segunda-feira, 27 de agosto de 2012

São Pedro Juliano Eymard e Nossa Senhora do Laus (França)

O amor pela Eucaristia cresceu no coração de Pedro Juliano paralelamente ao amor pela Virgem Santíssima. Ainda bem jovem, ele se consagrou a Maria, prostrando-se diante de seu altar. Gostava muito de rezar o terço. Entretanto, um desejo o atormentava; o de fazer uma peregrinação à cidade de Laus - situada em Saint-Etienne-le-Laus, na Provence, Côte D´Azur -, para visitar a capela de Nossa Senhora do Bonne Rencontre, venerada em toda a região desde que a Virgem Santa aparecera a Benoîte Rencurel, no dia 29 de setembro de 1664. Seis léguas de distância separavam-no de La Mure do Laus. Pedro Juliano, nos seus dez anos de idade, teve que implorar muito... Até que, finalmente, a permissão lhe foi dada e ele pôde realizar o seu sonho, participando de uma peregrinação, em grupo, e permanecendo no local desejado por mais uma semana. Uma palavra sua nos desvela um pouco as graças recebidas: "Foi lá que, pela primeira vez, pude conhecer e amar Maria." Uma atração secreta e imperiosa o levaria inúmeras vezes ao Laus. O vigário o censurava, sempre: "Queres ser Padre, sem, ao menos, saber se tens vocação!" Preocupado, Pedro Juliano resolveu ir ao Laus para pedir à Nossa Senhora que o iluminasse e o encaminhasse. Ao chegar lá, confessou-se com o Padre Touche e este o encorajou a realizar o sonho de tornar-se padre. Desde então, exclamava com justo reconhecimento: "Ó! sim, se me tornei padre, isto eu devo à Virgem Santíssima; sem ela, eu não teria triunfado contra os obstáculos que se opunham aos meus desígnios." "A Virgem - diria ele, mais tarde - tinha-me conseguido uma contrição de lágrimas. Daqui, posso ver o pilar, no qual eu me apoiava, e tanto chorava! Sempre que eu retornar ao Laus, me apoiarei nele." Um dia, quando falava sobre o Laus ao sentir-se diante de Nossa Senhora do Bom Socorro, ele se enleou - estava a ver a Virgem Santa, verdadeiramente - murmurou: "A Mãe Santíssima lá está; lá, nós podemos vê-la!" Em seguida, bem envergonhado, calou-se. São Pedro Juliano recebeu de Maria Santíssima a missão de fundar uma obra dedicada à adoração perpétua da Eucaristia. Efetivamente, fundou a Congregação dos Padres do Santíssimo Sacramento. Segundo Robert Labigne, Florilégio Mariano, 1981 Fonte: Um Minuto com Maria

Maria, humana como nós

Ela foi a pessoa que melhor realizou a vontade de Deus O gênero humano possui duas naturezas: a corporal e a espiritual. (CIC, 2337). Uma bonita característica desta realidade é que tudo aquilo que somos neste mundo têm como finalidade última revelar a nossa identidade eterna, como disse o Papa João Paulo II em uma de suas catequeses: “O corpo, de fato, e só ele, é capaz de tornar visível o que é invisível. Foi criado para transferir para a realidade visível do mundo o mistério oculto desde a eternidade em Deus, e assim ser sinal d’Ele (Teologia do Corpo, nº 19, de 20/02/1980). Até a essência humana do "Homem-Deus" teve esse propósito: “a pessoa humana do Cristo pertence 'in proprio' à pessoa divina do Filho de Deus, Sua vontade e inteligência têm como primazia a revelação do ser espiritual da Trindade (CIC, 470). Podemos identificar uma mostra disso ao checar a vida dos santos, aqueles que já alcançaram a glória junto ao Altissímo, mas que, desde sua vida terrena, enquanto peregrinos neste mundo, demonstravam habilidades, carismas e dons que faziam parte da identidade eterna a respeito deles. Perceba que aqueles que foram elevados aos altares, os mais conhecidos, são tidos como padroeiros e intercessores de causas específicas conforme suas experiências vividas em sua passagem aqui na terra. Dom Bosco, hoje no céu, continua intercedendo pelos jovens; São Lucas, médico (cf.Cl 4,14), é padroeiro destes profissionais da medicina; Santa Cecília, musicista, é auxiliar espiritual dos músicos, e assim por diante. Neste contexto, destacamos Maria Santíssima. Ela foi a pessoa humana que realizou, da maneira mais perfeita, a obediência da fé (CIC, 148), por isso está acima de todos os santos. Ela teve, em sua humanidade, a dádiva de ser mãe como maior incumbência e a mantém na eternidade. Tudo nela diz respeito à maternidade. Aquilo que conhecemos a seu respeito, proclamado pela Igreja em seus títulos, já tinham um traço, uma característica que ela desenvolveu em sua vida neste mundo. A personalidade, a alegria, o silêncio, o serviço, a feminilidade, a prontidão, o ser educadora, a intimidade, o modo particular de ser mãe, correspondem ao cuidado que Cristo desfrutou e que, ainda nos tempos de hoje, nós também podemos obter de Maria. Nisso tudo, ela antecipava o ser “Auxiliadora”, “Rainha de Paz”, distribuidora de “Graças”, “Medianeira”, mulher “das Dores" etc. Nela, o “dom da maternidade” atinge seu significado mais profundo e perfeito desde sempre e para sempre. Maria, a mãe de Jesus, é e sempre será a mãe de toda a Igreja. Sem nenhuma exceção, aqueles que são gerados no Cristo herdam a filiação do Pai das Misericórdias e também dessa Mãe Dulcíssima, que nos acolhe e nos ama, pois, somos membros do Corpo Místico de Jesus, no qual Sua dimensão física foi gerada por Maria. Ela é o modelo de mãe que concebe o corpo e também cuida para que o filho alcance a plenitude da vida espiritual e da vontade de Deus a seu respeito. Ao vislumbrar o rosto humano da Virgem de Nazaré, seremos impulsionados a aumentar nosso amor,nossa devoção e entrega a Nossa Senhora, como também será uma provocação, partindo dos exemplos de Maria, a encontrar a iniciativa do Senhor no sentido de nossa própria existência, conhecer o que Deus pensou a nosso respeito para esta vida e para a eternidade. Maria, mãe da ternura, rogai por nós! Sandro Ap. Arquejada blog.cancaonova.com/sandro Membro da Comunidade Canção Nova, formado em Administração, colunista do Portal Canção Nova, autor do livro: "Maria humana como nós"

sábado, 25 de agosto de 2012

HOMILIA PARA O 21º DOMINGO DO TEMPO COMUM DE 2012

DIA DO CATEQUISTA Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! Com o último domingo de Agosto – Mês Vocacional – agradecemos a rica presença dos Catequistas na Igreja toda ela ministerial e missionária! Todos os batizados são sacerdotes e sacerdotisas na Igreja de Jesus Cristo! É belíssimo o ministério de nossos Catequistas que conduzem crianças, adolescentes, jovens, noivos e adultos à presença do Senhor, que se faz alimento da PALAVRA e alimento EUCARÍSTICO às Comunidades comprometidas com um mundo mais digno e humano! “É sempre uma graça e uma bênção estarmos reunidos, celebrando o mistério pascal de Cristo acontecendo em nossa vida e em nossos trabalhos, especialmente dos Catequistas e demais Ministros não ordenados, nossos Agentes de Pastoral com a Igreja Missionária de Jesus. Na Páscoa de Jesus, Deus revelou a sua opção pela humanidade. Jesus venceu, pela cruz, todos os limites que impedem a vida humana de ser feliz e divina. No centro do Evangelho deste domingo, está Pedro, que, questionado por Jesus, o identifica como Filho de Deus. E, falando em nome do grupo, decide seguir Jesus: ‘A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que Tu és o Santo de Deus’. Damos graças por essa opção de Deus por nós e pela presença da páscoa libertadora. Abrimos o coração à interpretação que Jesus nos faz, como fez a Pedro, e, a exemplo dos apóstolos, queremos estar com Ele no caminho e na luta por uma sociedade diferente, nova e fraterna. Ele nos encoraja a abandonar os ídolos, que nos levam à destruição e à morte. Há uma pergunta nos bastidores da Igreja e na consciência dos cristãos: o que significa e implica servir ao Deus verdadeiro, nos dias de hoje? É duro admitir que a fé na Eucaristia não é unicamente crer na presença de Jesus nas espécies de pão e vinho, mas também no pobre, no aleijado, no espoliado, no maltrapilho, e que Ele encarna-se na realidade concreta das pessoas. O que significa ser pão para os outros? Por que muita gente se escandaliza e cai fora quando mostramos os compromissos da Eucaristia? Aparece hoje um certo ‘espiritualismo eucarístico’ que esconde e escamoteia a encarnação de Jesus no contexto histórico. A fé exige decisão e adesão sem reservas àquele cujas palavras prometem e comunicam a vida eterna. Jesus é efetivamente o enviado que Deus consagrou. A escola para segui-lo não suprime a liberdade e não impede a possibilidade de traição. Seguir Jesus impõe condições que nem todos aceitam. Servir o Senhor da vida é penoso e exigente, e podemos sucumbir à tentação de ‘ir embora’ e largar o seguimento. Hoje existem formas discretas de nos retirar da caminhada sem dar muito na vista: ficar na comunidade sem assumir ou sem se importar com o projeto de Jesus, vivendo uma religião como rotina, para ter a consciência em paz; escolher trechos mais convenientes do Evangelho e fingir não ver as exigências cristãs da caridade, da justiça e da ação transformadora da sociedade; inventar um Jesus a nosso gosto, que nos incomode pouco, ou nada, e faça sempre a ‘nossa vontade’. Será que é possível se dizer cristão, frequentar a igreja, sem de fato ter tomado uma decisão verdadeira de seguimento a Jesus e de compromisso com o seu projeto? A Eucaristia nos coloca diante de Cristo e nos pede uma opção pronta e decisiva. A Palavra proclamada é luz, e o pão que recebemos é força e alimento, em vista de uma resposta positiva e responsável (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 22, pp. 106-112). Gosto de lembrar-me de duas pequenas estórias que iluminam minha relação com os efeitos da Eucaristia em minha vida: o silêncio e a ternura de um beijo! Em determinada Igreja havia um homem, que diariamente, sentado no último banco, olhava para o Sacrário, sem dizer uma única palavra. O homem olhava para Jesus no Sacrário e sentia Jesus olhando para ele. Em outra Igreja, uma menina de cinco anos de idade, dando voltas pelo sacristão que preparava a mesa para a celebração da Missa, vendo a hóstia grande na patena sobre o altar, a ser consagrada na celebração, subiu num banquinho e beijou a hóstia. Ao ver aquilo, o sacristão disse: “Oh! Menina bobinha. Porque fica beijando esta hóstia na patena, se Jesus nem aí está?” A Menina replicou: “Eu sei que Jesus ainda não está nesta hóstia. Mas quando chegar encontrará meu beijo!...”. Saibamos nós mergulhar no mistério da Eucaristia de tal modo maduro, e mais do que isso: anunciar Jesus com atitudes decisivas e coerentes entre o que celebramos, dizemos e fazemos! Sejamos os Catequistas em nossas relações sempre! Com muitas bênçãos, ternura, gratidão e abraço amigo, Padre Gilberto Kasper (Ler Js 24,1-2.15-18; Sl 33(34); Ef 5,21-32 e Jo 6,60-69)

terça-feira, 21 de agosto de 2012

CONVITE AOS CATEQUISTAS

Pe. Gilberto Kasper* “A Equipe Arquidiocesana da Animação Bíblico-Catequética realiza em 26 de agosto, das 8h30 às 12 h, na Paróquia Santa Maria Goretti, em Ribeirão Preto, a 3ª Concentração Arquidiocesana da Catequese. Com o tema “Eucaristia: sustento da espiritualidade do catequista” a concentração terá a assessoria do Padre Gilberto Kasper. Aguarda-se a presença das caravanas das Paróquias. Forte abraço, Flávio Veloso. Coordenador Arquidiocesano de Catequese de Ribeirão Preto – SP”. No último domingo de agosto – O Mês Vocacional, lembramos a missão dos catequistas e de todas as pessoas que se dedicam à ação evangelizadora em nossas comunidades e no mundo. De Sul a Norte de nosso imenso Brasil são incontáveis os Catequistas que se dedicam a anunciar e fazer conhecido o Plano de Salvação de Deus, por meio de Jesus Cristo. Mulheres, Homens e Jovens dedicados que merecem nosso reconhecimento e nossa mais profunda gratidão. São os Catequistas que dão forma à Igreja de Jesus Cristo, toda ela ministerial, missionária e discípula! A esmerada dedicação dos Catequistas enriquece a nossa ação evangelizadora, pois são eles verdadeiras pérolas que adornam nossas Comunidades de Fé, Oração e Amor! Graças a pessoas como nossos Catequistas, Jesus Cristo é anunciado, conhecido, amado e vivido no mundo! O sexto capítulo do Evangelho de São João trata justamente da Eucaristia, em que Jesus Cristo, anunciado pelos Catequistas, se apresenta como o Pão da Vida. São então estas páginas do Evangelho do Amor, que iluminam o tema proposto para a Terceira Concentração Arquidiocesana do Catequista, prevista para o próximo domingo. São João mostra como a encarnação e a eucaristia andam de mãos dadas, mexem com as pessoas e as levam a um posicionamento: aceitam Jesus e se abraçam com Ele, ou se chocam e escandalizam com Ele e se afastam do seu projeto de vida e liberdade. Diga-se de passagem: Jesus, de fato, frustrou as expectativas e esperanças de muitos. Depois dos milagres, sinais e prodígios, concluem: “Este é o profeta que devia vir ao mundo...” e querem agarrá-lo para fazê-lo rei, mas Jesus foge sozinho para a montanha (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 22, pp.106-109). Sintam nossos Catequistas o carinho de nossa gratidão pelo magnífico empenho na evangelização de nossas crianças, jovens e adultos! *pe.kasper@gmail.com

A EUCARISTIA NA VIDA DO CATEQUISTA

Pe. Gilberto Kasper pe.kasper@gmail.com Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. A Igreja de Jesus Cristo é essencialmente ministerial, missionária e discípula. O que seria de nossas Comunidades sem os ministérios, os missionários e os discípulos “não ordenados”? Quantas Mulheres, Homens e Jovens dedicam sua vida à ação evangelizadora na Igreja, principalmente através da Catequese. Quanta disponibilidade, dedicação, esmero que devemos reconhecer e agradecer profundamente no último domingo do Mês Vocacional! O primeiro Catequista da Comunidade é o Presbítero. Porém, sem um grupo bem preparado de Catequistas, a Ação Evangelizadora seria impossível. Jesus Cristo não seria tão bem anunciando, conhecido e vivido! Os Catequistas, além de séria preparação, encontram a força para o cumprimento de sua missão na Eucaristia. “Eucaristia e glória. O pão não tem fim em si mesmo. Existe para ser consumido e devolver as forças para quem passa fome. Os que amam sabem que a vida não tem sentido se não se traduzir em pão, em dom a ser partilhado com os outros. Jesus, antes de elevar-se para a glória de Deus, assume a cruz, numa oferta total de sua vida. Sua ‘subida’ é o gesto supremo de serviço à humanidade que precisa de paz, de reconciliação e de alegria. Muitos o entenderam. Outros não, e, por isso, deixaram de segui-lo, porque sua proposta foi tornando-se muito exigente, humanamente inaceitável. Confessar que Jesus é o ‘santo de Deus’ e reconhecer que não há outro caminho significa aderir a Ele, continuando e realizando o que Ele fez como peregrino e missionário do Pai” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 22, p.110). Encerrando o Mês Vocacional e agradecendo profundamente a rica presença de todos os Catequistas, principalmente os que atuam em nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto, “A Equipe Arquidiocesana da Animação Bíblico-Catequética realiza em 26 de agosto, das 8h30 às 12 h, na Paróquia Santa Maria Goretti em Ribeirão Preto, a Terceira Concentração Arquidiocesana da Catequese. Com o tema ‘Eucaristia: sustento da espiritualidade do catequista’ a concentração terá a assessoria do Padre Gilberto Kasper. Aguarda-se a presença das caravanas das Paróquias. Forte abraço, Flávio Veloso. Coordenador Arquidiocesano de Catequese de Ribeirão Preto – SP”. Agradecemos o convite e a confiança que nos é dispensada para o bom cumprimento desta tarefa. Apesar de preparar-nos, emprestamos nossos lábios e coração ao Espírito Santo, que conduzirá aquele momento de espiritualidade!

sábado, 18 de agosto de 2012

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA

ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA “Bendita sejais, ó Virgem Maria, por vós veio ao mundo o Deus Salvador! Agora gozais na glória com Deus!” “Com uma graça toda sua, mais brilhante do que a aurora, do que o sol e do que a lua, sobe ao céu Nossa Senhora. Do seu trono ofusca o brilho, ao vir pelo céu afora, exaltada pelo Filho, que é grande antes da aurora. Mais que os santos todos brilha, mais que os anjos irradia: se do Pai foi sempre Filha, Mãe de Deus tornou-se um dia. Ela em si O trouxera outrora, como sol em treva imerso, em Deus Pai contempla-O agora, a reinar sobre o universo. Mãe de Deus ao céu erguida, seja esta a prece tua: deste a Deus a nossa vida, nos concede agora a sua. Louvor seja ao Pai e ao Filho e ao Espírito vitória, pois te alçaram deste exílio ao pináculo da glória.” 15 de Setembro Virgem Mãe tão santa e pura, vendo eu a tua amargura, possa contigo chorar.Que do Cristo eu traga a morte, sua paixão me conforte, sua cruz possa abraçar! Em sangue as chagas me lavem e no meu peito se gravem, para não mais se apagar. No julgamento consegue que às chamas não seja entregue quem soube em ti se abrigar. Que a santa cruz me proteja, que eu vença a dura peleja, possa do mal triunfar! Vindo, ó Jesus, minha hora, por essas dores de agora, no céu mereça um lugar.

HOMILIA PARA A SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA AO CÉU DE 2012

Mês Vocacional – Vocação à Vida Consagrada dos Religiosos e Religiosas Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! “A solenidade deste domingo, considerada a festa principal da Virgem, recebeu, no início do século IV, o nome de ‘dormição’ (dormitio Virginis), enquanto passagem para outra vida, e só mais tarde foi chamada de Assunção. Desde os primeiros séculos, conhece-se esta festa tanto no oriente como no Ocidente. Somente em 1950 foi promulgada verdade ou dogma de fé por Pio XII. No Brasil, a piedade popular venera Maria assunta ao céu como Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora da Boa Viagem, Nossa Senhora da Abadia, Nossa Senhora do Pilar... Celebramos esta festa da páscoa de Maria dando graças ao Pai que eleva a humilde mulher, Maria de Nazaré, e, nela nos oferece o sinal da vitória definitiva de toda a humanidade, pela força da ressurreição de Jesus Cristo. Com a Virgem Maria, cantamos as maravilhas que o Senhor fez por nós, fazendo-nos participantes do mistério pascal do seu Filho. Somos chamados a celebrar esta vitória, vivendo o projeto de Jesus que vence, pelo poder da entrega da sua vida, a força enganosa do dragão, que devora e destrói todas as possibilidades duma vida humana digna e feliz. Cantamos com Maria a esperança dos pobres e pequenos, a quem Deus, em sua grande misericórdia, liberta e exalta. ‘Alegremo-nos todos no Senhor, celebrando este dia festivo em honra da Virgem Maria: os anjos se alegram pela Assunção e dão glória ao Filho de Deus’ (antífona de entrada). A festividade da Assunção é um sinal de esperança para os que seguem o caminho da fé e alimentam a certeza de que serão ressuscitados em Cristo. E a Igreja, reunida em comunidade, contempla Maria à luz do Mistério Pascal de Cristo, professa que ela, no término da caminhada por esta terra, foi elevada ao céu, assumida por Deus e colocada na glória dos céus. É a ação de Deus fazendo grandes maravilhas na vida da mãe do Salvador. A Assunção de Maria brotou da ressurreição de Jesus. Maria segue o caminho novo de acesso ao Pai, aberto pelo Filho Jesus. Deus antecipa em Maria o que é, na verdade, destino de toda a humanidade. A ressurreição de Jesus é caminho de ressurreição para todo o ser humano. Maria havia proclamado que Deus exalta os humildes e destrói a segurança e a prepotência dos soberbos. A sua vida tem a marca da humildade e do serviço. A sua resposta ao anjo na anunciação é um juramento: eis a serva do Senhor. O fato de se tornar a mãe do Messias não a tornou orgulhosa nem vaidosa. Como mulher humilde e servidora, foi exaltada na assunção e agradecida por Deus com o sinal antecipado da glória. Maria, a mulher vestida de sol do Apocalipse e do Magnificat, nos ensina a seguir o projeto de Deus em favor dos pequenos. Deus encontra um espaço em Maria para agir e manifestar-se hoje e realizar suas maravilhas em favor da humanidade. No Salmo de Maria, tradicionalmente chamado de Magnificat, ela proclama que Deus realizou a derrubada de situações opressoras para restaurar o seu projeto de Deus: Ele subjuga a autossuficiência humana e a soberba; destitui do trono os poderosos e enaltece os humildes, e destrói as desigualdades humanas; elimina os privilégios estabelecidos pelo dinheiro e o poder. Cumula de bens os famintos e despede os ricos de mãos vazias, para instaurar uma verdadeira fraternidade na sociedade e entre os povos, porque todos somos filhos de Deus. Deus olha a condição oprimida do pobre, o estado de desgraça, de aflição e humilhação em que vivem milhões de pessoas, e enviou Jesus para propor um jeito novo de viver que seja bom para todos. O que alegra Maria é ser parte integrante do projeto de Deus para a humanidade – salvação das opressões pessoais, mas também salvação de um povo. Como comunidade peregrina, grávida da salvação de Deus, nos reunimos para celebrar. Vivemos a experiência de Maria, que, vestida de sol e adornada de joias, canta a esperança oferecida aos pobres e humildes. Nossa ligação com Maria existe justamente por ser ela uma entre os pequenos que Deus escolhe. Se houver muita homenagem a ela e pouco compromisso com os famintos e desamparados, estaremos fora da obra que Deus realiza com Maria” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 22, pp. 99-105). Nesta Solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao céu, agradecendo a Vocação à Vida Consagrada, a rica presença, a sublime missionariedade e discipulado de nossos Religiosos e Religiosas, na Igreja de Jesus Cristo, somos todos convidados, a exemplo da chamada pelo Papa Paulo VI, “A Estrela da Evangelização”, a sentirmo-nos também grávidos de Jesus. Mais ainda, não guardar para nós mesmo tal gravidez, mas levá-la pelo mundo, como Maria, a primeira missionária a levou à Isabel. O encontro das duas Mulheres me encanta sempre. A alegria daquele encontro deve ser sempre nossa alegria, quando nos encontramos, porque cheios da presença de Jesus e do Espírito Santo. Gosto, também de pensar, que a exemplo de Maria, podemos sentir-nos porta-joias do Senhor. Cada vez que O comungamos, nosso coração torna-se Seu Sacrário, Seu Tabernáculo, que deve brilhar para todos que encontramos pelo caminho, conduzindo-nos ao Senhor da Vida. Encerrando a Semana Nacional da Família, rezando e agradecendo a Vocação à Vida Consagrada, sintamos as mais abundantes bênçãos do Senhor que nos escolhe a dedo para a missão evangelizadora num mundo tão sedento de Deus em busca da sustentabilidade dos valores que devolvam ao ser humano sua verdadeira dignidade! Padre Gilberto Kasper (Ler Ap 11,19; 12,1.3-6.10; Sl 44(45); 1 Cor 15,20-27 e Lc 1,39-56)

RELIGIOSOS E RELIGIOSAS NA ASSUNÇÃO DE MARIA

Pe. Gilberto Kasper pe.kasper@gmail.com Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. Na Solenidade da Assunção de Maria ao Céu, no espírito do Mês Vocacional, a Igreja agradece, como pérolas da evangelização, a rica presença dos Religiosos e Religiosas. Homens e Mulheres que vivem os votos da castidade, pobreza e obediência, abrindo mão de constituir família, para estarem totalmente a serviço do Reino de Deus! Configurados com Maria, a primeira missionária e a “estrela da evangelização”, nossos Religiosos e Religiosas “proclamam que Deus exalta os humildes e destrói a segurança e a prepotência dos soberbos. A sua vida tem a marca da humildade e do serviço. A sua resposta ao anjo na anunciação é um juramento: eis a serva do Senhor. O fato de se tornar mãe do Messias não a tornou orgulhosa nem vaidosa. Como mulher humilde e servidora, foi exaltada na Assunção e agradecida por Deus com o sinal antecipado da glória. Maria, a mulher vestida de sol do Apocalípse e do Magnificat, incentiva os Religiosos e Religiosas a seguir o projeto de Deus em favor dos pequenos. Deus encontra um espaço em Maria para agir e manifestar-se hoje e realizar suas maravilhas em favor da humanidade. Deus olha a condição oprimida do pobre, o estado de desgraça, de aflição e humilhação em que vivem milhões de pessoas, e enviou Jesus para propor um jeito novo de viver que seja bom para todos. O que alegra Maria é ser parte integrante do projeto de Deus para a humanidade – salvação das opressões pessoais, mas também salvação de um povo. A ligação dos Religiosos e Religiosas com Maria existe justamente por ser ela uma entre os pequenos que Deus escolhe. Se houver muita homenagem a ela e pouco compromisso com os famintos e desamparados, estaremos fora da obra que Deus realiza com Maria” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 22, pp. 99-105). Na Solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu, agradecendo a rica presença, a sublime missionariedade e discipulado de nossos Religiosos e Religiosas, na Igreja de Jesus Cristo, somos convidados, a exemplo da chamada pelo Papa Paulo VI, “A Estrela da Evangelização”, a sentirmo-nos também grávidos de Jesus. Mais ainda, não guardar para nós mesmos tal gravidez, mas levá-la pelo mundo, como Maria, a primeira missionária a levou à Isabel. O encontro das duas mulheres me encanta sempre. A alegria daquele encontro deve ser sempre nossa alegria, quando nos encontrarmos uns com os outros, porque cheios da presença de Jesus e do Espírito Santo. Gosto, também de pensar, que a exemplo de Maria, podemos sentir-nos porta-jóias do Senhor. Cada vez que O comungamos, nosso coração torna-se Seu Sacrário, Seu Tabernáculo, que deve brilhar para todos que encontramos pelo caminho, conduzindo-nos ao Senhor da Vida.

VOCAÇÃO À VIDA CONSAGRADA

Pe. Gilberto Kasper* O terceiro domingo de Agosto, o Mês Vocacional é dedicado à Vida Consagrada! E é justamente neste domingo que a Igreja celebra a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora ao Céu! “Esta solenidade, considerada a festa principal da Virgem, recebeu, no início do século IV, o nome de ‘dormição’ (dormitio Virginis), enquanto passagem para outra vida, e só mais tarde foi chamada de Assunção. Desde os primeiros séculos, conhece-se esta festa tanto no Oriente como no Ocidente. Somente em 1950 foi promulgado verdade ou dogma de fé por Pio XII. No Brasil, a piedade popular venera Maria assunta ao céu como Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora da Boa Viagem, Nossa Senhora da Abadia, Nossa Senhora do Pilar... Celebramos esta festa da páscoa de Maria dando graças ao Pai que eleva a humilde mulher: Maria de Nazaré, e, nela oferece o sinal da vitória definitiva de toda a humanidade, pela força da ressurreição de Jesus Cristo. Com a Virgem Maria, cantamos as maravilhas que o Senhor fez por nós, fazendo-nos participantes do mistério pascal do seu Filho. Somos chamados a celebrar esta vitória, vivendo o projeto de Jesus que vence, pelo poder da entrega da sua vida, a força enganosa do dragão, que devora e destrói todas as possibilidades duma vida humana digna e feliz. Cantamos com Maria a esperança dos pobres e pequenos, a quem Deus, em sua grande misericórdia, liberta e exalta. A festividade da Assunção então é um sinal de esperança para os que seguem o caminho da fé e alimentam a certeza de que serão ressuscitados em Cristo. E a Igreja em comunhão, contempla Maria à luz do Mistério Pascal de Cristo, professa que ela, no término da caminhada por esta terra, foi elevada ao céu, assumida por Deus e colocada na glória dos céus. É a ação de Deus fazendo grandes maravilhas na vida da mãe do Salvador” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 22, pp. 99-105). Em plena Semana Nacional da Família, rezemos a gratidão da Igreja pela Vocação à Vida Consagrada, riqueza incalculável, sentindo as mais abundantes bênçãos do Senhor que escolhe seus vocacionados a dedo para a missão evangelizadora num mundo tão sedento de Deus em busca da sustentabilidade dos valores que devolvam ao ser humano sua verdadeira dignidade! *pe.kasper@gmail.com Pe. Gilberto Kasper pe.kasper@gmail.com

domingo, 12 de agosto de 2012

A ORAÇÃO DO PAI NOSSO NO DIA DOS PAIS

Padre Gilberto Kasper* Aprendemos do próprio Cristo, que a oração deve ser uma constante em nossa vida. Ele mesmo nos ensinou a rezar. Cristo nos ensinou A Oração do Pai Nosso. O Evangelho de São Mateus apresenta o Pai Nosso, no contexto do Sermão da Montanha (Mt 6,18). Os judeus rezavam desde a infância, mas corriam o risco de se apegar à letra da Lei. Jesus ensina que se deve pedir o que o Pai quer nos dar. São Lucas faz mais catequese sobre a oração, para as pessoas que não sabem rezar. Jesus ensina a intimidade com o Pai. A oração perseverante (Lc 11,5-8), a exortação no imperativo (Lc 11,9-10). No Antigo Testamento já se dava o título de Pai a Deus (Jr 3,19 ss; Ml 1,6; Jr 31,20; Os 11,1). Jesus emprega a palavra "Abba", que significa "papai" para exprimir uma relação especial do Filho com o Pai (Mc 14,36). Papai é a expressão da criança que se dirige ao pai da terra. Os judeus não tinham coragem de se dirigir a Deus assim, conforme ensina o Apóstolo Paulo (Rm 8,15 e Gl 4,6). Dirigindo-se ao Pai, Jesus quer comunicar a nós o direito de dizer Pai, como Ele mesmo o fez. O Cristo deu-nos o direito, isto é, a possibilidade de passar a viver como filhos de seu Pai, como seus irmãos. Jesus, quando deu-nos o direito de dizer Pai, significa a realidade de ser. Daí o direito de dizer Pai significa poder ter a mesma vida de amor com o Pai, à semelhança de Cristo. A Oração do Pai Nosso nos ensina o que devemos pedir. Nossa oração geralmente gira em torno de nossos pequenos desejos. Deus mostra o que devemos pedir: a santa vontade de Deus, mesmo que não coincida com a nossa. Muitas vezes, rezamos: "Seja feita a Vossa Vontade, desde que coincida com a nossa...". Devemos pedir grandes coisas como a glória de Deus, o reino Onipotente, o dom de Sua graça, o pão vivo e a misericórdia infinita de Deus; o que não quer dizer que não possamos apresentar a Deus nossas pequenas necessidades. Podemos sim. Mas elas não devem determinar a nossa oração. Quando rezamos dirigindo-nos ao Pai, Ele já sabe do que precisamos. Em síntese, poderíamos dizer que Jesus nos ensina, através do Pai Nosso o seguinte: "Pedi as pequenas coisas, e Ele vos dará as grandes...". Isso não é magnífico? Aproximando-nos do Dia dos Pais, somos convidados a refletir sobre a Vocação à Paternidade, expressando, de alguma forma, nossa ternura e gratidão por todos os pais, especialmente os que sofrem: enfermidades, exclusões, desempregos, dependências, as mais diversas e frustrações diante de suas Famílias! O importante é que nossa oração brote das entranhas de nosso coração e seja sincera. Do contrário, poderemos correr o risco de falar com Deus, como se fala num telefone desconectado. Nossa oração somente chegará ao coração bondoso de Deus, quando sincera e dialogal. *pe.kasper@gmail.com

sábado, 11 de agosto de 2012

HOMILIA PARA O 19° DOMINGO DO TEMPO COMUM DE 2012

SEMANA NACIONAL DA FAMÍLIA A FAMÍLIA: O TRABALHO E A FESTA Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! “Agosto é o mês vocacional. No dia dos pais, somos convocados pelo Senhor e estamos reunidos na força do seu Espírito, para render graças, bendizer o nome de Deus, nos alimentar com a Eucaristia e com a Palavra. É o Dia do Senhor, a Páscoa semanal dos cristãos. Nosso dia de descanso e louvor. Iniciamos, com alegria, a Semana Nacional da Família, que neste ano tem por tema a ser refletido: A Família: O Trabalho e a Festa. Feliz oportunidade de intensificarmos as reflexões em torno de uma das Prioridades do Plano de Pastoral de nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto: A FAMÍLIA! A alegria da celebração se esconde na oração do dia: ‘Deus..., a quem ousamos chamar de Pai, dai-nos cada vez mais um coração de filhos, para alcançarmos um dia a herança que prometestes’. É dia de festa e alegria, porque o carinho e a bondade de Deus, nosso Pai, se manifestam e nos atingem pela missão e presença amiga de nossos pais. Neles, Deus se mostra e revela o seu amor por nós. Os pais são sacramento e sinais do amor de Deus. Jesus, conhecido como filho de José e Maria, se declara o Pão vivo descido do céu. Ele se revela na partilha do pão e nas pessoas que lutam para sustentar e proteger a vida. A experiência de Elias é a nossa inspiração. Com a Igreja no mundo inteiro, rezamos: ‘Considerai, Senhor, vossa aliança, e não abandoneis para sempre o vosso povo. Levantai-vos, Senhor, defendei vossa causa, e não desprezeis o clamor de quem vos busca’ (antífona de entrada). Só por revelação de Deus é possível conhecer a condição de Filho amado do Pai, enviado como penhor de salvação, portador de vida eterna para a humanidade e pão da vida, que alimenta na longa caminhada rumo à casa do Pai. E, por conseguinte, o ser humano não pode conhecer Jesus por iniciativa própria. É o Pai quem coloca, no coração humano, o desejo de conhecer seu Filho e abrir-se ao seu Evangelho. Quem se deixa instruir pelo Pai torna-se discípulo de Jesus. Seguir Jesus, acreditar nele, é ter a vida eterna, desde agora. E a vida eterna é a vida de comunhão que une o Pai com o Filho. Dessa vida, Jesus é o pão. Ele a alimenta com o seu testemunho, o seu ensinamento, com a entrega da sua existência. A morte não põe fim a essa vida, como aconteceu com os que se alimentaram com o maná no deserto. O pão da vida nos liberta da morte. É a carne, o seu corpo, que vai sofrer a morte na cruz, o que nos dá vida. Assim, aquilo que causava incredulidade dos representantes do povo (é o que o termo ‘judeus’ significa em João), a humanidade de Jesus, é na verdade matéria de fé e fonte de vida. Esta humanidade de Jesus deve nos levar a valorizar a fome e a sede concretas e históricas dentro do dom da vida eterna. Comungar na carne de Jesus nos faz irmãos de todos e cria entre nós uma comunidade de iguais, de pessoas que se perdoam mutuamente e vivem na doação da vida. Somente se dermos vida seremos ‘imitadores de Deus’. A vida em todas as suas formas e expressões. Dar vida pode significar dar a sua própria vida, e sobre isso, temos belos e dolorosos exemplos na Igreja que está no Brasil. A Palavra de Deus neste domingo é uma catequese sobre a vida. Nossas aspirações e lutas diárias giram em torno da vida e nascem na força da Palavra: - a luta contra a fome e as doenças é para preservar e prolongar a vida; - a luta pela justiça e pela paz é para evitar os conflitos, a violência e as guerras que destroem vidas; - Campanhas feitas pela Igreja no Brasil, como a Campanha da Fraternidade deste ano, a Semana Nacional da Família desta semana, são para promover a vida onde ela está ameaçada; - a luta pelo desenvolvimento é para melhorar os níveis de vida; - a ciência faz esforços enormes para afastar as causas de morte e elevar a expectativa de vida; - a educação prepara a vida; - a filosofia pretende dar sentido e interpretar a vida... Nossa busca fundamental é viver e lutar para que a vida seja mais humana e feliz. Nossa tragédia é não poder vencer a morte. Diante dessa realidade humana, Jesus apresenta-se Pão que dá a vida sem fim ao mundo. A experiência de Elias nos ajuda a enfrentar os dissabores da missão, que exige esforço grande para ser realizada com as próprias forças. Há necessidade imperiosa de caminhar sempre, apoiados nas forças do alimento que nos mantém vivos, rumo à felicidade plena” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 22, pp. 92-98). A Palavra de Deus deste domingo, temperada com o Dia dos Pais e Abertura da Semana Nacional da Família, coloca-nos diante de uma de das prioridades de nosso Plano Arquidiocesano de Pastoral. Todos sabemos que a Igreja pensada por Jesus Cristo, faz partícipes da grande Família de Deus todos os batizados, tornando-nos filhos de um mesmo Pai e irmãos de Jesus Cristo! O convite é respondermos: Qual é a Família ideal, querida por Deus? Qual é a Família real, que formamos em nosso tempo? Quais os desafios a serem superados para resgatarmos a verdadeira Família amada tão loucamente por Deus Pai? Como e o que fazer, a fim de resgatarmos a dignidade de nossas Famílias, tão surradas por uma Cultura de Sobrevivência desumana e que desumaniza galopantemente nossas Famílias? O que cada um de nós poderá fazer para reerguer nossas Famílias colocadas de bruços por conta de um tripé de contravalores agressivos e animalescos, como: o Consumismo, o Hedonismo e o Individualismo? Rezemos, cantando com a Oração pela Família do Padre Zezinho: “Que nenhuma família comece em qualquer de repente... Abençoa, Senhor, as Famílias, Amém!”. Padre Gilberto Kasper (Ler 1 Rs 19,4-8; Sl 33(34); Ef 4,30-5,2 e Jo 6,41-51)

CELEBREMOS A SEMANA DA FAMÍLIA

Pe. Gilberto Kasper pe.kasper@gmail.com Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. Aproxima-se o Dia dos Pais, que abre, no mês vocacional, a SEMANA DA FAMÍLIA. A Igreja nos conclama a revermos os valores de nossa Família, colocada de bruços nas últimas décadas. Nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto, em sua 13ª Assembléia Arquidiocesana de Pastoral, escolheu como uma das três prioridades a serem assumidas por todos, a Pastoral Familiar. Precisamos salvar nossa Família, engolida pelo tripé de contra-valores do consumismo, hedonismo e individualismo, devolvendo-lhe a dignidade e atribuindo-lhe a responsabilidade confiada pelo próprio Criador, que a constituiu célula da sociedade. Deus viu que era bom pertencer a uma Família, tanto que quis uma para si. O Povo de Deus, a Igreja de Jesus Cristo identificam-se em torno de um espaço sagrado, o Templo; em torno de uma mesa, a Eucaristia. A Família precisa retomar os valores que a identifiquem como tal e deixar de ser uma simples "pensão melhorada", onde ninguém se compromete com ninguém. À luz da Sagrada Família, somos convidados a promover nossas famílias, principalmente as que passam por problemas e dificuldades. Na Família pensada por Deus para nós, um é Anjo da Guarda do outro, porque Deus se manifesta Pessoa em Família. Na Festa do Dia dos Pais seria bom refletirmos a Vocação à Paternidade, que tem sido desfigurada com a ausência paterna no seio de tantas Famílias. Quantos Pais que não assumem a Paternidade, outros abandonam suas Famílias e outros ainda remetem a responsabilidade paterna às mães abandonadas à própria sorte. Outros, ainda, sentem-se engolidos pela Cultura da Sobrevivência e acabam entregues à sorte de inúmeros tipos de dependências: químicas, alcoólicas, perdendo o que Deus lhes deu de mais precioso: a própria Família. A Festa da Epifania do Senhor, é a primeira de três grandes manifestações que tratam de Deus feito Pessoa. As duas outras manifestações acontecem no Batismo de Jesus por João Batista no Rio Jordão, e na Sua Transfiguração no Monte Tabor diante de alguns discípulos, celebrada no dia 6 de agosto. Na primeira, visitam o Menino recém-nascido os Três Reis Magos: Baltazar, árabe, levando incenso que representa a divindade do Menino; Belchior, indiano, levando ouro, que representa a sua realeza e Gaspar, etíope, levando mirra, mostrando a humanidade de Deus respirando vida naquele indefeso menino junto de seus pais! Somos convidados a ser manifestação de esperança em nosso mundo turbulento, perdido em si mesmo, sem rumo, sem perspectivas, e tantas vezes sem sentido. Uma estrela que conduza as pessoas desesperadas e carentes à Jesus que salva e renova a esperança de que nossas Famílias voltem a reencontrar os verdadeiros alicerces que as sustentem. Seja a Pastoral Familiar um caminho que saiba seguir a estrela de nosso Plano Arquidiocesano de Pastoral! O tema da Semana da Família deste ano é FAMÍLIA: Trabalho e a Festa! “Que nenhuma Família comece em qualquer de repente. Que nenhuma Família termine por falta de amor. Que a mãe seja um céu de aconchego e ternura, e que o homem carregue nos ombros a graça de um pai. Que a Família comece e termine sabendo aonde vai” (cf. Oração da Família do Pe. Zezinho). Somente assim poderemos acolher o mistério, de que Deus se manifesta Pessoa em Família!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

PROBLEMAS DA SAÚDE NA CULTURA DE MORTE

Pe. Gilberto Kasper pe.kasper@gmail.com Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. Falamos, hoje, com particular insistência, de uma cultura da morte. Podemos estendê-la à saúde para advertir acerca de uma cultura de doença. A pessoa humana é muito mais autora que vítima da doença que eventualmente a atinge. Entramos no campo da responsabilidade em todos os campos da atividade para não deteriorar a condição de vida. Nos Estados Unidos – para citar um país desenvolvido e longe daqui – morrem por ano em média, 92.000 pessoas por erro médico; 120.000 por remédios por eles receitados; e 240.000 por auto-medicação. Portanto, a própria medicina não é inócua e exige maior responsabilidade no seu uso. Uma segunda grande chaga provém da atuação sexual descontrolada. Falamos de doenças sexualmente transmissíveis, desde a Sífilis à AIDS; desde a pederastia à infidelidade conjugal... Não há necessidade de falar do aborto e da eutanásia, que não apenas eliminam uma vida humana, mas afetam também catastroficamente todos os envolvidos. Todo abuso contra a vida repercute na qualidade de vida. A cultura da morte encontra-se na violência e na guerra, de modo mais conspícuo. Além das mortes e destruições, deixam um rastro implacável de sequelas e malefícios. São horrendos. Mas provém da vontade humana. Representam falta de humanismo e de responsabilidade. Mesmo os campos mais básicos para a promoção da saúde não estão isentos do perigo. Seja exemplo a alimentação e o esporte. O excesso leva a catástrofes. A comida e a bebida, principalmente de teor alcoólico, fora da medida do necessário, prejudicam. O esporte profissional, principalmente em algumas categorias, leva inevitavelmente a encurtar os dias de vida. Toda ação má constitui um atentado contra a própria vida. Não por nada a Sagrada Escritura garante que “assassinos e homens de fraude não verão a metade da vida” (Sl 54,24). Ou que o malfeitor não vai de cabelos brancos para a sepultura. Morre bem antes. A saúde envolve toda a moral. Pecar não é apenas afastar-se de Deus, mas também reduzir o teor de vida, até a catástrofe final. Por isso, as terapias farmacológicas não bastam. Necessitamos da Cristoterapia e da Hagioterapia, ou seja, da graça divina para viver em plenitude (cf. Fonte: GRINGS, Dadeus. Cartilha da Saúde – Um Apelo da Bioética. Presscom, Porto Alegre (RS), 2008, pp. 31-32). Gosto sempre de lembrar a frase do Dr. José Eduardo Dutra de Oliveira, Professor de Nutrologia: “Somos aquilo que comemos!”, completando com a de minha autoria: Somos aquilo que escolhemos fazer por nós e pelos outros!

sábado, 4 de agosto de 2012

DAR-VOS-EI PASTORES SEGUNDO O MEU CORAÇÃO

DAR-VOS-EI PASTORES SEGUNDO O MEU CORAÇÃO Pe. Gilberto Kasper A Igreja do Brasil celebra em agosto, o Mês Vocacional, refletindo, além da vocação comum a todos os cristãos, que é o amor, as chamadas Vocações Específicas! A primeira vocação específica é a do Ministério Ordenado. Dom Arnaldo Ribeiro não cansava de afirmar que: “Não existe Igreja sem Eucaristia e não existe Eucaristia sem Padre!” Já os Bispos Latino-americanos e Caribenhos reunidos na Terceira Conferência Episcopal em Puebla, no ano de 1979, afirmavam: “A Vocação Específica do Sacerdócio é a resposta de um Deus providente a uma Comunidade orante”! A primeira semana de agosto, portanto, ocupa-se da Vocação Sacerdotal. Sacerdotes e Sacerdotisas são todos os batizados. Enquanto assumem seus compromissos batismais, os batizados são conclamados a serem sempre discípulos e missionários do Senhor, para construírem o Reino de Deus, ou seja, um Reino de Justiça. Tal afirmação foi retomada na Conferência de Aparecida, pelos Bispos reunidos em 2007. Torna-se a mesma, a espinha dorsal das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil para o período de 2011 a 2015. Mas, temos na Igreja, a Vocação Específica ao Sacerdócio Ordenado. O Padre que deve animar a Comunidade, conduzindo-a a santidade num mundo oco e vazio da presença amorosa de Deus! As Comunidades são chamadas a rezar pelas Vocações Sacerdotais. Gosto de perguntar as Comunidades que visito, quantos Padres geraram para a Igreja e quando não geraram nenhum, pergunto se teriam direito a um Padre? Sim, porque sabemos das orações por Vocações Sacerdotais santas e abnegadas. Porém, costumamos rezar para que o filho do vizinho seja padre, nunca o nosso. Nossa Arquidiocese de Ribeirão Preto recebe, neste ano, bem no primeiro domingo de agosto, o mês vocacional, dois novos Padres. Os Diáconos Carlos Eduardo Tibério e Leandro Donizete Ramos serão ordenados Sacerdotes no dia 5 de agosto, às 15 horas, na Igreja Abacial Santo Antônio de Pádua, nos Campos Elíseos. Seguramente são para nossa Igreja o cumprimento da promessa de Deus segundo o Profeta Jeremias que nos garante: “Dar-vos-ei Pastores segundo o meu coração” (cf. Jr 3,15). O mês vocacional, neste ano, traz consigo também, um sabor de eleições. Costumamos ver, julgar e emitir sentenças em relação às pessoas públicas, tanto na esfera eclesial, política, como social. Nossa proposta é que rezemos mais pelas pessoas que se dedicam à promoção da dignidade humana, do que falar mal delas. Haja correção fraterna, compreensão e discernimento, sem condenar a ninguém. Só Deus não decepciona. As pessoas se tornam melhores na medida em que obtiverem de nossa parte, a devida colaboração. Costuma dizer-se: “A Comunidade tem o Padre que merece!” e “O Povo tem o Governo que merece!”, enquanto gosto de concluir que cada um tem sua parcela de responsabilidade. O que temos feito para que nossos Servidores sejam melhores e mais configurados com Aquele que os escolheu, como vocacionados ao Serviço Gratuito e ao Bem Comum? pe.kasper@gmail.com

HOMILIA PARA O DÉCIMO OITAVO DOMINGO DO TEMPO COMUM DE 2012

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! “No domingo anterior, tivemos o Evangelho de João, que narrava o sinal de Jesus na multiplicação dos pães. Neste domingo, a narrativa nos traz a explicação do Mestre quanto ao significado daquele sinal: Jesus é o verdadeiro pão descido do céu, o ‘pão da vida’, conforme Ele mesmo refere. Pão da vida eterna, pão que sacia definitivamente a fome, transforma o homem, abre o caminho da santidade para aqueles que dele se alimentam. Dia 6 de agosto, a Igreja celebra a festa da Transfiguração do Senhor. Recorda os apóstolos, no Tabor, quando ouvem a voz do Pai dizendo que Jesus é o Filho amado, enviado para nossa salvação. Nós, hoje, somos os destinatários dessa revelação, imantados com o brilho das roupas brancas e tocados pela mensagem carinhosa. Ao longo do Tempo Comum, podemos sentir a espiritualidade que brota dos sinais de Jesus, vivendo de forma significativa a Páscoa de cada domingo, reunidos ao redor da mesa da Eucaristia e junto à mesa da Palavra. Queremos ser, neste domingo, a multidão a quem Jesus se dirige e anuncia a vida eterna. Para isso, precisamos aceitar suas propostas, libertar-nos do homem velho que existe em nós, aceitar a transformação que pode nos tornar em homem novo, refletindo a imagem de Deus, buscando a santidade. Isso, certamente, é necessário a todos nós cristãos, discípulos missionários de Jesus. No entanto, inúmeras vezes queremos que isto aconteça sem nos deslocarmos até o encontro com Jesus, não queremos desacomodar-nos, passar para ‘o outro lado do mar’. É preciso investir tempo e disposição para caminhar até Jesus, encontrá-lo, sentar até o entardecer, ouvindo-o falar, alimentar-nos do pão da sua Palavra. Para fazermos isso, podemos hoje priorizar a proximidade e o tempo significativo da Sagrada Escritura. Como nos diz o Documento de Aparecida: ‘entre as muitas formas de se aproximar da Sagrada Escritura, existe uma privilegiada, à qual todos somos convidados: a Lectio Divina, ou exercício de leitura orante da Sagrada Escritura’. Através da leitura orante, somos conduzidos ao encontro com Jesus, à luz de sua Palavra. Rezando com ela, mergulhamos no mistério do nosso Mestre, entramos em comunhão com Ele. Não deixemos que ‘as paixões desordenadas do mundo’, como diz São Paulo, nos desviem do caminho e da disposição de ir para o outro lado do mar, ao encontro de Jesus. Priorizemos tempo para ouvi-lo, como as multidões que o seguiam, deixemo-nos conduzir pela fome de sua Palavra” (cf. Roteiros Homiléticos n. 22 da CNBB, pp. 85-91). O evento da Multiplicação dos Pães e a incontável multidão aglomerada em torno desse, nos leva a pensar, de que continuamos sendo mais pedintes do que agradecidos. Quando aquela gente toda corre atrás de Jesus, Ele percebe que o faz porque satisfeita com o gesto espetaculoso do Mestre, que de cinco pães e dois peixinhos alimentara grande multidão. O apelo de Jesus, entretanto, vai além do espetaculoso, do milagreiro e do mero alimento material: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35). Em nossos dias não vemos algo semelhante? Tem-se a impressão de que multidões correm atrás do que é espetaculoso, mais do que o espetacular: sermos alimentados pelo Pão da Vida, Jesus na Eucaristia, Jesus na Palavra proclamada! A Teologia da Prosperidade promete resolver os problemas, oferece milagrezinhos fáceis, como emprego, saúde, casa própria e até uma vida de certa ostentação! Tais métodos de “suposta evangelização” atraem multidões. Atraem multidões como atraem fãs de cantores e artistas famosos, enquanto forem famosos e agradarem. Da multiplicação dos pães remeto minha consciência à Cruz sob a qual sobram apenas três mulheres e um jovem. Logo da Cruz de onde jorra sangue e água, a mística profunda da Igreja que Jesus tanto desejou: uma Igreja comprometida com a dignidade humana, com a promoção da pessoa através da partilha e da solidariedade! Enquanto nossos compromissos sociais tiverem precedência sobre nossa vida espiritual, continuaremos anêmicos do verdadeiro alimento: aquele que não perece, porque é eterno e nos robustece diante das surras e dificuldades que o hodierno de nossa se nos impõe! Com o primeiro domingo do mês de Agosto, O Mês Vocacional, somos convidados a rezar pela Vocação Específica do Ministério Ordenado! Rezemos nossa gratidão pela disponibilidade de nossos Padres, rezemos para que sempre tenhamos corações generosos que acolham o convite ao Sacerdócio Ordenado, bem como pela santificação de todos que responderam ao convite do Mestre. Só uma Comunidade Orante terá um Sacerdote Santo. Só um Sacerdote Santo é capaz de santificar sua Comunidade! Sejamos solícitos e dóceis aos Padres que o Senhor nos confia. Sejamos fiéis a Cristo, o Único, Eterno e Sumo Sacerdote, na pessoa de nossos Padres, configurados com Ele, o Bom Pastor! Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel, Padre Gilberto Kasper (Ler Ex 16,2-4.12-15; Sl 77(78); Ef 4,17.20-24 e Jo 6,24-35)