sábado, 17 de novembro de 2012

HOMILIA PARA O 33º DOMINGO DO TEMPO COMUM DE 2012

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! A Liturgia da Palavra do Trigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum traz consigo um sabor de despedida, de término, de fim! É o penúltimo domingo do Tempo Comum, em que Jesus prepara os seus interlocutores à vigilância! “A celebração deste domingo nos motiva a assumir a condição de peregrinos nesta terra, onde tudo é efêmero e provisório. O céu e a terra passarão, a Palavra de Deus não passará. Ele nos pede vigilância e discernimento ativo dos sinais dos tempos, em atitude de esperança pela manifestação gloriosa da majestade do Senhor. Aguardando a plena manifestação de Deus na plenitude dos tempos, vivamos intensamente o presente, nos esforçando em dar o melhor de nós, na esperança de que um mundo novo é possível. Enquanto aguardamos a vinda final de Jesus, não podemos ficar parados. Novos céus e nova terra são possíveis, começando aqui e agora. ‘Somos convidados a ter os olhos bem abertos e os ouvidos bem aguçados para perceber os sinais do Reino de Deus. Para não sermos surpreendidos pelos acontecimentos, é necessário estar sempre alertas. Jesus se revela na assembleia reunida e também nas situações do dia a dia. Manifestemos nossa confiança no Senhor, a quem a vida e a história humana se submetem.Todos os sábios e virtuosos, santificados por Cristo, serão acolhidos pelo Pai celeste. Vindo de todos os cantos da terra, brilharão para sempre como as estrelas no firmamento. Qual será o destino dos bons e dos maus? Precisamos estar atentos aos sinais dos tempos, que nos mostram a presença e a ação do Filho de Deus. Cristo se oferece como sacrifício definitivo para a salvação da humanidade’ (cf. Liturgia Diária de Novembro de 2012 da Paulus, pp. 58-61). Há uma pergunta que não quer calar: ‘quando o mundo acabará? Vai mesmo acabar? Como seria?’. Será no dia 12 de dezembro de 2012 como alguns estão anunciando? A resposta de Jesus supera toda e qualquer curiosidade e banalidade: primeiro, é preciso ver os sinais do Reino já presentes na história; segundo, confiar na Palavra de Deus, pois os sinais passam, mas a Palavra permanece para sempre; por último, só o Pai sabe o dia e a hora, de forma que não cabe à comunidade cristã especular sobre esse assunto. Não são poucos os cristãos que hoje ficam preocupados com as afirmações o sol ‘está escurecendo’, a lua ‘não brilha mais’, estrelas ‘começarão a cair do céu’ e as ‘forças do céu... serão abaladas’. Não faltam visões de anjos, arcanjos, querubins e serafins ‘subindo e descendo em todas as direções’. Seria esta a mensagem do evangelho de Jesus, hoje proclamado? O discípulo missionário sabe que, para efetivamente anunciar o Evangelho, deve conhecer a realidade à sua volta e nela mergulhar com o olhar da fé, em atitude de discernimento. O Concílio Ecumênico Vaticano II nos conclama a considerar atentamente a realidade, para nela viver e testemunhar nossa fé, solidários a todos, especialmente aos mais pobres. O discípulo missionário observa, com preocupação, o surgimento de certas práticas e vivências religiosas, predominantemente ligadas ao emocionalismo e ao sentimentalismo. O fenômeno do individualismo penetra até mesmo certos ambientes religiosos, na busca da própria satisfação, prescinde-se do bem maior, o amor de Deus e o serviço aos semelhantes. A espiritualidade, a vivência da fé e do compromisso de conversão e transformação nos orientam para a construção da caridade, da justiça, da paz, a partir das pessoas e dos ambientes onde há divisão, desafetos, disputas pelo poder ou por posições sociais. Este é um tempo em que, através de ‘novo ardor’, novos métodos e nova expressão’, respondamos missionariamente à mudança de época com o recomeçar a partir de Jesus Cristo. A ação eucarística é vivência antecipada da manifestação gloriosa de Cristo, acontecendo hoje, pela prática da fé e da caridade solidária” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB nº 23, pp. 98-108). Como seria bom, se ao invés de preocupar-nos com o fim do mundo, nos ocupássemos com a promoção da dignidade no mundo. Só quem sente o quanto é bom ser bom, sabe que a bondade salvará até mesmo os que consideramos menos bons. Não canso de pensar e renovar o propósito de tentar sempre. Pois o que determinará meu fim último é o esforço que empreendo por ser melhor hoje do que fui ontem. A coerência entre o que penso, rezo e vivo, é que será meu acesso à eternidade feliz, junto ao colo d’Aquele que me gerou antes mesmo de ser planejado. Sejam todos muito abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço sempre amigo e fiel, Pe. Gilberto Kasper (Ler Dn 12,1-3; Sl 15(16); Hb 10,11-14.18 e Mc 13,24-32).

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