quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Um Deus que se faz Criança






A bondade e a esperança sobrevivem. E o amor continua aquecendo milhares e milhares de corações sobre a face da terra. Na virada do milênio existem sinais luminosos, visivelmente desenhados no horizonte. Realidades-força que reabastecem nosso otimismo cotidiano, incentivando-nos a prosseguir lutando pelo Reino, de ânimo perseverante, apesar de...

E a gente pergunta: Quem salvará o mundo?
Os que olham a sociedade à sua volta com simpatia e misericórdia, mas com aquela vontade enorme de transformá-la para melhor. Os que permanecem descobrindo, amando a vida, olhando-a de frente, saudando cada dia, como chance que Deus nos concede para fazer o bem. E agradecem porque existe música nos palcos do existir.

Os que ainda encontram tempo para dialogar com as estrelas, beber um lindo por-do-sol e socorrer um necessitado que perambula pelas ruas da amargura, do sofrimento, da marginalização.

A criança que nos encanta com sua simplicidade, o velhinho trôpego que se ampara na bengala amiga e os jovens enfuziantes projetando sonhos-entusiasmo nos caminhos abertos do amanhã. Um homem e uma mulher que se ajoelham lado a lado, olhos molhados de ternura, agradecendo o dom do seu amor, dando-se as mãos para acertar na educação dos filhos. Os mansos e humildes, que sorriem na adversidade, fazem-se criativos na crise, silenciam perante críticas maldosas e buscam dar razão aos outros, mesmo quando injustiçados descaridosamente. O escritor que arquiteta seus poemas, livros e pensamentos na calada da noite. O místico que se comunica com Deus nas mínimas coisas de cada dia. O operário de fronte suada que regressa para casa, contente, mesmo sabendo que o pão escasseia na sua mesa e o salário mal-e-mal cobre as despesas da família.

Os que esperam, contra toda a esperança, transformando as próprias angústias num hino à vida, colocando alma em suas tarefas, convertendo seu trabalho em prece e ofertório.

Essas e tantas outras pessoas, não raro esquecidas e pouco valorizadas, estão salvando nosso mundo caótico, ferido e desencontrado, restituindo-nos confiança e motivação em meio às turbulências e perplexidades desta virada do século, limiar do ano dois mil.

E quando mais um Natal desponta na esquina de dezembro, a gente se emociona pela milésima vez perante um Deus que se fez Criança, para estar mais perto de nós. E lágrimas nos brotam do fundo do coração, vendo os pobres e desafortunados celebrando a vida, seus restos de esperanças cantando “Noite Feliz” dentro de seus barracos. E mesmo sem ceia natalina, sem pinheirinhos enfeitados, eles sorriem generosos, agradecidos: “Se Deus quiser, no ano que vem nosso Natal será mais alegre. Se Deus quiser! “

Em Belém, no silêncio da noite,uma patena foi elevada.
Era MARIA, celebrante privilegiada,
rezando a primeira Eucaristia,
no altar da maternidade.

Pe. Roque Schneider, SJ

Fonte: Triunfo do Coração de Jesus
Nº13 Outubro – Dezembro/97

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