quarta-feira, 27 de outubro de 2010

“Não matarás” (Ex 20,13).


Jesus disse no Sermão da Montanha: “Ouvistes o que foi dito aos antigos: “Não matarás. Aquele que matar terá de responder ao tribunal”. Eu, porém, vos digo: todo aquele que se irar contra seu irmão terá de responder no tribunal (Mt 5,21-22).
Portanto, o quinto Mandamento não proíbe apenas “não matar”, mas todo ato ou pensamento que possa ferir o outro física ou moralmente. Assim, a calúnia, a difamação, a perseguição, a exploração da pessoa em qualquer forma, a vingança, o ódio, etc., são pecados contra o quinto Mandamento.
A Igreja ensina que toda vida humana, desde o momento da concepção até a morte, é sagrada, porque a pessoa humana foi querida por si mesma à imagem e à semelhança do Deus vivo e santo. Por isso não se admite o aborto, a eutanásia e o assassinato; são graves ofensas a Deus.
A Igreja condena com pena canônica de excomunhão o crime do aborto; os que o praticarem e os que o promoverem. O embrião humano deve ser tratado como uma pessoa desde a sua concepção, e deve ser defendido em sua integridade, cuidado e curado como qualquer outro ser humano. Por isso, a Igreja não aceita a manipulação dos embriões e o desenvolvimento de células tronco embrionárias para fins terapêuticos, porque neste processo se destrói os embriões, que já são vidas humanas. Também a inseminação artificial é proibida pela Igreja, que entende que somente o casal pode gerar os filhos no ato conjugal do seu amor.


A proibição de matar não anula o direito de tirar a um opressor injusto a possibilidade de fazer o mal aos outros. A legítima defesa é um dever grave para quem é responsável pela vida alheia ou pelo bem comum.
A eutanásia voluntária, sejam quais forem as formas e os motivos, constitui um assassinato. É gravemente contrária à dignidade da pessoa humana e ao respeito de Deus, seu Criador. A pessoa humana tem o direito de morrer quando Deus desejar.
O suicídio é gravemente contrário a lei de Deus. Entretanto, o suicida pode ter sua culpa diminuída por razões psicológicas (medo, depressão, etc.). A Igreja pede que se reze por eles e ninguém deve desanimar da possibilidade de sua salvação.
O escândalo é também pecado contra o quinto Mandamento; pois constitui uma falta grave quando, por ação ou por omissão, leva intencionalmente o outro a pecar gravemente.
Também a guerra injusta ofende ao quinto Mandamento pelos males e injustiças que acarreta; devemos fazer tudo o que for razoavelmente possível para evitá-la. A Igreja ora: “Da fome, da peste e da guerra livrai-nos, Senhor”.

Fonte: Professor Felipe Aquino

terça-feira, 19 de outubro de 2010

«Estejam ... acesas as vossas lâmpadas»




Evangelho S.Lucas 12,35-38.

«Estejam apertados os vossos cintos e acesas as vossas lâmpadas. Sede semelhantes aos homens que esperam o seu senhor ao voltar da boda, para lhe abrirem a porta quando ele chegar e bater. Felizes aqueles servos a quem o senhor, quando vier, encontrar vigilantes! Em verdade vos digo: Vai cingir-se, mandará que se ponham à mesa e há-de servi-los. E, se vier pela meia-noite ou de madrugada, e assim os encontrar, felizes serão eles.


«Estejam [...] acesas as vossas lâmpadas»

O que é necessário fazer para vencer a fraqueza da alma? Existem dois meios para a vencermos: a oração e o desprendimento de si mesmo. O Senhor Jesus recomenda-nos que estejamos vigilantes. É preciso estarmos vigilantes se queremos que o nosso coração seja puro, mas é preciso estarmos vigilantes na paz, para que o nosso coração seja tocado. Porque ele pode ser tocado por coisas boas ou por coisas más, interior ou exteriormente. Portanto, é preciso saber estar vigilante.

A inspiração de Deus é, de ordinário, uma graça discreta: não devemos rejeitá-la [...]; se não estivermos de coração atento, a graça retira-se. A inspiração divina caracteriza-se por uma particular precisão; tal como o escritor conduz a sua pluma, assim a graça de Deus conduz a alma. Procuremos pois atingir um maior recolhimento interior.

O Senhor quer que tenhamos o desejo de O amar. A alma que se mantém vigilante apercebe-se de que cai e de que, só por si própria, não consegue atingir aquele propósito; por isso, sente necessidade da oração. A súplica fundamenta-se na certeza de que nada podemos fazer só por nós próprios, mas que Deus tudo pode. A oração é necessária para obtermos a luz e a força.

São Maximiano Kolbe (1894-1941), franciscano, mártir
Conferência de 13/02/1941 (a partir da trad. Villepelée, Mission, Lethielleux 2003, rev)

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

«Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29)



Evangelho segundo S. Lucas 11,42-46.

Mas ai de vós, fariseus, que pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as plantas e descurais a justiça e o amor de Deus! Estas eram as coisas que devíeis praticar, sem omitir aquelas. Ai de vós, fariseus, porque gostais do primeiro lugar nas sinagogas e de ser cumprimentados nas praças! Ai de vós, porque sois como os túmulos, que não se vêem e sobre os quais as pessoas passam sem se aperceberem!» Um doutor da Lei tomou a palavra e disse-lhe: «Mestre, falando assim, também nos insultas a nós.» Mas Ele respondeu: «Ai de vós, também, doutores da Lei, porque carregais os homens com fardos insuportáveis e nem sequer com um dedo tocais nesses fardos!

«Aprendei de Mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29)

Meu filho, foge de todo o mal ou daquilo que se assemelhar ao mal. Não sejas irascível: a cólera leva ao crime. Não sejas ciumento, conflituoso nem violento: essas paixões originam mortes. Meu filho, não sejas sensual: a sensualidade é o caminho para o adultério. Não uses de linguagem licenciosa, nem tenhas um olhar atrevido: também isso engendra adultério. [...] Resguarda-te dos encantamentos, da astrologia, das purificações mágicas; recusa-te a vê-las e a ouvi-las: isso seria [...] perderes-te na idolatria. Meu filho, não sejas mentiroso, porque a mentira conduz ao roubo. Não te deixes seduzir nem pelo dinheiro nem pela vaidade, que também incitam a roubar. Meu filho, não murmures contra os outros: tornar-te-ás blasfemo. Não sejas insolente nem malévolo, pois isso também conduz à blasfémia.


Usa de mansidão: «Felizes os mansos, porque possuirão a terra» (Mt 5, 5). Sê paciente, misericordioso, sem malícia, cheio de paz e bondade. Respeita sempre as palavras que ouviste do Senhor (Is 66, 2). Não te engrandecerás a ti próprio, não abandonarás o teu coração ao orgulho. Não te aliarás aos soberbos, mas frequentarás os justos e os humildes. Receberás os acontecimentos da vida como dons, sabendo que é Deus quem dispõe sobre todas as coisas.

Comentário ao Evangelho do dia feito por :

Didaquê (entre 60-120), catequese judaico-cristã
§3 (a partir da trad. Quéré, Pères apostoliques, Seuil 1980, p.94)

domingo, 10 de outubro de 2010

Maria na Liturgia


A Virgem está presente, de forma constante, na celebração da liturgia:

- por um lado, porque, criatura, como nós, Ela dá ao Senhor o culto que Lhe é devido, e somente a Ele;

- por outro lado, porque ocupa um lugar particular e único na realização dos dois grandes mistérios da salvação da humanidade – a Encarnação e a Redenção – e, decorrendo deste mesmo fato, na liturgia que celebra os mistérios da Fé. Além disso, Maria, Mãe do Verbo de Deus, ocupa um lugar central na liturgia Eucarística, como lembra Santo Agostinho, “a Carne de Jesus, é a carne de Maria”...

“Maria não é o Deus do Templo, Ela é o templo de Deus”

Entretanto, se a Santa Virgem possui um lugar especial na liturgia da Igreja, Ela não é a finalidade da Igreja: o culto de adoração (de latria) é devido somente a Deus: só Ele é o objeto primeiro e supremo da liturgia da Igreja; Maria recebe, de todos os que pedem a sua intercessão, um culto de veneração (de dulia – e mesmo, de hiperdulia, porque a Virgem é mais intercessora sozinha, do que todos os santos e anjos reunidos). “Maria não é o Deus do Templo; Ela é o templo de Deus”...

O que não impede que, desde as origens da Igreja, e em todas as nações do mundo, a Liturgia celebre e honre a Mãe de Deus, Aquela que cantou em seu Magnificat: “Doravante, todas as gerações me chamarão de bem-aventurada”...

Um lugar de honra na liturgia

Mesmo que Maria ocupe um lugar de honra em todas as liturgias da Igreja (liturgia eucarística, sacramental, Ofício das Horas, também chamado "Ofício divino"), esta consideração é particularmente sensível nos ritos da Igreja do Oriente, por exemplo, onde a Virgem está no coração, no cerne da celebração ortodoxa, que a honra, como Théotokos (Mãe de Deus) ao longo de todo o ano litúrgico.

Na Igreja universal, o ano litúrgico encontra-se pontuado por quatro festas marianas principais: a Imaculada Conceição; a Anunciação; a Mãe de Deus; a Assunção, assim como inúmeras festas secundárias (pelo menos 16). Sem contar com as missas votivas em honra da Virgem (no único Missal do rito latino Romano, rito oficial da Igreja Católica, contam-se 46 festas!). Notemos o lugar de honra e a veneração dedicados à Virgem, que é celebrada na liturgia da Igreja, tanto no Oriente quanto no Ocidente, quaisquer que sejam as suas culturas, e de "geração em geração"...

Fonte: Marie de Nazareth

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Conhecer para amar a Palavra...


"Quando se apresentavam palavras tuas, eu as devorava: tuas palavras eram para mim contentamento e alegria de meu coração" (Jr 15,16).
Aproximar-se da Palavra de Deus gera alegria no coração. O mês dedicado à Bíblia quer mais uma vez lembrar de sua importância em nossa caminhada cristã. Ler, escutar atentamente, conhecer existencialmente, contemplar, amar, deixar-se transformar pela Palavra, é o melhor caminho para o encontro pessoal com o Senhor. "De manhã em manhã ele me desperta, sim, desperta o meu ouvido para que eu ouça como os discípulos" (Is 50,4).
Na Bíblia encontramos tudo o que Deus tem a nos comunicar. Antes de se fazer carne e alimento eucarístico, o Verbo se fez escritura, Palavra de vida e de amor, revelação de sua bondade e infinita misericórdia.
A leitura freqüente da Bíblia nos habituará à voz do Espírito, ajudar-nos-á a reconhecê-la nas diversas circunstâncias da vida, nos ensinará a contar nossos dias e a ter um coração sábio (cf. Sl 89,12).
A Palavra nos faz mergulhar em Deus, leva-nos a uma união sempre mais íntima com ele, cria em nós o "senso bíblico", uma mentalidade segundo o autor sagrado.
A compreensão e penetração da Escritura sagrada acontece na razão direta com a transparência de coração e a santidade de vida. A alma que lesse a Palavra sem a preocupação de vivê-la e pôr em prática sua mensagem, morreria de sede à beira dessa fonte de água viva...
O ideal seria transplantar a Palavra de Deus para dentro de nós, apoderando-nos dela, convertendo-nos totalmente a ela. Assim, nossos pensamentos, sentimentos e desejos, dariam lugar ao pensar, sentir, querer e amar de Cristo Jesus.
O mais desejável, portanto, é que cada um de nós tenha apetite sempre mais delicioso para a Palavra de Deus, e adquira um verdadeiro "espírito bíblico" em seu peregrinar de volta para a casa do Pai. Empenhando-nos em conformar nossa vida ao que lemos, a Palavra nos transformará e nos renovará espiritualmente. Não endureçamos, pois, os nossos corações, nem engrossemos o número daqueles que ouviram a palavra e de nada adiantou. Antes, ouçamos "hoje" a sua voz, "pois a Palavra de Deus é viva e eficaz" (cf. Hb 4, 2.7.12). O espírito dócil e disponível lê, ouve, medita, reza, contempla e vive a Palavra de Deus.

Dom Nelson Westrupp, scj
Presidente do Conselho Episcopal Regional Sul 1 da CNBB

O dedo de Deus


O homem é uma combinação de alma e de carne, uma carne formada por semelhança com Deus, modelada pelas duas Mãos de Deus, ou seja, pelo Filho e o Espírito, aos Quais Ele disse: «Façamos o homem» (Gn 1, 26). [...]

Mas como podes ser divinizado, se ainda não és homem? Como podes ser perfeito, se ainda mal foste criado? Como serás imortal tu que, na natureza mortal, não obedeceste ao teu Criador? [...] Visto que és obra de Deus, espera pacientemente pela Mão do teu Artista, que faz todas as coisas em tempo oportuno. Apresenta-Lhe um coração manso e dócil, e mantém a forma que este Artista te concedeu, conservando em ti a água que Dele provém e sem a qual te tornarás rígido, acabando por rejeitar a marca dos Seus dedos.

Se te deixares formar por Ele, ascenderás à perfeição, pois por esta arte de Deus será ocultada a argila que existe em ti; foi a Sua Mão que criou a tua substância. [...] Se, porém, te tornares rígido, recusando a Sua arte e mostrando-te desagradado com o que Ele fez em ti, terás rejeitado, pela tua ingratidão para com Deus, não apenas a Sua arte, mas a própria vida; porque formar é próprio da bondade de Deus e ser formado é próprio da natureza do homem. Se, pois, te entregares a Ele, dando-Lhe a tua fé e a tua submissão, receberás os benefícios da Sua arte e serás uma obra perfeita de Deus. Se, pelo contrário, resistires e fugires às Suas Mãos, a causa da tua imperfeição residirá, não Nele, mas em ti, que não obedeceste.

Santo Ireneu de Lião (c. 130-c. 208), bispo, teólogo e mártir
Contra as heresias IV, Pr 4; 39, 2 (a partir da trad. SC 100 rev.)

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Nossa Senhora do Rosário - 7 de outubro


Promessas a todos que rezarem o rosário...

"O Terço é a minha oração predileta. A todos, exorto, cordialmente, que o rezem". (João Paulo II)

Nossa Senhora, em suas aparições, pede que rezemos o rosário e confiou valiosas promessas, a São Domingos e ao bem-aventurado Alan de La Roche.

Hoje, Festa de Nossa Senhora do Rosário, tomemos posse dessas promessas e rezemos com amor essa oração.

Primeira promessa

"A todos os que rezarem, com constância, o meu Rosário, receberão graças especiais"

Segunda promessa

"Aos que rezarem devotamente o meu Rosário, prometo minha especial proteção e as grandes graças."

Terceira promessa

"Os devotos do meu Rosário serão dotados de uma armadura poderosa contra o inferno, pois conseguirão destruir o vício, o pecado, as heresias."

Quarta promessa

"Aos que rezarem devotamente o meu Rosário, prometo minha especial proteção e as grandes graças."

Quinta promessa

"Toda alma que recorre a mim, através da oração do Rosário, jamais será condenada."

Sexta promessa

"Todo aquele que rezar devotamente o Rosário e aplicar-se na contemplação dos mistérios da redenção, não será atingido por desgraças; não será objeto da justiça divina, através de castigos e não morrerá impenitente. Se for justo, permanecerá como tal até a morte."

Sétima promessa

"Os que realmente se devotarem à prática da oração do Rosário, não morrerão sem receber os sacramentos."

Oitava promessa

"Todos aqueles que rezarem com fidelidade o meu Rosário, terão durante a vida e no instante da morte a plenitude das graças e serão favorecidos com os méritos dos santos."

Nona promessa

"Os devotos do meu santo Rosário que forem para o Purgatório, eu os libertarei no mesmo dia."

Décima promessa

"Os devotos do meu Rosário terão grande glória no Céu."

Décima primeira promessa

"Tudo o que os meus fiéis devotos pedirem, através do meu Rosário, será concedido."

Décima segunda promessa

"Aos missionários do meu santo Rosário prometo o meu auxílio em todas as suas necessidades."

Décima terceira promessa

"Para todos os devotos do meu Rosário, eu consegui de meu Filho, a intercessão de toda a corte celeste, na vida e na morte."

Décima quarta promessa

"Todos os que rezam o meu Rosário são meus filhos e irmãos de Jesus, meu unigênito."

Décima quinta promessa

"A devoção ao meu Rosário é grande sinal de predestinação*."

*predestinados à salvação

Oração a Nossa Senhora do Rosário

Nossa Senhora do Rosário, intercedei em favor de todos os filhos de Deus para que, pela oração do Santo Rosário, meditando os santos mistérios do nascimento, da vida, morte e ressurreição de Jesus, com a recitação das Ave-Marias, possamos como discípulos de teu Filho, proclamar a Boa Nova do Reino do Pai; vencer todos os males e todos os pecados, e chegar um dia, pela paixão e cruz de Cristo, à glória da ressurreição. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
cancaonova.com

«Quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo àqueles que lho pedem!»




De onde vens? Como penetras,
no interior da minha cela,
fechada de todos os lados?
Com efeito, isto é estranho,
ultrapassa a palavra e o pensamento.
Mas o fato de vires até mim,
subitamente todo inteiro, e de brilhares,
o fato de Te deixares ver sob uma forma luminosa,
como a Lua na sua plena luz,
deixa-me incapaz de pensar
e sem voz, meu Deus!
Sei bem que és
Aquele que veio para iluminar
os que estão nas trevas (Lc 1,79),
e fico estupefato,
fico privado de senso e de palavras
ao ver tão estranha maravilha
que ultrapassa toda a criação,
toda a natureza e todas as palavras. [...]

Como é que Deus está fora do universo
pela Sua essência e a Sua natureza,
pelo Seu poder e pela Sua glória,
e ao mesmo tempo habita em tudo e em todos,
mas de uma maneira especial nos Seus santos?
Como arma neles a Sua tenda
de forma consciente e substancial,
Ele que está totalmente para lá da substância?
Como está contido nas suas entranhas,
Ele que contém toda a criação?
Como é que brilha no coração deles,
este coração carnal e espesso?
Como é que Ele está no interior deste,
como é que Ele está fora de tudo,
mas preenche tudo?
Como é que de noite e de dia
brilha sem ser visto?

Diz-me, pode o espírito do homem
conceber todos estes mistérios,
ou poderá exprimi-los?
Seguramente que não! Nem um anjo
nem um arcanjo to poderiam explicar;
seriam incapazes
de to expor por meio de palavras.
Só o Espírito Santo, porque é divino,
conhece estes mistérios
e os sabe, porque apenas Ele
partilha a natureza, o trono e a eternidade
com o Filho e o Pai.
É pois àqueles a quem este Espírito resplandecerá
e com quem Se unirá liberalmente
que Ele mostra tudo de forma inexprimível. [...]
É como um cego: quando vê,
vê primeiramente a luz
e em seguida toda a criação
que está na luz, oh maravilha!
Do mesmo modo, aquele que foi iluminado
pelo Espírito divino na sua alma
entra imediatamente em comunhão com a luz
e contempla a luz,
a luz de Deus, do próprio Deus,
que também lhe mostra tudo,
ou antes, tudo o que Deus decidir,
tudo o que Ele desejar e quiser mostrar.
Àqueles que ilumina com a Sua luz
Ele permite ver o que se encontra na luz divina.

Simeão, o Novo Teólogo (c. 949-1022), monge grego
Hinos, n°29 (a partir da trad. SC 174, pp. 315ss.)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Papa no Angelus: Maria é modelo de vida cristã



03.10.2010 - O Santo Padre presidiu a oração mariana do Angelus deste domingo, após a missa celebrada no Foro Itálico, em Palermo, na Sicília, sul da Itália.

Bento XVI frisou que a Sicília está repleta de Santuários Marianos e confiou à proteção de Maria todo o Povo de Deus que vive naquela terra. O Santo Padre pediu à Maria para que "sustente as famílias no amor e no compromisso educacional, torne fecundas as sementes de vocação que Deus semeia entre os jovens; dê coragem nas provações, esperança nas dificuldades, renovado compromisso em fazer o bem".

O Papa pediu ainda a Maria para que "conforte os doentes e todas as pessoas que sofrem e ajude as comunidades cristãs a fim de que ninguém nela seja marginalizado, mas que cada um, sobretudo os mais vulneráveis se sintam acolhidos e valorizados".

"Maria é o modelo de vida cristã. A Ela peço para que os ajude a caminhar alegres no caminho da santidade, seguindo as pegadas de tantas luminosas testemunhas de Cristo, filhos da terra siciliana" – disse Bento XVI.

O Pontífice recordou que hoje em Parma, foi proclamada beata Anna Maria Adorni que, no século XIX, foi esposa e mãe exemplar e depois de viúva, dedicou-se à caridade para com as mulheres encarceradas e em dificuldades. Para realizar esse serviço ela fundou dois institutos religiosos.

O Santo Padre sublinhou que Madre Adorni, por causa de sua constante oração, era chamada de "rosário vivo".

"Que a cotidiana meditação dos mistérios de Cristo em união com Maria, nos fortifique na fé, na esperança e na caridade" – concluiu o Papa que concedeu a todos a sua bênção apostólica. (MJ)

http://www.radiovaticana.org/bra/Articolo.asp?c=427266