sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Optar por Cristo




Diariamente somos "experimentados" em nossa liberdade de escolha. Ao mesmo tempo, somos convidados a fazer o mal e solicitados a praticar o bem, a seguir os critérios do mundo e a não nos conformar com ele, mas a transformar-nos, renovando a nossa maneira de pensar e julgar, buscando o que é da vontade de Deus (cf. Rm 12, 1-2).
Quem de nós não foi tentado a "olhar para trás" (cf. Lc 9, 62) depois de ter prometido amor e fidelidade a Deus, ao cônjuge, ao amigo? Aliás, falar de "fidelidade" em nossos dias tornou-se algo complicado e problemático...
Ontem, como hoje, Jesus é "sinal de contradição". Segui-Lo, comprometer-se com Ele, com o Seu projeto, com a causa do Reino que Ele veio implantar, não é para quem costuma ficar em cima do muro. A opção por Ele deve ser definitiva e incondicional. Não há lugar para descomprometimento. Escolher um caminho é preciso. É necessário tomar uma posição concreta e transparente: servir a Cristo ou aos variados ídolos que o mundo apresenta e segue. Não se pode ficar indiferente. "Se vos desagrada servir o Senhor, escolhei hoje quem quereis servir" (Js 24, 15). Não há outra opção nem uma terceira via. Continuar com Cristo ou ir embora. Há "Caminho" melhor do que optar por Cristo?
É possível cansar-me de ser bom e fiel, de praticar o bem, de comprometer-me com a verdade, a justiça, a caridade, o amor? É possível fartar-me da Eucaristia dominical, da frequência dos sacramentos, da leitura e meditação da Palavra de Deus? E o que fazer, quando a fidelidade conjugal e familiar começar a pesar, e a descrença me assediar, e o Evangelho a ser palavra dura?
Murmurando, "muitos discípulos o abandonaram e não mais andavam com Ele" (Jo 6, 66), porque a Sua palavra era "insuportável" aos ouvidos e incompreensível à razão humana.
"Também vós quereis ir embora"? (Jo 6, 67).
No seguimento de Jesus só se aceitam voluntários e incondicionais. As milhares de pessoas da multiplicação dos pães ficaram reduzidas ao pequeno grupo dos amigos mais íntimos de Cristo. Para receber regalias e benefícios pessoais jamais faltarão multidões entusiastas. Ao invés, os verdadeiros discípulos de Jesus são sempre minoria.
Quando as exigências da fé crescem, a debandada é geral. A maioria entende mais de pão do que de discipulado. Quando tudo corre bem, a adesão a Cristo fica mais convidativa. Mas a fé não pode ser confundida com seguro de vida ou convênio de saúde. Ela traz em si exigências que inquietam e levam à desinstalação.
"A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna" (Jo 6, 68). Cristo apresenta-se como opção única e absoluta. Não há outro messias a escolher, não há outro caminho a seguir.
Todos temos dificuldade para assimilar as palavras de Jesus em nossa vida. Justamente porque pensavam em categorias "carnais", muitos ouvintes de Jesus não podiam aceitar um messias que viesse numa "carne" humana, isto é, humilde, manso, servo, alheio ao sonho de grandeza, próprio de quem se deixa seduzir pelo mundo materialista e pagão. A "carne" de Jesus não combina muito com a nossa sede de sucesso, com o incômodo da partilha, com a entrega da nossa "carne" para a vida do mundo. Confundimos a "glória" de Cristo com "espetáculos religiosos". Viramos o rosto para sua imagem desfigurada na pessoa de mendigos, de drogados, de bandidos e sofredores de rua. Essa é uma "carne" que nos incomoda e seria melhor passarmos longe dela, mesmo sabendo que as pessoas sofridas podem ser, também, alimento para a nossa caminhada e certeza da posse do Reino que o Pai preparou para os seus "benditos" (cf. Mt 25, 33. 34).
Tudo passará. Inexoravelmente. Só Cristo permanece, como única esperança para o ser humano sedento de valores perenes. Só a Sua palavra é mais resistente do que o tempo, capaz de assegurar a vida eterna.
Enquanto perdurar nossa peregrinação na fé e na esperança rumo à eternidade, cabe a nós a decisão da escolha entre o Bem e o Mal, entre Deus e outros ídolos. Na vida de todo ser humano, chegará o momento da escolha definitiva. A minha opção, a minha única opção é por Cristo. Só Ele tem palavras de vida eterna.

Fonte : espacomaria

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