sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O dom da Piedade



Todo homem é chamado a viver em sociedade, relacionando-se com Deus e com seus semelhantes.

Requer-se que esse relacionamento seja reto ou justo. Por isto a virtude da justiça rege as relações de cada ser humano, assumindo diversos nomes de acordo com o tipo de relacionamento que ela deve orientar: é justiça propriamente dita, sempre que nos relacionamos com aqueles a quem temos uma dívida rigorosa; a justiça se torna religião desde que nos voltemos para Deus; é piedade, se nos relacionamos com nossos pais, nossa família ou nossa pátria; é gratidão, em relação aos benfeitores.

Ora, há um dom do Espírito Santo que orienta divinamente todas as relações que temos com Deus e com o próximo, tornando-as mais profundas e perfeitas: é o dom da Piedade.

São Paulo implicitamente alude a este dom quando escreve: “Recebestes o espírito de adoção de filhos, mercê do qual clamamos: Pai” (RM 8, 15). O Espírito Santo, mediante o dom da Piedade, nos faz, como filhos adotivos, reconhecer Deus como Pai.

E, pelo fato de reconhecermos Deus como Pai, consideramos as criaturas inspirados pelo mesmo dom da Piedade.

O dom da Piedade nos leva a transcender as relações de “dar e receber” que caracterizam o relacionamento natural; leva-nos a considerar não apenas os benefícios recebidos, mas muito mais, o fato de Deus ser sumamente santo e sábio: “Nós vos damos Graça por vossa imensa Glória”, diz a Igreja no hino da Liturgia Eucarística.

É próprio de um filho olhar a honra e a glória de seu pai, sem levar em conta os benefícios que ele possa receber do mesmo. É o dom da piedade que leva os santos a desejar, acima de tudo, a honra e a glória de Deus “… para que em tudo seja Deus glorificado”, diz São Bento.

Santo Inácio de Loyola exclama: “… tudo para a maior glória de Deus”.

É também o dom da piedade que desperta no católico viva e inabalável confiança em Deus Pai. Como, por exemplo, muito bem explica Santa Teresinha de Lisieux em sua doutrina sobre a infância espiritual.

O dom da piedade não leva o autêntico católico a cumprir apenas seus deveres para com Deus de maneira filial, mas leva-o também a fazer apostolado (ou seja, a praticar o amor de Deus) com todos os seus semelhantes.

Típico exemplo deste sentimento encontra-se na vida de São Francisco de Assis: quando este, certo dia, sonhando com as glórias de um cavaleiro medieval, avistou um leproso, sentiu-se impelido a dominar a repugnância e dar-lhe o ósculo que exprimia a sua compaixão e ajuda.

O dom da piedade, tornando os católicos conscientes de sua formação de família dos filhos de Deus, move-os a ultrapassar os limites do direito e do dever, a fim de testemunhar uma generosidade que não regateia nem mede esforços desde que seja para o bem das almas. É o que exprime São Paulo, Apóstolo, ao escrever: “E eu de mui boa vontade darei o que é meu e me darei a mim mesmo pelas vossas almas, ainda que, amando-vos eu mais, seja por vós menos amado” (2 Cor 12, 15).

Fonte: Baseado em http://vocacionadosdedeusemaria.blogspot.com/

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