sábado, 4 de fevereiro de 2012

SOMOS MAIS PEDINTES E OU MAIS AGRADECIDOS?



Pe. Gilberto Kasper
pe.kasper@gmail.com


Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

Neste dia 2 de Fevereiro, a Igreja celebra uma festa de origem oriental: a Apresentação do Senhor ao Templo. No Brasil, é muito conhecida do povo como devoção a Nossa Senhora das Candeias, da Candelária ou dos Navegantes. A vinda do Senhor ao Templo de Jerusalém, passados quarenta dias de seu nascimento em Belém, é narrada como apresentação e purificação da mãe, dois ritos não necessariamente conexos na tradição judaica, mas que em nossa atual liturgia tem um “sabor” de manifestação de Jesus ao Povo da Antiga Aliança. Simeão e Ana são os últimos que “esticam o pescoço”, já na economia do Novo Testamento, para testemunhar a realização das promessas.
A ação litúrgica que chama a atenção nesta celebração, sem dúvida, é o lucernário e a procissão com velas bentas e acesas, que nos remete à liturgia da Vigília Pascal. Conta, portanto, com nossa gratidão a Deus, que nos enviou Seu Filho para ser a Luz do Mundo, nosso Salvador. A festa, em si, encerra os encantos do Tempo de Natal, para introduzir-nos ao centro de nossa Fé, a Páscoa, Festa da Ressurreição do Senhor.
Já na sexta-feira, dia 3 de Fevereiro, celebrando a Memória de São Brás, Bispo de Sebaste, conhecido como uma das últimas vítimas das perseguições romanas, como protetor contra os males da garganta, sendo sua bênção muito procurada pelo povo, nossas Igrejas lotam de fiéis.
Basta constatar em qual das duas celebrações temos maior número de fiéis participantes, para percebermos que Somos mais pedintes do que agradecidos! Não é aqui nossa intenção de julgar a fé e a relação madura dos cristãos. Porém, deveríamos preocupar-nos, sim, com a evangelização mais madura, do que com uma simples catequese debruçada sobre devoções populares. Se nosso povo fosse realmente mais maduro e evangelizado, a celebração da Apresentação do Senhor ao Templo precederia à Missa onde buscamos a bênção contra os males da garganta. Já no tempo das Curas de Jesus, dos dez, somente um dos leprosos curados voltou para agradecer. Como seríamos mais configurados com as Comunidades dos Apóstolos, se fôssemos mais agradecidos e menos “pidões”, já que o Senhor nos concede tudo de que precisamos para sermos felizes e realizados.
Em nossa Igreja Santo Antoninho, Pão dos Pobres, celebraremos a Apresentação do Senhor ao Templo com a bênção e procissão das velas, nesta quinta e a Memória Facultativa de São Brás, com a bênçãos das gargantas na sexta, sempre às 19 horas, na Av. Saudade, 222-1, Campos Elíseos. Oxalá possamos participar das duas celebrações com o coração mais agradecido e confiante, logo mais configurado ao Coração Sagrado de Jesus!

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