terça-feira, 22 de maio de 2012

ANO ELEITORAL E VALORES DO BEM COMUM

Pe. Gilberto Kasper pe.kasper@gmail.com Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. Aproximamo-nos da metade do Ano Eleitoral. Embora ainda contemplemos especulações, já sentimos aqui e acolá “clima de campanha’, mesmo que negado pelos prováveis candidatos aos Poderes Executivo e Legislativo de nossa cidade e região, há evidências na intencionalidade dos que disputarão um lugar no Governo Municipal. Insisto na formação de consciência crítica política “numa época em que se calca a subjetividade e se tende fazer prevalecer o valor da individualidade. É preciso voltar a insistir nas características do bem comum. Os grandes escândalos e a corrupção, que invadem todos os ambientes da vida nacional, mostram que a distinção entre o público e o privado nem sempre está muito clara e muito menos aflora à consciência. Quais são, pois, os valores fundamentais do bem comum? Podemos sintetizá-los em três grandes categorias, que englobam segurança, alimento e religião, ou, na expressão do grande filósofo chinês Confúcio: exército, pão e fé. Desenvolvendo estes temas percebemos que eles envolvem muitos elementos, destacando-se a educação, como fulcro para alavancar suas exigências, e o trabalho como meio de consegui-los”. Quando indagada sobre o que vai mal e precisa melhorar, a população elenca em primeiro lugar a saúde! Tema amplamente discutido durante a Campanha da Fraternidade deste ano, que trata da Saúde Pública, ainda deixando tanto a desejar. Aparentemente houve melhorias e progressos na Saúde Pública. Mas e as longas e demoradas filas de espera por atendimento digno e diagnósticos que necessitam de exames, geralmente, agendados para distantes meses à frente? “Trata-se de um dos campos em que o bem comum, hoje, é mais agredido e merece uma reflexão acurada, bem como exige um mutirão que envolve toda a sociedade. A bioética constitui, hoje, o brado mais expressivo que a dignidade humana eleva, reivindicando melhores cuidados e mais respeito pela vida. A técnica penetrou nos mais íntimos segredos da genética, sem conseguir dignificar a pessoa humana. Pelo contrário, tornou-se, em muitos casos, instrumento de interesses, bem distantes da valorização da vida. Eis porque se torna necessário lançar um grito de alerta. Estamos chegando ao fundo do poço. Precisamos, urgentemente, unir-nos num grande mutirão, que envolva todas as forças vivas da sociedade, para superar esta grave crise de humanismo” (Fonte: GRINGS, Dom Dadeus. Cartilha da Saúde – Um Apelo da Bioética. Porto Alegre, Presscom, 2008, pp. 7-8). É neste sentido que convidamos todos a uma séria reflexão, que esperamos repercutam nas Urnas das próximas Eleições, bem como em todos os ambientes, para que nosso Povo sofrido tenha vida e a tenha em abundância!

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