sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

HOMILIA PARA O QUARTO DOMINGO DO TEMPO COMUM DE 2012

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

“O que eu desejo é levar-vos ao que é melhor, permanecendo
junto ao Senhor, sem outras preocupações” (1 Cor 7,35).

A Palavra de Deus do Quarto Domingo do Tempo Comum apresenta-nos a missão do Profeta ao lado do início do ministério de Jesus, pautado em sua autoridade, porque coerente entre o que prega e vive, diante do compromisso de transformação da Comunidade de Fé!
Segundo o Livro do Deuteronômio, a missão do profeta é anunciar a Boa Notícia da Aliança desejada por Deus para com a Humanidade, e denunciar tudo aquilo que possa impedir a fidelidade da mesma. O Profeta é o porta-voz de Deus ao coração acolhedor e atento da Pessoa. Tem o serviço de comunicar Deus ao mundo, que quando não ouve, torna-se oco, vazio, sem sentido e sem perspectivas de vida, como herdeiro e filho desse mesmo Deus, que ama louca e apaixonadamente Sua criatura predileta.
O mundo barulhento em que vivemos, não deve ser muito diferente daquele em que os Profetas tentaram transmitir a vontade Deus, na promoção da dignidade de Suas criaturas amadas e queridas. É salutar o silêncio interior, a busca de uma mais profunda espiritualidade, a fim de um compromisso mais concreto de mudança das estruturas injustas em que nos encontramos. O Reino de Deus anunciado pelos Profetas é sempre um Reino de Justiça. Insisto em pensar que onde não há justiça, é também impossível a sobrevivência do Reino de Deus.
A criatura humana é livre para escolher entre o bem e mal. O que se constata, é que o homem parece vazio da presença amorosa de Deus em sua vida, uma vez tendo endeusado o consumismo, o hedonismo e o individualismo. O Profeta quer ser o eco da voz de Deus no coração vazio e estéril da humanidade.
Depois de formado seu grupo de Discípulos, Jesus inicia seu ministério com autoridade, segundo o Evangelho de São Marcos. A autoridade de Jesus é um convite aberto à coerência, à conversão e ao bom senso àqueles que desejam ser seus discípulos e missionários. Sem essas três dimensões, dificilmente é possível configurar-nos com o ministério do Senhor, que conta conosco na Comunidade, para devolvermos ao mundo a dignidade humana que a “Cultura de Morte” nos tira cada vez que somos coniventes com as injustiças institucionalizadas na Família, na (des)Educação, na Sociedade, na Política e também na Religião.


“Todos ficavam admirados com o seu ensinamento,
pois ensinava como quem tem autoridade,
não como os mestres da lei” (Mc 1,22).


De que adiantam nossos diplomas, cargos, funções e posições de prestígio, se nossa palavra não tem credibilidade, porque incoerente com nossa vida, vivida no hodierno. Com facilidade emitimos juízos, repreendemos pessoas, deixamos de atendê-las com a caridade pastoral proposta em nossos lindos Projetos Missionários e Planos de Pastoral. Será que temos tal direito? Quantos de nossos erros escondemos atrás dos erros dos outros!... Enquanto nossas normas estiverem acima de nossa misericórdia, dificilmente seremos configurados com o Senhor, que nos confia Sua própria autoridade ministerial, desde que estejamos a serviço da vida plena das pessoas. Gosto sempre de concluir que não devemos “banalizar” nossos projetos, até mesmo porque justiça e misericórdia somadas, resultam no AMOR COM SABOR DIVINO! Isso só é capaz de viver, ministerial e missionariamente, quem acolher e viver a autoridade do Senhor, porque coerente entre o que prega e vive de verdade. Não importa se conseguimos ou não tal coerência. Importa, isso sim, o esforço empreendido todos os dias por sermos hoje um pouco mais coerentes do que ontem. Então experimentaremos a AUTORIDADE MESSIÂNICA!
Sejam todos muito abençoados. Com ternura e gratidão, meu abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Dt 18,15-20/ Sl 94(95)/ 1Cor 7,32-35/ Mc 1,21-28)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

HOMILIA PARA O TERCEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM DE 2012

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

Um dos nossos limites humanos é o Tempo ao lado do espaço. A Palavra de Deus do Terceiro Domingo do Tempo Comum nos conclama a refletirmos sobre o tempo que nos é dado como dom gratuito de Deus!
Geralmente tendemos deixar para depois, para amanhã, aquilo que deveríamos realizar hoje, agora. A profecia de Jonas mostra o Profeta a caminho de Nínive, a fim de convencê-la à conversão. Jonas, dócil à vontade do Senhor, não espera, faz logo o que o Senhor Deus lhe pede. O resultado da docilidade do Profeta tem consequências positivas. Os frutos da conversão de Nínive lhe são saborosos e ele sente-se realizado em sua missão profética.
Também Jesus caminha. Segue para a Galileia anunciando o fulcro e sua missão: o tempo e o Reino de Deus que está próximo, como lemos no evangelho de São Marcos. Para que se perceba tal maravilha, é necessária a conversão, ou seja a mudança de vida; mudando tudo aquilo que impede a pessoa de perceber que o tempo de Deus nem sempre é nosso tempo, que a vontade de Deus nem sempre é nossa vontade, mas que uma coisa é segura: o Reino de Deus já é uma realidade entre nós.
Para cumprir com seu ministério, Jesus, após convidar os primeiros, continua formando seu colégio apostólico. A proposta é desafiadora: deixar tudo e seguir Jesus. Mas deixar tudo mesmo! Eis a proposta à vocação específica. Esvaziar-se de si mesmo, deixar projetos pessoais e, uma vez discernido o Projeto Missionário de Jesus, deixar tudo para tornar-se um verdadeiro discípulo! Certamente isso não é tão simples como parece. Carece novamente de um tempo de discernimento. Carece, também, de coragem, coerência, transparência, ousadia e total despojamento. Muitos pensam que tem vocação, mas não conseguem desprender-se de seus projetos pessoais. Outros ainda, se utilizam ilicitamente, ou se apropriam do ministério ordenado, como trampolim para alcançar êxito, sucesso e prestígio social. Esses se tornam, naturalmente um verdadeiro desastre e, muitas vezes, fazem grandes estragos na Igreja do Senhor, surrando e enxotando pessoas das Comunidades, especialmente as que não concordam com tudo que tentam lhes impor. Daí a necessidade de uma profunda espiritualidade presbiteral, pastoral, eclesial e nem por último, pessoal! O Encontro Nacional dos Presbíteros em Aparecida, entre os dias 1º e 7 de Fevereiro próximo terá como tema, a Identidade e a Espiritualidade dos Padres nesse mundo de tantas mudanças e mudanças exigentes. Nem todos sobrevivem aos desafios de nossa sociedade hoje. Quem estiver desprovido de uma profunda espiritualidade, configurada com a do Mestre, não consegue ser um verdadeiro discípulo e missionário na Igreja de Jesus.


São Paulo também adverte a Comunidade de Corinto, em sua primeira Carta, que o tempo é breve. As coisas deste mundo, nós inclusive, passam. Mas a Palavra de Deus, seu Reino não passa. É, portanto, urgente, que sejamos melhores hoje do que ontem. Quando enchemos nossas Igrejas com multidões de pessoas, saindo porta afora chorando e emocionadas com nossas celebrações, devemos estar atentos se realmente nossos fiéis saem cheios de Deus ou de nós, ministros e agentes de pastoral? É necessário que haja compromisso com o Reino de Deus anunciado por Jesus Cristo, que é um reino de Justiça. Logo, onde não há justiça, não há Reino de Deus. Saibamos ser sempre coerentes entre o que pensamos, falamos (rezamos) e fazemos. Só então, a autenticidade de nosso discipulado e missionariedade serão agradáveis ao Senhor.


Saibamos permitir que o Senhor nos ajude em nossa conversão, a fim de seguirmos com generosidade e alegria o projeto do Reino de Deus que já está entre nós!
Há quem diga que tempo é questão de prioridade! Gosto de acrescentar a esta afirmação, de que precisamos estabelecer prioridades em nossas relações, e para a criatura humana, não é concebível que nosso tesouro prioritário não seja nosso Deus e Senhor!
Saibamos administrar o dom precioso do tempo que o Senhor da Vida nos concede. Saibamos viver a ternura humana com sabor divino!

Pe. Gilberto Kasper
(Ler Jn 3,1-5.10; Sl 24 (25); 1 Cor 7,29-31 e Mc 1,14-20)
Saibam

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

HOMILIA PARA O SEGUNDO DOMINGO DO TEMPO COMUM DE 2012




Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

Com a celebração do Batismo do Senhor, encerramos o Ciclo do Tempo do Natal e iniciamos um breve Ciclo do Tempo Comum que nos remete à Quaresma.
A Palavra de Deus proclamada neste Segundo Domingo do Tempo Comum tem sabor de Vocação, de Chamado, de Seguimento e de Encontro com o Senhor!
A página do Primeiro Livro de Samuel supõe o discernimento vocacional. Nossa primeira vocação deve ser a Vocação ao Amor. Quem não ama um amor com sabor divino, dificilmente discernirá sua vocação específica no mundo! A Igreja tem a missão de acolher aqueles que se apresentam a alguma vocação específica e ajudar no discernimento cuidadoso da mesma, visando antes de tudo a felicidade plena da pessoa. Uma pessoa só será realizada e feliz, na medida em que descobrir sua verdadeira vocação, a começar pela Vocação ao Amor!
Nossas Casas de Formação se empenham com zelo esmerado, para que os candidatos ao Presbiterado, por exemplo, sejam antes de tudo, pessoas felizes, realizadas, bem resolvidas, a fim de então dizerem um Sim definitivo, coerente e feliz de verdade! Nunca, a vocação específica na Igreja deve ser meios de vida, de auto-promoção, busca de prestígio e reconhecimento ou poder. “Já que não sirvo para casar, serei padre!” Geralmente tal pessoa torna-se amarga, um tipo de “solteirão intratável” e infeliz, fazendo de sua “suposta” vocação, um trampolim carreirista ou machucando aqueles que lhe são confiados no ministério pastoral

No Evangelho de São João, João Batista, reconhecendo Jesus, como o Messias, apresenta-o aos seus seguidores, aqueles que sentem desde as entranhas de sua intimidade uma vocação específica, como o Cordeiro de Deus a ser, doravante seguido. João Batista se retira e deixa o Messias convidar aos que lhe perguntam: “Mestre, onde moras?”, “Vinde ver”.
Uma vez vendo onde Jesus mora, onde se encontra, encontrando-se sinceramente com Ele, já não há mais volta. É impossível não ficar com Jesus, que escolhe um a um, olha bem nos olhos e os cativa, adiantando até mesmo o coordenador entre eles: “Tu és Simão, filho de João; tu serás chamado Cefas” (que quer dizer pedra).
Deus escolhe quem Ele quer, desde o seio materno. A pessoa já nasce escolhida para sua vocação específica, porém nem sempre corresponde ao chamado. Por isso os Bispos reunidos em Puebla diziam que “A Vocação (específica) é a resposta de um Deus providente a uma Comunidade orante”. A resposta generosa à vocação específica na Igreja, geralmente é fruto saboroso da Oração pelas Vocações. Muitos rezam pelas vocações, desde que sejam os filhos dos vizinhos. É necessário que nossas Famílias incentivem os próprios filhos à vocação, também sacerdotal e religiosa. Mais do que falar mal de nossos Sacerdotes, somos conclamados a rezar por eles e ajudá-los em seu caminho de santificação. Como seria bom se cada Comunidade gerasse um Padre! Como seria ainda melhor se cada Padre formasse um outro para sucedê-lo no futuro!...


São Paulo, na sua Primeira Carta aos Coríntios, lembra-nos de que somos, como membros da comunidade, templos vivos do Espírito Santo. A responsabilidade das vocações específicas na comunidade é de TODOS! Ninguém deve sentir-se isento. Na medida em que faltarmos na Comunidade, mutilamos o Corpo de Cristo que ela representa. Somos os membros e Cristo é a cabeça. Mesmo sentindo-nos o dedo menor do pé, e faltarmos, estaremos mutilando este lindo corpo, malhado, sarado, que é a Igreja de Jesus Cristo!
Meu primeiro incentivador à vocação sacerdotal foi meu amado pai. Costumávamos acolher as visitas com uma poesia, um canto ou algum teatrinho exibido pelas crianças. Faz exatamente hoje 50 anos que meu pai faleceu. Eu tinha quatro anos naquele entardecer do dia 15 de Janeiro de 1962, quando o sol se debruçava sobre uma montanha rochosa diante da casa de meus avós, enquanto meu pai se reclinava eternamente no colo do Criador. O crepúsculo revestia o céu de indescritível beleza. E era ele que me pedia para “rezar uma missa sobre a máquina de costura de minha mãe, para as visitas que chegavam...”. Imitava o Padre da cidade, sem nem mesmo saber exatamente o latim que balbuciava. Mas todos ficavam admirados com a “Missa do Beto”.
Hoje, por amor e misericórdia de Deus minha Missa não é mais teatro e tenho o incomparável privilégio de oferecer a memória de meu amado pai no cálice precioso do Senhor! Sejamos dóceis ao convite do Senhor: “Vinde Ver” e teremos muitas e santas vocações para servir a Igreja da qual todos somos membros por conta de nosso batismo!
Com ternura e gratidão, bênçãos e abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler 1Sm 3,3-10.19 / Sl 39(40) / 1Cor 6,13-15.17-20 e Jo 1,35-42)

OMISSÃO É PRIMA DA HIPOCRISIA

Pe. Gilberto Kasper
pe.kasper@gmail.com


Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

O presente artigo não pretende esgotar a reflexão sobre a Omissão compreendida como prima da Hipocrisia, já que nos porões de minha consciência amadurece um pequeno livrinho sobre o candente tema. Mas há frequente coceira em meus dedos, pedindo-me digitar pelo menos algumas linhas, que possam provocar nossa relação humana diante desse mau hábito!
A omissão, embora declarada “pecado” na fórmula penitencial que tanto pronunciamos em nossas celebrações católicas: “Confesso a Deus... que pequei por pensamentos, palavras, atos e omissões...” parece não ser muito considerada em nossas relações, a começar da própria família. Desde a educação familiar, sabemos de mães que omitem erros cometidos pelos filhos, aos maridos, para evitar agressões, transtornos e tantos outros tipos de confusão.
As pessoas se omitem com muita facilidade, quando conclamadas a tomar decisões, comprometerem-se com situações que ameacem seu prestígio ou cargos que se lhe foram confiados. “Não sei de nada... Não vi nada... Não ouvi e tais coisas não me dizem respeito...” são desculpas da maioria de agrupamento de pessoas, quando responsáveis pelas mais variadas instituições de nossa sociedade.
As omissões são frequentes na esfera social, política e também eclesial. Enquanto determinadas pessoas nos convém, somos coniventes até mesmo com atitudes nem sempre recomendadas ou “politicamente incorretas”. A partir do momento em que não preenchem mais nossos caprichos, princípios lícitos ou não; quando perguntam o desnecessário ou se tornam inconvenientes, nossa tendência é imediatamente a omissão, chegando a excluir tais indivíduos de nossa relação.
Inquieta-se minha consciência quando me dou conta de ser omisso, uma vez que toda criatura humana é chamada a ser comprometida com valores que a configuram com seu Criador: a Verdade, a Justiça, a Liberdade e o Amor. Ouve-se muito que “há coisas que não se diz, nem se escreve e muito menos se discute...”. Porém como ser profeta, missionário, discípulo de Jesus Cristo numa sociedade onde a Omissão se revela prima da Hipocrisia? João Batista perdeu a cabeça porque não foi omisso. Jesus Cristo derramou o sangue na cruz porque não foi omisso. Talvez Públios Lentulus, que descreve o Jesus Histórico, nos ajude a sermos mais autênticos do que hipócritas. Descreve Jesus em algumas atitudes: “Até nos rigores é afável e benévolo”... “Diz-se ainda que ele nunca desgostou ninguém, antes se esforça para fazer toda gente venturosa!”.
Se a omissão não for superada em nossas relações, continuaremos vestindo a sobreveste da hipocrisia, varrendo sujeiras para debaixo de tapetes até não aguentarmos mais o mau cheiro de nossas mentiras, que tentamos servir como “verdades” abomináveis, que nos conduzem sobre areias movediças, aumentando o número de nossas vítimas.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

REFLEXÃO DA EPIFANIA E DO BATISMO DO SENHOR



Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Vimos sua estrela no Oriente
e viemos adorar o Senhor” (Mt 2,2).

“Com os magos Baltazar, Belchior e Gaspar, guiados pela estrela, caminhamos ao encontro do salvador da humanidade. O Cristo encarnado se manifesta como luz que ilumina homens e mulheres ansiosos pela revelação de Jesus e desejos de unidade e de paz.
Levantemos os olhos para onde se encontra a glória do Senhor, luz que ilumina o caminho da humanidade, e vamos com fé em busca do recém-nascido, nosso Salvador.
Início de ano é sempre motivo de otimismo e esperança; por isso olhemos confiantes para a frente, pois Deus manifestou sua glória (Ler Is 60,1-6). A estrela de Belém pode guiar nossos passos ao longo deste ano. Deus se manifesta a todos os povos na pessoa do recém-nascido (Ler Mt 2,1-12). Já não há povo excluído das promessas divinas, reveladas por Jesus (Ler Ef 3,2-3.5-6).
As assembleias reunidas para celebrar são a Epifania da Igreja na sua diversidade e unidade (cf. Liturgia Diária de Janeiro de 2012 da Paulus, pp. 33-36).
“Como festa litúrgica, a Epifania deita raiz na tradição das Igrejas do Oriente, onde se identificava com a celebração da Natividade de Jesus, firmada no Ocidente (Roma) no dia 25 de dezembro. Com o passar do tempo, entrou para o calendário romano sob o título ‘Epifania’ e também ‘Teofania’. O aspecto ressaltado, porém, não é mais a natividade, mas a manifestação da divindade de Cristo a todos os povos. Assim, entra em jogo a figura dos Reis Magos. Como veremos, a Liturgia da Palavra, a eucologia e demais elementos da prece litúrgica enfocarão claramente este aspecto.
A imagem que a Igreja tem de si mesma, segundo o Concílio Vaticano II é exatamente esta: de ser como que ‘sacramento da união íntima com Deus e da unidade de todo o gênero humano’ (Lumen Gentium, n. 1). Cristo é a Lumen Gentium (a Luz dos Povos) e a Igreja participa desta sua condição. Mas não em um sentido espetaculoso e triunfante, como muitos ainda procuram abordar. O esplendor de Cristo se dá a conhecer, sobretudo, quando é dada a liberdade ao indigente que suplica e ao pobre que ninguém quer ajudar e se presta o auxílio. Quando as pessoas são arrancadas das trevas da morte e passam à luz de uma nova vida. Certamente é assim que ‘todos os povos serão neles abençoados’.
É muito bem-vindo o costume de se anunciar a data da Páscoa e demais festas do Senhor por ocasião da Solenidade da Epifania. O Ano Litúrgico é uma das maneiras privilegiadas da Igreja manifestar a luz de Cristo na qual está mergulhada. Aos fiéis que escutam com atenção a publicação dos mistérios a serem celebrados em datas precisas do ano civil, segundo o tempo cronológico, deveria ficar patente a alegria de poderem ‘acolher com fé e viver com amor o mistério’ que celebram. Afinal, será nas lutas de cada dia do ano que deverão reconhecer o esplendor da face de Cristo manifestando-se” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo do Natal In Projeto Nacional de Evangelização 19 – O Brasil na Missão Continental da CNBB, pp. 57-62).


ANÚNCIO DAS SOLENIDADES MÓVEIS DE 2012
Irmãos caríssimos,
A glória do Senhor manifestou-se,
E s empre há de manifestar-se no meio de nós
Até a sua vinda no fim dos tempos.
Nos ritmos e nas vicissitudes do tempo
Recordamos e vivemos os mistérios da salvação.
O centro de todo o ano litúrgico
É o Tríduo do Senhor crucificado, sepultado e ressuscitado,
Que culminará no
Domingo de Páscoa, este ano a 08 de abril.
Em cada Domingo, Páscoa semanal,
A Santa Igreja torna presente este grande acontecimento,
No qual Jesus Cristo venceu o pecado e a morte.
Da celebração da Páscoa do Senhor
Derivam todas as celebrações do Ano Litúrgico:
As Cinzas, início da Quaresma, a 22 de fevereiro;
A Ascensão do Senhor, a 20 de maio;
Pentecostes, a 27 de maio;
O primeiro Domingo do Advento, a 02 de dezembro.
Também nas festas da Santa Mãe de Deus,
Dos Apóstolos, dos Santos
E na Comemoração dos Fiéis Defuntos,
A Igreja peregrina sobre a terra
Proclama a Páscoa do Senhor.
A Cristo, que era, que é e que há de vir,
Senhor do tempo e da história, louvor e glória pelos séculos dos séculos.
Amém.

(Diretório da Liturgia de 2012 da CNBB, p. 38).

“Abriram-se os céus e fez-se ouvir a voz do Pai:
Eis meu Filho muito amado; escutai-o, todos vós!”
(Mc 9,7).





“Ao ser batizado, Jesus é proclamado Filho querido e amado de Deus e assume publicamente a missão recebida do Pai. A páscoa de Cristo se revela em todos os batizados conscientes e comprometidos com a própria missão de cristãos.
Batizados e ungidos pelo Espírito Santo, somos servos do Senhor a serviço do reino que Jesus veio instaurar por amor à humanidade (Ler Is 42,1-4.6-7 e Mc 1,7-11).(cf. Liturgia Diária de Janeiro de 2012 da Paulus, pp. 36-38).
“A Festa do Batismo do Senhor situa-se entre o Tempo do Natal e o início do Tempo Comum. De um lado, vemos o final do ciclo da Encarnação, período em que a manifestação do Senhor aprofunda o sentido das comemorações natalinas; de outro, vislumbramos a chegada dos primeiros domingos do Tempo Comum, tempo em que a manifestação do Senhor se prolonga, mas apresentando laços com a missão de Jesus e o chamamento dos discípulos.
Os cristãos são filhos de Deus no Filho de Jesus. Sobre eles também se abrem os céus: Deus continua sua ação salvadora na vida da comunidade e por meio dela. No exercício do amor comunitário e missionário prolonga-se o bem-querer divino pelo mundo” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo do Natal In Projeto Nacional de Evangelização 19 – O Brasil na Missão Continental da CNBB, pp. 63-66).
Tanto a Solenidade da Epifania como do Batismo do Senhor manifestam a Pessoa de Jesus Cristo ao mundo, como o Filho amado do Pai! E há uma voz, que saindo da nuvem, confirmando-o como tal nos tem algo a pedir: “Escutai o que Ele disser...” E o que Jesus nos diz: “Que nos amemos uns aos outros, como Ele nos ama” e pronto. O maior presente a ser oferecido a Jesus é o esforço de amarmos nossos semelhantes do jeito como são, promovendo-os em sua dignidade. A melhor maneira de vivermos nossos compromissos batismais no hodierno de nossas relações, é o esforço por sermos anjos uns para os outros! Como o mundo seria mais humano com sabor divino, se nos esforçássemos sempre!
Com ternura, bênçãos e abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper

DEUS FEITO PESSOA É MANIFESTADO AO MUNDO


Pe. Gilberto Kasper
pe.kasper@gmail.com


Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

Os cristãos celebram nos próximos dias duas grandes manifestações de Deus feito Pessoa ao mundo: a Epifania do Senhor no domingo dia 8 e o Batismo de Jesus no dia 9 de Janeiro de 2012.
“Como festa litúrgica, a Epifania deita raiz na tradição das Igrejas do Oriente, onde se identificam com a celebração da Natividade de Jesus, firmada no Ocidente (Roma) no dia 25 de dezembro. Com o passar do tempo, entrou para o calendário romano sob o título ‘Epifania’ e também ‘Teofania’. O aspecto ressaltado, porém, não é mais a natividade, mas a manifestação da divindade de Cristo a todos os povos. Assim, entra em jogo a figura dos Reis Magos. A Liturgia da Palavra, a eucologia e demais elementos da celebração litúrgica enfocam claramente este aspecto.
A Festa do Batismo de Jesus situa-se entre o Tempo do Natal e o início do Tempo Comum. De um lado, vemos o final do ciclo da Encarnação, período em que a manifestação do Senhor aprofunda o sentido das comemorações natalinas; de outro, vislumbramos a chegada dos primeiros domingos do Tempo Comum, tempo em que a manifestação do Senhor se prolonga, mas apresentando laços com a missão de Jesus e o chamamento dos discípulos. Esta primeira parte do Tempo Comum também nos introduz no mistério da Páscoa. O Evangelho de João nos ajuda a compreender melhor isso: ‘A Palavra estava no mundo – e o mundo foi feito por meio dela – mas o mundo não quis conhecê-la. Veio para o que era seu, e os seus não a acolheram’ (Jo 1,10-11)” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB 19, pp. 55-66).
Terminamos o Tempo do Natal, que foi um tempo de encontros. É como se todos os povos marcassem um tempo para, em torno do Presépio, viver um momento de paz e de balanço da própria vida. “E agora José!” Como continuar as manifestações de Deus feito Pessoa ao mundo?
O Natal, como manifestação de Deus feito Pessoa ao mundo é muito mais do que panetones e presentes. Esses deverão ser pagos. Os boletos e cobranças de Janeiro são, geralmente, mais salgados. Aliás, é o mês dos impostos que nos tiram o sono: IPTU, IPVA, Matrículas Escolares juntamente com as despesas feitas por conta das festas natalinas e da passagem de ano. O que não podemos, é perder a esperança de dias melhores. Devemos iniciar o Novo Ano com novas esperanças sim, novo sentido de vida experimentado desde o Presépio de onde exalam novas perspectivas de relações humanas com maior sabor de dignidade. Sejamos, portanto, mais presença do que simples presentes, uns para os outros neste ANO DA FÉ, proclamado por nosso amado Papa Bento XVI, para sublinhar o Cinquentenário da Abertura do Concílio Vaticano II.

O Cristão e a vida de oração



"Retiras o peixe da água e dali a pouco está morto. Retira-te ou afasta-te da oração, e a tua alma vai morrer para Deus e para a graça. Para que o peixe viva, precisa de estar na água; para que a tua alma viva em graça, precisa de andar em oração.
Se o peixe tivesse Fé e razão, havia de compreender que tinha o dever rigoroso de não sair da água para não perder a vida; o cristão tem o dever rigoroso de não deixar a oração para não perder a vida da eterna bem-aventurança." (São João Crisóstomo citado no livro o Cristão no Tribunal da Penitência pelo Padre Fr. Frutuoso Hockenmaier, O.F.M, página 132)

Fonte:Espaço Maria

domingo, 1 de janeiro de 2012

A FAMÍLIA: ESPERANÇA DE NOVA HUMANIDADE



A FAMÍLIA: ESPERANÇA DE NOVA HUMANIDADE

Pe. Gilberto Kasper
pe.kasper@gmail.com

Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

“A Solenidade do Natal do Senhor se prolonga e se desdobra em várias comemorações que ajudam a aprofundar o mistério da encarnação. Todas essas, em íntima conexão com o nascimento do Filho de Deus, revelam aspectos importantes de um único acontecimento: Deus se fez um de nós. É dentro deste horizonte que se situa a Festa da Sagrada Família, que a Igreja celebra nesta sexta-feira, dia 30 de dezembro.
Deus vem ao encontro da vida humana por inteiro, não se isentando de participar de nada, somente do pecado, para, em contrapartida conceder a todos a participação na vida divina. Os antigos chamavam isso de sacrum comercium, isto é, sagrado comércio, ou divina troca: Deus entra em comunhão com a vida humana para possibilitar aos seres humanos entrar em comunhão com a vida divina.
Maria e José, os pais de Jesus, levam ao templo, lugar do encontro religioso com Deus, duas pombinhas. É a oferenda dos pobres, a expressão religiosa de sua condição e pequenez. É no meio dessa situação onde se situa o Filho de Deus. Na comunicação de dons a humanidade oferece aquilo que tem: fragilidade, pobreza, pequenez... Já Deus escolheu se encontrar com a humanidade no seio da família, é esse o lugar do encontro, profundamente humano e existencial, com a obra preferida de suas mãos. A nós ele oferece o seu Filho. A humanidade, figurada por Maria e José, Simeão e Ana, acolhe Jesus, que na economia da Nova Aliança vai salvar a humanidade do pecado e da morte.
Outrora Deus, para provar a fé do seu servo, pede o sacrifício do seu único Filho. Na nova economia, Deus aceita a oferenda livre de Jesus, que gera a fé e confirma A Família: Esperança de Nova Humanidade” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB, pp. 46-48).
Lamentavelmente o Papai Noel tenta ocupar o lugar do verdadeiro homenageado, Jesus Cristo! O grande convite deste Natal foi uma nova contemplação do Presépio em nossas residências, templos e praças. Imaginemos um Presépio sem os protagonistas do mesmo: Jesus, Maria e José: sobrariam apenas animais e o feno que serviu de berço ao Recém-Nascido, o Salvador do Mundo! Não caiamos na tentação consumista de subtrair do “presépio de nossa sociedade” a Família. Sem ela, seremos ainda mais ocos, vazios, estéreis da presença de um Deus amoroso, feito pessoa na meiguice e ternura de um bebê, igual a nós em tudo, menos no pecado!
Em nossa Igreja Santo Antoninho, na Av. Saudade, 222-1 nos Campos Elíseos de Ribeirão Preto, celebraremos a Festa da Sagrada Família no sábado, dia 31 de dezembro às 19 horas. Já no domingo, 1º de Janeiro, celebraremos a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, no Dia Mundial da Paz, às 8 e 10 horas. Que o Senhor abençoe todas as nossas Famílias, resgatando principalmente aquelas que se encontram de bruços e engolidas pela Cultura da Sobrevivência!