de esperança plantada no coração de alguém que sofre... São nossas pequenas dádivas que se converterão em luz a iluminar nossa própria caminhada.

Pense nisso!

O Senhor da Vida está sempre a solicitar a nossa colaboração para que Seus objetivos nobres se concretizem na face da Terra.

Sabedores de que nossas pequenas dádivas se converterão em tesouros eternos, não as economizemos como o lavrador. Agindo assim não teremos que dizer:

Louco que fui!...
Por que não dei tudo o que tenho ao Senhor da Vida?