domingo, 29 de novembro de 2009

MEDITANDO O NATAL COM SÃO JOSEMARIA

ALGUNS TEXTOS DE SÃO JOSEMARIA, SELECCIONADOS ENTRE MUITOS

Chega o Natal

O Natal mostra-nos onde se esconde a grandeza da Deus: num estábulo, numa gruta. "Deus humilha-Se para que possamos aproximar-nos d'Ele, para que possamos corresponder ao seu Amor com o nosso amor"
(S. Josemaria, Cristo que passa, 18).
É Natal
"Um ano que termina"
Quando recordares a tua vida passada, passada sem pena nem glória, considera quanto tempo perdeste, e como podes recuperá-lo: com penitência e com maior entrega.
(Sulco, 996).
"Humildade de Jesus: em Belém, em Nazaré, no Calvário..."

Humildade de Jesus: em Belém, em Nazaré, no Calvário... Porém, mais humilhação e mais aniquilamento na Hóstia Santíssima; mais que no estábulo, e que em Nazaré, e que na Cruz. Por isso, que obrigação tenho de amar a Missa! (A "nossa" Missa, Jesus...)
(Caminho, 533).
"Diante de Deus tu és uma criança"

Diante de Deus, que é Eterno, tu és uma criança mais pequena do que, diante de ti, um miúdo de dois anos. E, além de criança, és filho de Deus. – Não o esqueças.
(Caminho, 860).
"Servir o Senhor no mundo"

Repara bem: há muitos homens e mulheres no mundo, e nem a um só deles o Mestre deixa de chamar. Chama-os a uma vida cristã, a uma vida de santidade, a uma vida de eleição, a uma vida eterna.
(Forja, 13).
"Jesus ainda está à procura de pousada"

Jesus nasceu numa gruta em Belém, diz a Escritura, "porque não havia lugar para eles na estalagem". Não me afasto da verdade teológica, se te disser que Jesus ainda está à procura de pousada no teu coração.
(Forja, 274).
"Ele já nasceu"

Natal. Cantam: "venite, venite...". – Vamos, que Ele já nasceu. E, depois de contemplar como Maria e José cuidam do Menino, atrevo-me a sugerir-te: – Olha-o de novo, olha-o sem descanso.
(Forja, 549).
"Deus humilha-se"

E, em Belém, nasce o nosso Deus: Jesus Cristo! Não há lugar na pousada: num estábulo. – E Sua Mãe envolve-O em paninhos e reclina-O no presépio (Lc 11, 7) . Frio. – Pobreza. – Sou um escravozito de José. – Que bom é José! Trata-me como um pai a seu filho. – Até me perdoa, se estreito o Menino entre os meus braços e fico, horas e horas, a dizer-Lhe coisas doces e ardentes!... E beijo-O – beija-O tu – e embalo-O e canto para Ele e chamo-Lhe Rei, Amor, meu Deus, meu Único, meu Tudo!... Que lindo é o Menino... e que curta a dezena! (Santo Rosário, Mistérios Gozosos, 3º).
"Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?"

A humildade é outro bom caminho para chegar à paz interior. – Foi Ele que o disse: "Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração... e encontrareis paz para as vossas almas".
(Caminho, 607).
"Devemos santificar todas as realidades"

A tua tarefa de apóstolo é grande e formosa. Estás no ponto de confluência da graça com a liberdade das almas; e assistes ao momento soleníssimo da vida de alguns homens: o seu encontro com Cristo.
(Sulco, 219).
"Cristo diz-me a mim e diz-te a ti que precisa de nós"

Devoção de Natal. – Não sorrio quando te vejo fazer as montanhas de musgo do Presépio e dispor as ingénuas figuras de barro em volta da gruta. – Nunca me pareceste mais homem do que agora, que pareces uma criança.
(Caminho, 557).

Publicada por A Voz de Leça

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Justo é denunciar as injustiças


"Quem quiser ser meu discipulo
renuncie a si mesmo,
tome a sua cruz e siga-me, diz o Senhor" (Mt 16,24)

A página do Livro da Sabedoria desta quinta-feira da XXXIIª Semana do Tempo comum, 7,22-8,1, dispensa qualquer comentário ou homilia, bem como o Evangelho de São Lucas 17,20-25, que nos afirmam ser "A sabedoria reflexo da luz eterna e espelho sem mancha da atividade de Deus. Ela nos ensina a entender a palavra de Jesus, afirmando que o o reino de Deus já se encontra entre nós" (Cfe. Liturgia Diária de Novembro da Paulus, p. 47). Gosto sempre de repetir para mim mesmo a diferença entre ser sábio e ser simplesmente sabido. Sábio é quem ouve, acolhe, tenta compreender e viver em suas relação a Palavra de Deus. Sabido é aquele que possui uma alavanhe de informações sem saber o que fazer com elas, ou as utiliza para tentar ser deus sobre a própria vida e sobre a vida dos outros.
Jesus é categórico: "... o reino de Deus está entre vós." E nós não nos damos conta disso. O Reino de Deus é um Reino de Justiça, de Amor gratuito, de Verdade, de Liberdade e de Paz. Onde esses valores essenciais e inerentes ao Reino de Deus deixam de respirar, as coisas não vão bem. Somos uma geração egoísta, mentirosa, avarenta, invejosa, arrogante, prepotente, correndo atrás de prestígio, de poder sem controlar nossa ganância de querer ter sempre mais e levar vantagem em cada situação. Somos uma geração tão cega, que não enxerga os "sinais dos tempos", a não ser quando vemos flagrados deputados passando a perna no painel de controle de presença: se um professor for à escola assinar o livro-ponto ou picar o cartão de entrada e voltar para sua casa sem nem ao menos passar pela sala de aula, é demitida por justa causa. E é justo. Mas quem paga os salários de nossos deputados? Quem são os patrões de nossos políticos e servidores públicos? Nós mesmos! Até quando os fortes serão fortes somente diante dos fracos, dos pobres, dos analfabetos, dos sem-consciência de cidadania... Então acontece um apagão e as pessoas tem uma noção de sua incapacidade, de sua impotência... A natureza reclama as surras que o homem vai lhe dando por conta do lucro imediato e injusto, com tempestades, enchentes, tornados, ciclones e as pessoas (muitas delas) ainda se perguntam que Deus é esse que permite tais catástrofes. Deus fez sua parte e tenta ensinar-nos a administrar bem a criação perfeita. Então lembramos do ditado popular que é bem oportuno para nossa reflexão: Deus perdoa sempre! O homem de vez enquando! A natureza jamais!
Nossa missão profética é anunciar um Deus Amor e Justo e denunciar as Injustiças que impedem a sobrevivência deste mesmo reino entre nós. Se o Reino de Deus é um Reino de Justiça, não há reino e nem Deus, onde a injustiça toma a última palavra. Só acreditarei em político honesto e preocupado com o bem comum, quando conseguir sobreviver com o salário mínimo que impõe sobre seu povo; quando um político se contentar em viver com Bolsa Família, seus filhos com Bolsa Escola; quando os políticos utilizarem transporte público ao invés de carros de luxo; quando conviverem alegremente numa casinha de três ou quatro cômodos; quando também eles conseguirem almoçar arroz com feijão, utilizando um único celular pré-pago e assim por diante. Quando fizerem a experiência de aguardar nas demoradas filas dos bancos, do INSS que leva dez anos para constatar a cegueira de uma pessoa, como foi o caso do meu irmão, que contribuiu com a Previdência desde os 15 anos de idade e ao completar 43 anos ficando cego, teve a aposentaria por invalidez negada ao longo de dez anos, recebendo hoje um salário mínimo que não paga os remédios que precisa para manter-se vivo. Acreditarei nos políticos que se utilizarem dos Hospitais mantidos (ou não) pelo SUS ao invés de correr para o Sírio Libanez e Albert Einstein, onde as diárias custam em torno de cinco mil reais. Quando minha avó sofreu derrame, supliquei um desconto, porque a diária pelo SUS na UTI custava setecentos reais. As Irmãs que cuidam do Hospital conseguiram deixar a diária por trezentos reais, porque afirmaram que a parte do SUS não se pagava há mais três anos. No segundo dia de UTI minha avó faleceu, do contrário estaríamos endividados. O prato mais barato no Restaurante do Aeroporto de Congonhas em São Paulo, sempre frequentando por nossos políticos em trânsito, custa cento e setenta reais. Essas diferenças e disparidades não podem ser sinônimos de Justiça!
Como seria bom se tivéssemos, TODOS, a começar de mim mesmo, a coragem que levou São Josafá, Bispo, ao martírio, justamente porque não era bem-aceito pelo povo de sua época na Ucrânia, entre 1580 e 1623 e não poupou os nobres, poderosos e políticos corruptos e injustos, que impediam a dignidade igual para todos! Celebrando sua memória hoje, renovemos nosso esforço pela dignidade de sermos cristãos. Se a cruz que nos colocam nos ombros pesar, abracêmo-la, como nos sugere Santa Terezinha do Menino Jesus.

"Eum tudo dai graças, pois esta é a vontade
de Deus para convosco, em Cristo, o Senhor" (1 Ts 5,18).

Desejando a todos um dia muito abençoado, com gratidão e ternura, nosso abraço,

Pe. Gilberto Kasper

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Jesus cristo, filho de seus pais


Desde criança aprendemos que Jesus Cristo tem dois pais: o pai do céu, Deus, e o pai da Terra ou adotivo, José. Ele os teve e herdou de ambos marcas profundas, daquelas que só ficam nos que vivem intensamente a experiência do encontro e do conhecimento do outro.

Não sabemos precisar o tempo de convivência de Jesus com José, pois os Evangelhos não nos dizem quando ou em que circunstâncias que José morreu. Sabemos, porém, que o esposo de Maria era um homem bom e justo, cumpridor de seus deveres como judeu e cidadão. Era também trabalhador, exercendo o ofício de carpinteiro. José era noivo de Maria, o que pressupõe um relacionamento entre ambos. Quando Ela recebeu o anúncio do anjo de que seria a Mãe do Messias, ele teve, obviamente, suas dúvidas, mas a marca deixada pelo antigo relacionamento, o respeito que nutria pela noiva e - por que não? - o amor apaixonado que tinha por aquela a quem havia escolhido como esposa fez com que a recebesse grávida e nessa condição a acolhesse em sua casa. Junto com Maria, viveu a espera da chegada do Menino e cuidou dos dois, generosamente, nas andanças que se sucederam a partir de Belém.

Em sua infância, Jesus teve a presença de José. No episódio de sua perda no templo de Jerusalém aos 12 anos, o pai terreno ainda estava lá. Portanto, é provável que nesse período de convivência tenha aprendido muitas coisas de seu pai terreno. Dele recebeu a fé, o zelo pelas coisas de Deus, o respeito aos outros, a compaixão própria daqueles que primeiro tentam entender a razão dos outros antes de pré-julgá-los. Aprendeu, ainda, o ofício que O ajudou a sustentar a mãe viúva até que começasse a sua vida pública. E também herdou o amor à família e aos amigos. José marcou Jesus em sua educação, no sentido mais próprio da natureza do ser humano que isso significa. Foi esta presença paterna, masculina e amorosa que o constituiu como o homem terreno que foi: ciente de seu tempo e pronto para a ação.

O pai do céu, por sua vez, revelou-Se no mais profundo da intimidade de Jesus com o seu Deus. A experiência de Jesus de Nazaré não ficou retida às dimensões do templo ou das limitações impostas pela fé dos sacerdotes. Para além dessas, Ele experimentou a plenitude da intimidade com Deus, que se revelou primeiramente como Seu pai e, que Ele apresentará como o pai de toda a humanidade. É por essa certeza que Jesus nos ensinará a chamá-lo de Abbá! – Paizinho!

Aos poucos, Jesus revela que Ele e o Pai são uma só pessoa, ambos unidos na Trindade com o Espírito Santo. Nela está expressa a intimidade de amor vivida pelas três pessoas divinas. Contudo, a dimensão humana experimentada pelo Filho amado de Deus irá aproximar toda a humanidade do amor paterno revelado por Jesus ao mundo.

Se pudéssemos olhar para nossos pais – vivos ou mortos – e descobrir em suas vidas a mão amorosa do Senhor que se revela também hoje como Pai para cada um de nós. Só a experiência humana poderá nos aproximar do reflexo do divino. Portanto, que cada pai terreno possa ser também um testemunho do amor de Deus por seus filhos e filhas.

Gilda Carvalho
gilda@puc-rio.br