sábado, 29 de setembro de 2012

Homilia do 26º Domingo do Tempo Comum - Dia da Bíblia

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! “Estamos celebrando o último domingo do mês de setembro. Neste dia, recordamos, de uma maneira toda especial, a Bíblia. Nenhum outro livro conseguiu ser traduzido para tantas línguas e chegar a tantos povos como a Bíblia, na qual encontramos a Palavra de Deus. Mesmo escrita há séculos, consegue ser sempre atual e importante para qualquer momento de nossa vida. A liturgia deste 26º Domingo do Tempo Comum se apresenta com uma série de ensinamentos, que manifestam a essência da Bíblia. Claramente, podemos ver, pelas palavras de Jesus, que ninguém pode autodenominar-se dono da verdade e muito menos se sentir como exclusivamente único na promoção do bem, em nome de Deus. Temos que ser capazes de reconhecer e aceitar a presença e a ação do Espírito de Deus, através de tantas pessoas boas não pertencentes à nossa instituição, que talvez não pratiquem os mesmos ritos e devoções por nós praticados, nem professem nossa fé, mas que também são sinais do amor de Deus neste mundo. ‘O Espírito de Deus não está preso a nenhuma instituição, mas age livremente e pode se servir dos instrumentos mais inesperados. A páscoa de Jesus se manifesta nos grupos e pessoas que, independentemente de credos, se doam a favor dos pequenos e procuram realizar o bem em meio à sociedade. Neste dia da Bíblia, acolhamos com alegria a carta que o Pai celeste deixou para cada um de nós. Pode haver profetismo ligado a uma instituição, mas existem outros não menos verdadeiros, fato reconhecido por Moisés e por Jesus. A palavra de Deus nos mostra que a defesa dos pequenos e a vivência da justiça transcendem instituições e crenças. O dom da palavra para profetizar e anunciar as maravilhas de Deus não é exclusividade de algumas pessoas ou de alguns grupos. Riqueza acumulada é sinal de morte; partilhada, sinal de vida. Venha de onde vier, o bem sempre será bem-vindo” (Cf. Liturgia Diária da Paulus de Setembro de 2012, pp. 88-91). A liturgia deste domingo nos coloca, mais uma vez, no contexto do ensinamento de Jesus a seus discípulos, enquanto caminham para Jerusalém. Apresenta alguns elementos importantes que precisam ser continuamente recordados. Tanto a primeira leitura quanto o evangelho, nos recordam que Deus não é propriedade de ninguém. Nenhuma igreja, instituição ou hierarquia possui o monopólio do Espírito, nem pode contratá-lo e, muito menos, acorrentá-lo. O Espírito, porém, está em todos aqueles que, pela prática dos valores ensinados por Jesus, estão abertos e dispostos a assumir o caminho que leva à verdadeira construção do Reino de Deus, que não é comida nem bebida, mas amor, paz, justiça, solidariedade, partilha. Nossa comunidade deve ser capaz de promover o diálogo e saber valorizar as ações boas de outros grupos. O verdadeiro cristão não tem inveja do bem que outros fazem, não sente ciúmes se Deus atua através de outras pessoas, mas esforça-se, cada dia, por testemunhar os valores do Reino e alegra-se com os sinais da presença de Deus em tantos irmãos que lutam por construir um mundo mais justo e fraterno. A postura de Jesus evitou que a comunidade se fechasse em si mesma. Hoje poderíamos até dizer que sua orientação tendeu a um discurso ecumênico. Para reafirmarmos essa postura, é interessante lembrar que, há 50 anos, o Concílio Ecumênico Vaticano II reconheceu a ação do Espírito Santo, no movimento pela unidade dos cristãos. O evangelho também nos coloca diante do problema do escândalo dos pequenos na comunidade. É importante entender que ‘os pequenos’ não são necessariamente as crianças, mas os excluídos, os pobres, os doentes, os órfãos, as viúvas e os estrangeiros. Originariamente, o sentido da palavra ‘escândalo’ significa ‘pedra de tropeço’. Então, ai de quem for essa pedra e for causa de tropeço. Ela pode ser até mesmo certas atitudes que não permitem o crescimento da comunidade. Esta é uma advertência especial aos líderes que são os primeiros responsáveis pela comunidade. A radicalidade exigida por Jesus não deve ser considerada no âmbito físico. Usando imagens e linguagem tipicamente semitas, Jesus manda cortar e jogar fora tudo o que possa causar problemas, seja no contexto pessoal ou comunitário, mesmo se isso exigir uma atitude drástica, a fim de não sermos motivo de queda para ninguém” (Cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 23, pp. 34-42). A Bíblia é a Carta de Amor de um Deus apaixonado pela Humanidade. Orienta-nos, sobretudo neste domingo, à coerência entre o que pensamos, celebramos, rezamos e vivemos em nossas relações humanas. Jesus, Moisés e Tiago são muito lúcidos em suas orientações para nossas Comunidades de Fé, Oração e Amor. Devemos estar atentos: líderes eclesiais, agentes de pastoral, autoridades religiosas, mas também e, principalmente em véspera de eleições, as autoridades políticas e os que se apresentam candidatos! Ai de nós, se escandalizarmos a quem quer que seja. Geralmente os maiores escândalos são promessas impossíveis de serem cumpridas, mentiras deslavadas, falcatruas escancaradas, subestimando a capacidade de discernimento dos eleitores. Pior, é quando os eleitores não exercem sua cidadania. Quando votam por interesses pessoais e não pelo BEM COMUM! Não pretendo atrair holofotes sobre a Igreja Santo Antoninho. Mas convenhamos, meus irmãos: neste domingo faz quatro anos e cinco meses, que esperamos pelos banheiros e melhorias, que tornem nosso espaço humanamente usável. As pessoas me pedem paciência e dizem que faço minha parte. Não há noite em que me deito, sem antes pedir a Deus, que no dia seguinte, nosso projeto se realize! Embora viva de esperança em esperança, passadas algumas semanas, preciso “cutucar” a quem prometeu ajudar-nos e novas esperanças são feitas, que duram até a próxima procura... Hoje me pergunto: quando realizaremos nosso sonho em realidade? As pessoas já riem ao tentar perguntar: “E os banheiros?” Eu choro e dá-me vontade profética de elencar nomes de quem não mereceria nosso voto, nossa confiança! Mas prefiro confiar nosso Espaço Cultural Ecumênico de Espiritualidade ao tempo de Deus, que certamente não é o meu, nem o seu, nem o nosso. Só espero que tão logo chegue o tempo de Deus, não apareçam os que prometeram, mas não cumpriram com o prometido, escandalizando os pobres da Santo Antoninho! Desejando-lhes bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo, Padre Gilberto Kasper (Ler Nm 11,25-29; Sl 18(19); Tg 5,1-6 e Mc 9,38-43.45.47-48)

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A CONCEPÇÃO DA VIDA HUMANA

Pe. Gilberto Kasper* O problema básico, que envolve a saúde, é a concepção que se tem da vida humana. Alguém pode desqualificar minhas considerações alegando que eu não entendo de medicina, ou seja, que eu não tenho diploma médico, enquanto eu posso desqualificá-lo, com a mesma razão, garantindo que ele não entende de vida humana. Isso equivale a dizer que seu diploma médico não o credencia a pronunciar-se sobre a natureza do ser humano. O Papa Paulo VI, retratando uma História de dois mil anos, assegurou a todo o mundo, num discurso à ONU, que a Igreja é mestra em humanidade. Tem algo importante e indispensável a dizer. Não se pode tratar de medicina sem uma concepção a respeito do homem. Mata-se muito mais o ser humano pela ideia, que pela violência com que se elimina sua vida terrestre. É sabido que, para se pronunciar acerca das qualidades gastronômicas de um bolo, não é preciso saber fazê-lo, como para degustar um bom vinho e se pronunciar a respeito dele, não se exige que se esteja em condições de fabricá-lo. Não me cabe, nem me arrisco, dar receitas para as diferentes doenças, - apesar de o provérbio garantir que de poeta e médico todos tem um pouco – mas não posso omitir-me, como pessoa humana e, principalmente, como ministro ordenado para um rebanho, cujos cuidados me foram confiados por Cristo, de me pronunciar sobre a situação geral da saúde e sobre as medidas que neste campo se tomam. O primeiro questionamento, que me incumbe fazer, é que a nossa farmacologia está baseada na concepção de que o homem não é mais que um ser natural, composto dos mesmos elementos, que constam nos fármacos. Impressionou-me um artigo que alguém, que se apresentou como médico, escreveu por ocasião da morte do Papa João Paulo II. Estranhava ele as homenagens a esse homem que, segundo afirmava, não era mais que um dos tantos chefes de religiões, existentes no mundo, e que ele não era mais que um composto de células, que se encontravam em todos os seres humanos de modo igual. Ele dizia, com palavras científicas, o que nós costumamos expressar dizendo que ele era apenas “carne e osso”. A visão antropológica cristã rebate essa concepção e garante duas vertentes básicas: vê o ser humano, ao mesmo tempo, a partir da natureza e a partir de Deus. É, em outras palavras, um ser natural aberto à transcendência. Pondo em discussão a categoria de natureza, retoma-se e aprofunda-se, hoje, a questão da bioética e da biotecnologia. O ser humano é e deve ser visto em sua dupla referência: como imagem e semelhança de Deus e, como ser vivo, ligado à matéria. No momento em que eliminarmos a dimensão da transcendência, a dimensão pessoal do ser humano e o próprio conceito de pessoa desaparecem. *pe.kasper@gmail.com

O SER HUMANO É NATURALMENTE RELIGIOSO

Pe. Gilberto Kasper pe.kasper@gmail.com Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. De fato a história universal registra, independente da cultura e do lugar, que todos os povos tinham e tem religião. E, mais ainda, a religião está na base de sua vida. Quem a recalca, segundo pesquisa de Georg Siegmund, risca anormalidade. É o que já Santo Agostinho sentenciara: “Fizestes-nos para Vós, Senhor, e nosso coração está irrequieto enquanto não repousar em Vós”. Depois da implosão da União Soviética, cujo ateísmo militante proibia qualquer expressão religiosa, verificou-se o estranho fenômeno de jovens, que antes não tinham a menor ideia de religião, acorrerem aos mananciais do Evangelho. Reconhecem-se subitamente “agarrados por Deus”. São pessoas que cresceram num ambiente asséptico de todo germe da religião. De repente, porém, tiveram a certeza absoluta a existência de Deus, não como uma teoria, mas como Alguém que os atinge de perto. O ser humano tem indubitavelmente uma dimensão transcendente. Desde os tempos mais remotos tentou vincular-se com a divindade. Crê em Deus e o acolhe, no dizer de Santo Agostinho, como mais íntimo que ele mesmo. Reconhece-o como seu Supremo Bem, colocando-o na origem e no destino de sua vida. O cristianismo veio reforçar essa tendência mostrando-a como uma ação divina em nós. E, mais ainda, anuncia que o próprio Deus, na pessoa de seu filho, se fez homem. Veio habitar entre nós. Conhecemo-lo com o nome de Jesus Cristo. Essa encarnação de Deus elevou a dignidade humana ao mais alto grau, coroado com um Deus ainda mais excelso de filhos de Deus pelo batismo. Deus se solidarizou conosco. Jesus garante que tudo o que se fizer ao menor de seus irmãos é feito a Ele, o que equivale a dizer que dele receberá a recompensa. Falamos de uma ordem sobrenatural, que se situa no campo da graça. Todos nós participamos da plenitude da graça e da verdade de Cristo. Temos, pois, a certeza de que o ser humano se compõe de matéria – foi tirado do barro e, por isso, como se costuma dizer, é de carne e osso – e de espírito – recebeu o sopro divino. É um organismo vivo pensante. Sintetiza, em seu ser humano, os três degraus da vida: vegetativa, sensitiva e intelectiva, acrescidos da graça divina. Desenvolve por isso quatro atividades: uma orgânica, assimilando alimentos, outra psicológica, expressando sentimentos, a terceira espiritual, pelo conhecimento intelectivo e pela vontade livre, a quarta sobrenatural, pelas virtudes infusas da fé, da esperança e da caridade. Soa ainda hoje a exortação, que vem desde Tertuliano: “Cristão, reconhece tua dignidade!” Não menos incisivo é o imperativo socrático: “Homem, conhece-te a ti mesmo”. De fato, não basta existir. Não se consegue viver plenamente sem reconhecer o que nos torna humanos. O ser humano é, sim, matéria, mas matéria orgânica pensante e amante. Ele é capaz de Deus e de acolher o universo, conhecendo-o. Mas também se sente conhecido e amado e assumido por Deus e por muitos irmãos.

Sempre é tempo de milagres

Um fato, incontestável e maravilhoso, certificado por milhares de pessoas, todas podendo, ainda hoje confirmá-lo, foi a aparição da Virgem Santíssima, no dia 19 de setembro de 1846. Esta Mãe amorosa apareceu a duas crianças, sob a forma de uma bela Senhora. (...) Ela apareceu no alto de uma montanha da cadeia dos Alpes (...) para o bem da França (...) e do mundo inteiro. Sua intenção era a de advertir ao mundo que seu Divino Filho estava muito triste com os homens, principalmente pelos três pecados: a blasfêmia, a profanação dos domingos e festas e a transgressão das leis de abstinência. Fatos extraordinários confirmaram esta aparição; fatos recolhidos de documentos públicos ou atestados por pessoas cuja sinceridade e credibilidade excluem qualquer possibilidade de dúvida quanto ao assunto. Estes fatos são preciosos para consolidar a fé aos fiéis já ligados a Deus, firmes na sua religião, e para rebater os argumentos daqueles que, talvez por ignorância, querem colocar um limite ao poder e à misericórdia de Deus, dizendo que já não é tempo de milagres. São João Bosco (1815-1888) Aparição da Bem-aventurada Virgem na montanha de La salette, Turim, 1875.

sábado, 22 de setembro de 2012

HOMILIA PARA O 25º DOMINGO DO TEMPO COMUM DE 2012

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! “Animados pela celebração do Mês da Bíblia, na qual encontramos a Palavra por excelência, que se diferencia das que normalmente ouvimos, queremos orientar nosso agir tentando entender, a cada domingo, o que Deus nos fala. À medida que formos nos aproximando do Tempo Comum o anúncio da Paixão é uma realidade muito próxima. A liturgia deste domingo apresenta a palavra como luz para nossa vida e nos coloca diante de duas realidades que, continuamente, nos interpelam e exigem nossa opção: a “palavra do mundo” e a “palavra de Deus”. Convida-nos a pensar no modo como nos situamos na comunidade cristã e na sociedade e até que ponto esta palavra é capaz de orientar nosso agir. ‘Discípulos dele (de Jesus), somos chamados a tomar posição, em meio aos conflitos sociais, a favor do direito e da justiça e pôr-nos a serviço de todos, principalmente dos empobrecidos, sem ambicionar honrarias. Façamos de nossa prática religiosa não um trampolim para o prestígio, mas um sinal de nosso compromisso com o reino de Deus. A Palavra de Deus denuncia as intenções perversas dos injustos contra os justos, ensina que a inveja e a rivalidade são causas de obras más e nos convida a abraçar Cristo no pobre e no pequeno. A presença do justo sempre incomoda os perversos e corruptos. Jesus anuncia novamente sua paixão e convida os discípulos para a humildade e o serviço. A inveja e a rivalidade são causa de muitos males na comunidade’ (Cf. Liturgia Diária de Setembro de 2012 da Paulus, pp. 72-74). Jesus denuncia e pede que tenhamos cuidado com o poder, com as tentativas de domínio sobre os outros, com os sonhos de grandeza, com as manobras para conquistar honras, lucros e privilégios, com a busca desenfreada por títulos e posições de prestígio, pois são atitudes que revelam uma vida segundo a ‘palavra do mundo’. Jesus nos convida a uma opção de vida que manifeste o que ele mesmo é, tendo nos deixado como testamento: um coração simples e humilde, capaz de amar e acolher a todos em especial os excluídos, sem necessidade de retribuição e reconhecimento público. Não há meio termo, Jesus é claro e exigente: quem quiser segui-lo deve acolher sua proposta e consequentemente seus desafios. Como Igreja devemos estar dispostos a testemunhar nossa fé por meio de atitudes que manifestem a verdadeira palavra que é Caminho, Verdade e Vida. [...] A Palavra de Deus deste domingo orienta, especialmente, os líderes de nossas Comunidades, a começar dos Ministros Ordenados, bem como dos que lideram a Política e os Movimentos Sociais. É profundamente oportuna em véspera de eleições. Não gosto de alguns termos como: Poder, Função e Cargo! Prefiro o que o Evangelho sugere, para aqueles que, de alguma forma, se propõem a servir a Comunidade Religiosa, Política, Civil e Social: SERVIÇO! Preocupam-me muitas de nossas atitudes que denigrem a imagem do outro para esconder nossos próprios defeitos e erros. Quando não for possível apresentar nossa capacidade de transformar o mundo por conta de nossas qualidades, não me parece justo, mas diabólico, elencar os erros dos outros. A inveja é justamente assim: sabendo que não chegaremos aos pés do outro, procuramos denegri-lo, divulgar o que tem de erros, para reprimi-lo até nosso patamar, já que não conseguiremos igualar-nos ou sermos melhores do que ele. Outra atitude diabólica é querer utilizar-se seja da religiosidade, da emotividade e da ignorância dos mais simples para adquirir prestígio, poder, cargos através de votos. Jamais mentiras, promessas enganosas, calúnias e agressões verbais que desrespeitem a dignidade de qualquer pessoa, principalmente as que se propõem a servir desinteressadamente um Povo, deveriam determinar o resultado de qualquer eleição, não a Cargos e Funções, mas ao Serviço revestido de sincera Humildade, uma das maiores virtudes de qualquer Pessoa Pública! Também penso ser cruel e diabólico “obrigar” ameaçadoramente nossos fiéis a votarem em candidatos que venham a favorecer apenas nossas Comunidades. Quem não pensa no BEM COMUM, sem distinção de pessoas, grupos, religião, condição social, intelectual e partidária não pode querer merecer nosso VOTO! Principalmente quem chega ao topo da infidelidade das próprias convicções religiosas, só para atrair votos. Pessoas que não são fiéis nas pequenas coisas, também não serão fiéis nas maiores. Portanto não merecem ser eleitas para representar-nos e defender os direitos de nossa cidadania e dignidade. Não esqueçamos que precisamos de oportunidades e não de esmolas. Também não esqueçamos que frequentemente os que chegam a determinado poder, função ou cargo eclesial, político e social só são fortes diante dos fracos, mas tornam-se fracos diante dos fortes. Fortes são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põe em prática, como pedagogicamente aprendemos neste domingo. [...] Os ‘ímpios’ descritos pelo autor da primeira leitura são que, além de não aderirem aos valores de Deus, ainda zombam dos costumes e dos valores religiosos, por considerarem essas práticas religiosas inadequadas para os dias de hoje, ou seja, não compatíveis com a modernidade. Os justos, com sua prática de vida, acabam por ser uma espécie de empecilho aos ímpios que se sentem continuamente questionados. Estes reagem, atacando os justos e colocam Deus a prova para ver até onde ele permite o sofrimento dos que o temem. O Livro da Sabedoria nos oferece uma palavra de ânimo, muito oportuna para nossos dias, pois todo justo será recompensado e sua vida experimentará a plena e definitiva vida que Deus reserva para aqueles que escutam suas palavras, aceitam seus desafios, trilham seus caminhos e se comprometem com a construção de um mundo mais fraterno, lutando pela justiça e pela paz. Quem optar viver segundo a ‘palavra de Deus’ não terá facilidades, nem viverá em um romantismo mágico pelo qual tudo acabará em alegrias e grandes realizações. Estará, porém, sujeito a críticas, a perseguições, a incompreensões e até ao próprio fracasso. Entretanto não serão as situações contrárias que farão com que desanimemos na prática da justiça. O texto que nos é proposto na carta a São Tiago leva o cristão a fazer uma sincera análise sobre a origem das discórdias que destroem a verdadeira vida das comunidades cristãs. O autor exorta a comunidade para que não perca os valores cristãos autênticos e coloque em prática a palavra de Deus, que se encontra, de maneira privilegiada, em Jesus Cristo, fazendo de suas vidas um dom de amor aos irmãos, traduzindo em gestos concretos de partilha, serviço, solidariedade e fraternidade. Vigiemos para que nosso coração não esteja ocupado por ambições, invejas, orgulhos, competições, egoísmos que nada mais criam que divisões e nos impedem de entrar na vida plena. [...] Falamos muito em “fraternidade presbiteral”. Lamentavelmente é pura hipocrisia a relação entre nós, porque é exatamente a descrita no parágrafo acima. Temos tanto medo uns dos outros, que nos evitamos. Alguns ainda se encorajam de se dirigirem aos colegas, quando necessitam de algo, ou quando não tem jeito mesmo de evitar encontros mais forçados do que espontâneos. Ressaltamos, geralmente, o que existe de negativo nos outros e procuramos esconder o que têm de bom. Por que será assim? Pergunto-me sempre, como é possível alguém ser portador do perdão, da misericórdia e da absolvição dos pecados de uma Comunidade inteira, mas totalmente incapaz de perdoar o próprio irmão de ministério. Evitar um irmão de ministério é tão feio e diabólico como se evitam os adversários políticos em época de concorrência a cargos públicos, onde muitos inescrupulosamente pisam sobre os outros. O fim último é chegar ao poder e ao prestígio a todo custo, mesmo que se deixem alguns flagelados pelo caminho. Imagino o que Cristo, principalmente através de São Tiago não cochicha às consciências de tais pessoas, revestidas do sagrado Sacramento da Ordem, ou instituídas em Serviços Públicos. [...] Jesus teve dificuldade de fazer com que entendessem. Ainda hoje podemos ter essa mesma dificuldade. Não temos tempo para saborear e entender a palavra de Deus, pois nossas preocupações podem estar sobre outras realidades. Será que não ficamos falando tantas coisas que não são tão importantes ou fundamentais? Por isso, a dinâmica de Jesus é muito importante: sentou-se, chamou mais perto, tomou a criança como exemplo... Sempre vai educando os discípulos sobre que tipo de messias é e como quer que sejam os que se dispõem a segui-lo. O evangelho é um contínuo ensinamento, mas a cegueira dos discípulos persiste. Quem quiser segui-lo deve dispor-se a servir. Assim como no tempo de Jesus, o interesse de saber quem é maior toma conta de muitas rodas de conversas e orienta as ações de muitas pessoas hoje, determinando as prioridades e os investimentos. Neste dia, cabe uma pergunta: em que estamos investindo nosso tempo, nossas energias, nosso dinheiro, enfim, nossa própria vida? Em realidades passageiras que, aparentemente, podem ser importantes, pois vivemos em uma sociedade capitalista e imediatista, ou em ações que conscientemente constroem pessoas, famílias e um mundo que proporcione o prazer de uma vida integral? Jesus nos convida a abandonarmos nossos sonhos egoístas e orientarmos nosso agir para a essência de sua proposta. No Reino de Deus não há uma escala hierarquizada de pessoas que possam ser umas mais importantes que as outras, mas há uma proposta de amor que se realiza no próximo. Algo difícil para nossos dias. O próximo, neste caso, está simbolizado pela criança que é sinal dos que são os últimos. Assim, a proposta de Cristo deve começar pelos que são últimos: os sem direitos, os fracos, os pobres, os indefesos, os facilmente manipulados, tal como eram vistas as crianças em seu tempo. O maior é aquele que ama e serve” (Cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n.23, pp.26-33). Pouco tempo antes de sua páscoa, tive o privilégio de conversar longamente com o Pe. Léo da Canção Nova, enquanto aguardávamos nosso voo atrasado no aeroporto de Navegantes (SC) com destino a São Paulo. Havia muita neblina. Entre as tantas coisas profundas que ouvi do Pe. Léo, lembro a propósito da Palavra de Deus deste domingo, duas: “Sempre tive muita pena dos pobres. Depois que fiquei doente e percebi que não era de nada, passei a ter pena dos ricos. Os pobres, quando chamados à eternidade, não terão praticamente nada a deixar para trás. Mas coitados dos ricos, que acumulam coisas desnecessárias. Quando esses forem chamados a deixarem este mundo, terão de deixar tudo que acumularam para trás. De quantos projetos precisei abrir mão, desde que soube que tenho pouco tempo de vida. É doloroso demais...” “O cristão autêntico é como um bambu: vem ventos fortes que o levam ao chão e ele se reergue... vem as chuvas fortes, e ele se refresca, porque não teme as tempestades... vem os relâmpagos e ele os absorve e enterra... o bambu, como o cristão, por mais que seja surrado, nunca desiste de crescer para o alto!” Não desanimemos jamais. Olhemos para o alto e façamos dele nosso destino, nosso Fim Último, porque lá está a esperança de nosso futuro e de nossa felicidade verdadeira! Sejam todos muito abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço sempre fiel e amigo, Padre Gilberto Kasper (Ler Sb 2,12.17-20; Sl 53(54); Tg 3,16-4,3 e Mc 9,30-37)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A CIVILIZAÇÃO DAS ALGEMAS PELO CRIME!

Pe. Gilberto Kasper pe.kasper@gmail.com Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. Vivemos as consequências de promessas não cumpridas, como a tão desejada Reforma Política, Judiciária e outras. Tais Reformas não interessam porque garantem o status dos Políticos que elegemos, e que à custa dos Impostos mais elevados do mundo, vivem em “berço esplêndido”, enquanto a maioria do Povo Brasileiro é alimentado com migalhas que indignam qualquer cidadão pensante: Bolsa Família, Bolsa Escola, Cotas Sociais e Acadêmicas, que tanto envergonham nosso País. Migalhas jogam-se aos animais, e nosso Povo é Gente; necessita de oportunidades e não de migalhas. Gostaríamos tanto de poder escrever que o Povo Brasileiro, como prometeu o ex-presidente da República há doze anos, realmente toma café da manhã, almoça e janta diariamente! Mas como escrever tal ilusão, ao lado de tamanha vergonha, causada por um mensalão, onde parece não haver culpados? Estamos próximos das eleições. Não devemos utilizar-nos de um evento isolado para formar nossa opinião sobre quem merecerá nosso voto para assumir a Prefeitura e uma das vinte e duas cadeiras da Câmara Municipal. Mas o aumento da criminalidade em Ribeirão Preto e Região, a Ineficácia da Segurança Pública e o aparente descaso com os mais simples e despreparados cidadãos de nossa Metrópole produzem A Civilização das Algemas pelo Crime! Estamos algemados, sim, pelos Criminosos, que simplesmente tomaram as algemas de quem deveria garantir-nos a mínima segurança para ir e vir, sem medo de ser assaltados, quando não banalmente assassinados. O que desejamos mesmo, é que todos estejam atentos, nos preparemos para votar com inteligência, sem deixar-nos enganar com promessas falsas e mentirosas. Cada um tire suas próprias conclusões. Graças ao eco de tantas pessoas empenhadas e zelosas por maior dignidade, principalmente pela Imprensa de nossa cidade, sempre solícita e respeitada, conseguimos que a Polícia Civil, Técnica e a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) apressassem as investigações alusivas aos arrombamentos da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres. Recebemos dia 21 de agosto inúmeras ligações, inclusive do Dr. Antônio Ferreira Pinto, Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, colocando-se à disposição do que for necessário. Necessário e urgente é que cada um cumpra com sua tarefa. Hoje ecoe nossa voz por maior preservação da Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas, tombada ao lado de nosso Templo, enquanto abandonada e vulnerável a invasões e acesso perigoso do Espaço Cultural de Espiritualidade por quem tanto solicitamos as melhorias básicas para acolhermos as pessoas a ele ligadas, efetiva e afetivamente! Não se deixe depredar o que ainda resta daquele pedacinho de história. Não há quem passe pelo Patrimônio Tombado, que não fique indignado com seu estado de depredação. Haja o mínimo de respeito com o que é público.

POR QUE MEDO DA MORTE?

Pe. Gilberto Kasper pe.kasper@gmail.com Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista. Se há alguns poucos anos falar de sexo abertamente era tabu, hoje é tabu falar em "morte". Por que medo da morte? A grande certeza que vivemos, é que um dia morreremos, no entanto "morremos de medo de morrer...". Cada vez que a morte passa por perto, ou me encontro diante dela através do exercício de meu ministério, encomendando alguma pessoa falecida, meu questionamento é em relação à vida que levo! A morte é uma excelente oportunidade de melhorar minha qualidade de vida. Geralmente deixamos para depois, as mudanças que talvez teriam de ser revistas logo. É bom não sabermos o dia e a hora de nossa morte, mas quando vier, e nosso nome ecoar na eternidade, não terá outro jeito, a não ser morrer! Há quem chama a morte de segundo parto. O primeiro acontece quando deixamos o útero materno, que geralmente é aconchegante e delicioso. Talvez por isso a criança, ao nascer chora. O segundo parto, é deixar o "útero da terra". Por mais difícil que seja viver, ninguém quer partir. A morte dói, nos faz chorar e traz vazio com sabor de saudade inexplicável. Nossa vida poderia ser comparada a uma viagem de ônibus. Quem ainda não andou de ônibus? Quando nascemos, entramos num ônibus, que é a vida terrena. A única certeza que temos é que há um lugar reservado para nós. Uma poltrona. Não sabemos quem serão nossos companheiros de viagem. Apenas sabemos que a poltrona reservada para nós deverá ser ocupada. Às vezes, ocupamos a poltrona do outro, e isso nos traz constrangimentos. Já assisti muitos "barracos" em ônibus cuja mesma poltrona estava reservada para duas pessoas. Não sabemos quem serão nossos pais, irmãos, amigos, parentes, enfim... Nossa única missão é tornar a viagem a mais agradável possível. Às vezes há pessoas que tornam a viagem insuportável; outras vezes a viagem é agradável! Há também o bagageiro. Nossas coisas não podem ocupar o lugar dos outros, mas devem caber em nosso próprio bagageiro do ônibus, a vida! O ônibus, de vez enquando pára na rodoviária. Se a viagem de ônibus é a vida terrena, a rodoviária é a morte. Ninguém gosta da rodoviária: há cheiro de banheiros, de óleo diesel, barulho de ônibus chegando e saindo, ninguém se conhece, muita gente se esbarrando ou até se derrubando. Há sempre uma incerteza, um friozinho na rodoviária que arrepia nossa espinha, que é a morte. Ninguém gosta da rodoviária: todos passam por ela porque precisam, mas não porque gostam. Haverá um momento em que nosso nome será chamado no alto-falante da rodoviária. Então precisaremos descer do ônibus da vida. Se tivermos enviado algum bilhete, uma carta, feito um telefonema ou até mesmo enviado um email para a eternidade, avisando nossa chegada, não precisaremos ter medo, porque Deus estará esperando por nós. O bilhete, a carta, o telefonema, o email são nossa maneira de viver a fé, a esperança e a caridade através de nossa relação conosco, com Deus e com os outros! Assim Deus estará esperando-nos na rodoviária da morte. Seremos identificados e acolhidos por Ele, de acordo com o que fomos e nunca com o que tivemos. Se Deus não tiver tempo, pedirá ao Seu Filho Jesus para buscar-nos e conduzir-nos à morada eterna. Se de tudo Jesus também não tiver tempo, Nossa Senhora nunca nos deixará perdidos ou esperando na rodoviária da morte. Ela estará lá, de braços abertos, para receber-nos e levar-nos à presença de Deus, colocando-nos em Seu Eterno Colo de Amor. É o que rezamos sempre: "...rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém!"

sábado, 15 de setembro de 2012

HOMILIA PARA O 24º DOMINGO DO TEMPO COMUM DE 2012

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! “O Mês da Bíblia que estamos trilhando, instituído em 1971, tem como meta instruir os fiéis sobre a Palavra de Deus e difundir o conhecimento das Sagradas Escrituras. Já dizia São Jerônimo que ignorar as Escrituras é ignorar o próprio Cristo. A implantação desse mês temático colaborou na aproximação do Povo de Deus com a Bíblia. Cresce a consciência e o esforço para a necessária animação bíblica de toda a pastoral. Propondo o estudo e a reflexão do Evangelho de Marcos para este mês, a Igreja deseja reforçar a formação e a espiritualidade de seus agentes e fiéis, no seguimento de Jesus Cristo. Na caminhada litúrgica que fazemos, nos reunimos para celebrar o Vigésimo Quarto Domingo do Tempo Comum, em que os discípulos de Jesus são interrogados pelo Mestre sobre quem dizem que ele é. Pedro responde categoricamente: ‘Tu és o Messias!’. A partir do contato que estamos tendo com o Evangelho de Marcos, o que podemos afirmar da identidade de Jesus? Certamente já temos respostas muito oportunas. [...] Em clima de Campanha Eleitoral, preparando-nos para exercer nossa cidadania nas Urnas Eletrônicas no próximo dia 7 de Outubro, seria oportuno trazer à nossa realidade o evento dialogal de Jesus com seus discípulos. Não queremos subestimar a pessoa do Senhor e muito menos idolatrar nossos Candidatos às Prefeituras e Câmaras de Vereadores. Mas pensem comigo, se a situação não se parece? Seguramente os Candidatos, a cada momento, diariamente, buscam saber de seus assessores, como estão as pesquisas oficiais e oficiosas. Imagino que a pergunta dos Candidatos aos assessores deva ser muito parecida com a de Jesus aos discípulos: ‘O que dizem os Eleitores a meu respeito? Vocês acham que temos chance de ganhar estas eleições? Quem pensam os Eleitores que eu sou?’ A resposta dos discípulos é muito precisa quanto ao que pensa o povo sobre a identidade de Jesus: totalmente equivocada! Ainda o povo não conhece bem a Jesus. A impressão que o evangelista passa, que isso para Jesus não é o que mais interessa. O interessante mesmo para Jesus, é a opinião, a noção, o conhecimento dos mais próximos; daqueles escolhidos a dedo, em que Ele colocou toda sua confiança e a quem prepara para se tornarem um seguimento Seu: discípulos e missionários, outros cristos num mundo ingrato, violento, vazio de valores e oco de Deus! É onde entra a profissão de Pedro, que deverá ser sempre a de qualquer cristão autêntico, sem medo de perder sua vida, sua posição social, seu emprego, sua honra, seu prestígio por nada: ‘Tu és o Messias!’. Resposta que implica uma compreensão clara da cruz, do calvário, da zombaria, dos açoites daqueles que pretendem comprar nossa consciência (nosso voto a qualquer preço). Só reconhece Jesus como o próprio Deus conosco quem faz a experiência de ser livre para amar, falar sempre a verdade, ser coerente, transparente, não decepciona, vive a justiça, promove o bom senso e a verdadeira paz. [...] No dia 14 de Setembro, celebramos a Festa da Exaltação da Santa Cruz e a Festa de Nossa Senhora das Dores. Dor, sofrimento são coisas que os homens e mulheres de nosso tempo procuram, de muitos modos, diminuir, abreviar e até eliminar. O que dizer então do luto? Abreviam-se, em geral, cada vez mais o tempo dos velórios, misturam-se elementos diversos para tornar esses momentos o menos traumático possível. [...] Por que temos tanto medo da morte, quando é uma das raras certezas que temos? Não seria melhor olhar a morte com mais humanidade, melhorando, cada vez, que ela passa por perto e leva de nosso convívio alguém que amamos nossa qualidade de vida? Cada vez que me encontro num velório, imagino-me confinado naquele pedacinho de madeira... E se fosse eu? O que seria de mim? Por que corremos tanto atrás de bens materiais, prestígio, poder, cargos, funções, quando todos, sem escapar ninguém, um dia teremos de responder à eternidade, quando de lá ecoar nosso nome? Não consigo compreender, como nossas pretensões, ganâncias, egoísmos, mesquinharias e desamores possam conduzir nossas relações, se um dia tudo acabará na eternidade, diante de Deus, d’Aquele que Pedro chama de Messias? Nem por último: não levamos nada conosco. Estaremos despidos de qualquer posse, mas vestidos de valores que procuramos cultivar como: humildade, mansidão, ternura e tantas outras belezas humanas! Por isso, ter medo da morte é desconhecer Jesus, estar equivocado quanto à sua identidade. É fé imatura, esclerosada, ressequida, murcha, inútil, já que nossa verdadeira fé se debruça sobre a esperança de que morrendo, veremos Deus como Deus é. E isso basta! [...] O salmo 114(115) expressa a confiança em Deus que é amor-compaixão. O senhor liberta a vida da morte, enxuga dos olhos os prantos e os pés do tropeço. Qual o limite de nossa confiança em Deus? Além das palavras do salmista, a liturgia deste domingo nos apresenta as palavras do ‘servo de Javé’ e o primeiro anúncio da Paixão feito por Jesus. O evangelho deste domingo constitui a parte central do Evangelho de Marcos. Jesus, no caminho, interroga os discípulos para saber o que o povo e eles mesmos conseguiram entender a seu respeito. Depois de ouvir aquilo que é opinião do povo, dirige-se diretamente a eles. Pouco antes, Jesus os repreendera porque estavam como que cegos, ‘têm olhos, mas não veem’ (Mc 8,18), e seus corações endurecidos não lhes permitem entender sua verdadeira identidade. Pedro é muito exato em sua resposta: ‘Tu és o Messias’. A imposição do silêncio por parte de Jesus se deve, certamente, à ideia distorcida que Pedro e os demais discípulos têm a seu respeito, o que se comprova mais adiante na outra reação de Pedro. Jesus, anunciando sua Paixão, o modo como o Pai realizará nele sua obra salvífica, deseja eliminar todo mal-entendido. Vejamos se também nós, ao basearmos o crescimento do Reino de Deus em fama, triunfo, aplausos alcançados, templos cheios, não estamos seguindo os critérios dos homens... Quais seriam as palavras de Jesus para nós, seus discípulos hoje? Hoje, torna-se cada vez mais pesada a cruz do testemunho autêntico de fé e do seguimento. Em muitos ambientes sociais, é pesada a cruz da identidade da fé católica; a cruz dos conflitos familiares; a cruz das intrigas entre lideranças (também entre candidatos políticos que ao invés de apresentarem suas propostas e capacidades, gastam seu tempo atirando pedras no telhado dos outros, mesmo tendo cada um seu telhado de vidro, de alguma maneira); a cruz da incerteza e da carência de dignas condições de vida; a cruz da fome, do desemprego, da falta de saúde, da exclusão, das promessas não cumpridas... Finalmente, somos convidados a colocar-nos no lugar de Jesus sempre: calçar suas sandálias, pensar seus pensamentos, falar suas palavras, agir seu imensurável amor por todos, indistintamente! Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo, Padre Gilberto Kasper (Ler Is 50,5-9; Sl 114(115); Tg 2,14-18 e Mc 8,27-35)

15 de Setembro - Nossa Senhora das Dores

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. "Sinal da especial proteção da Virgem"

No ano de 1717, Nossa Senhora marcou um encontro singular com o povo brasileiro. As origens do Santuário estão ligadas à descoberta de uma pequenina imagem (36cm) de Nossa Senhora da Conceição, de cor escura e rosto sorridente, por parte de três pescadores, Felipe Pedroso, João Alves e Domingos Garcia. Eles pescavam no rio Paraíba, pelas imediações da cidade de Guaratinguetá, Estado de São Paulo, no Brasil. Na rede lançada às águas, inicialmente, eles viram emergir das águas, o corpo da estatueta; logo a seguir, na mesma rede, em local de maior profundidade, a alguns metros dali, recolheram a cabeça da imagem. Em seguida, lançando a rede, ainda uma vez, foram presenteados com pesca abundante. Os pescadores reconheceram, no acontecimento, um sinal da proteção especial da Virgem. Respeitosamente, passaram a homenagear aquela representação da Mãe de Deus, com o epíteto de "Nossa Senhora Aparecida", porque aparecera na rede com a qual pescavam. Os primeiros milagres começaram a acontecer, logo após a descoberta da imagem, quando o povo se reunia para rezar o Rosário e as ladainhas. As pessoas que invocavam a Virgem Maria recebiam muitas graças. Assim nasceram as peregrinações. O Santuário de Nossa Senhora Aparecida, entre os Santuários Marianos no mundo, é o segundo mais freqüentado. Monsenhor Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo de Aparecida, Entrevista Ave Maria, 2005

sábado, 8 de setembro de 2012

HOMILIA PARA O 23º DOMINGO DO TEMPO COMUM DE 2012

SETEMBRO – MÊS DA BÍBLIA Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! “Estamos no 23º Domingo do Tempo Comum. Com o intuito de uma interação sempre maior entre a Palavra e a Eucaristia, as duas mesas que constituem um só ato de culto, é que propomos a reflexão da liturgia deste final de semana. Neste Ano B, em que acompanhamos o Evangelho de Marcos, a Palavra nos propõe um encontro com aquele que anunciou e mostrou presente o Reino de Deus, por suas ações e ensinamentos: Jesus de Nazaré, que passou fazendo o bem. [...] O refrão: ‘Ide pelo mundo, e proclamai a Boa Nova a toda criatura!’, que sintetiza a tarefa principal do missionário e discípulo descrito em Marcos, acompanhado do Salmo 145(146), foi o escolhido para a Celebração de minha Ordenação Presbiteral há quase 23 anos. Canta-lo neste domingo, remete minha profunda saudade àquela manhã, em que fui ordenado Presbítero para sempre. Tenho procurado viver com fidelidade, não obstante meus incontáveis limites, a missionariedade e o discipulado, sob meu lema sacerdotal: ‘Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia (Mt 5,7).’ [...] Sabendo que a liturgia ‘não esgota toda a ação da Igreja’ (SC, n.9), mas é seu cume e fonte (SC, n.10), importa também, que, especialmente neste Mês da Bíblia, nos empenhemos, pessoal e comunitariamente, para um encontro com Cristo na Palavra. Como nos dizem os bispos reunidos em Aparecida: ‘A Palavra de Deus não são meras palavras. A Palavra é uma pessoa que fala e fala a outra pessoa. E, por ser pessoa, busca estabelecer uma relação...’ (Discípulos e Servidores da Palavra de Deus na Missão da Igreja, Documentos da CNBB, n.97, introdução). A atividade de Jesus em território pagão realça a universalidade da sua missão. Marcos assim destaca que Jesus veio para comunicar a vida a todas as pessoas, abolindo a distinção entre povos impuros e povo puro. O gesto da imposição das mãos, solicitado pelos que trouxeram o homem surdo, era um gesto familiar a Cristo e de uso tradicional para a transmissão de poder e autoridade, para a transmissão de bênçãos. Os que trouxeram o enfermo pensavam, pois, que esse gesto fosse essencial para a cura. Jesus, apartando-se da multidão com o surdo-mudo, queria muito provavelmente evitar qualquer mal-entendido de cunho messiânico. Jesus colocou os dedos em seus ouvidos, como que indicando que ia abri-los, e, cuspindo, com a saliva tocou a língua dele. Vale lembrar que, na antiguidade, a saliva era considerada remédio medicinal. Os gestos e os toques de Jesus vão despertando, excitando a fé daquele homem, preparando-o para o que vai realizar (ver Is 50,4-5). Antes da palavra de ordem para a cura, Jesus, olhando para o céu suspirou, assim indicando que a cura que haveria de seguir era obra do Pai, a fonte de todo o bem. Depois de sua oração silenciosa, ordenou a cura: abre-te (efatá)! ‘Imediatamente seus ouvidos se abriram e sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade’. Uma vez que Marcos não se refere nem à possessão, nem a algum espírito, como faz em tantos outros casos, é bem provável que se tratasse de um defeito natural. Cristo, consciente de que realizava o plano do Pai e não buscava ‘atrair os holofotes’ sobre si mesmo, além de afastar-se da multidão para realizar a cura, recomenda insistentemente que não o digam a ninguém. Marcos evoca Isaías, lembrando que Jesus havia feito os surdos ouvirem e os mudos falarem. Foi Jesus mesmo que, interrogado pelos mensageiros do Batista se ele era o Messias, deu exatamente essa resposta (cf. Mt 11,1-6; Lc 7,18-23). Quando os israelitas exilados encontravam-se desanimados e abatidos, o profeta oferece-lhes um oráculo de esperanças e de reconforto: ‘Coragem! Não temais! O vosso Deus vem para vos salvar!” (v.4). Segundo o profeta, Deus está para entrar em ação em favor deles. Com Jesus tem início o cumprimento dessas promessas messiânicas. Num tempo em que a falta de sentido, a desesperança, a depressão campeiam inexoravelmente, cada cristão em particular, nossas comunidades em uníssono devem oferecer uma mensagem de alento, colocando-se ao lado dos perseguidos e marginalizados; testemunhando ao mundo que Deus, nosso Pai, cuida de todos como seus filhos e filhas. As injustiças e desigualdades que verificamos constantemente em nossa sociedade, as quais, muitas vezes, são banalizadas, jamais poderão ser aceitáveis no seio das comunidades cristãs (2ª leitura). Os preconceitos discriminatórios, praticados dentro das comunidades cristãs, constituem pecados graves que precisam ser extirpados, uma vez que estas foram constituídas justamente para serem um sinal de esperança para os empobrecidos e marginalizados. Redimidos e adotados como filhos e filhas, esperamos pela fé em Jesus Cristo, de nosso bondoso Pai, a verdadeira liberdade e a herança eterna. Jesus Cristo em sua atividade provoca a admiração das pessoas, porque faz bem todas as coisas. Alimentados e fortalecidos pela Palavra e pelo Pão, dons de Jesus Cristo, esperamos viver com ele para sempre. Esperamos ainda que a nossa participação na Eucaristia reforce entre nós os laços da amizade. Vejamos o que mais, em nossa comunidade, podemos fomentar em termos de estudo e celebração em torno da Palavra de Deus” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB n. 23, pp. 15-20). Não basta celebrarmos uma liturgia bem preparada. Não basta contarmos com uma multidão de fiéis em nossas celebrações, que saem das mesmas tão vazias como nelas entraram. Há até mesmo quem se satisfaz em ver seu Templo lotado de fiéis em busca de gestos espetaculosos, como curas emocionais, geralmente equivocadas, quando não enganosas. A surdes e a mudes continuarão reinando em nosso mundo tão oco de Deus. É necessário e urgente, anunciar o espetacular, e este se chama ninguém, a não ser Jesus Cristo, Deus de Amor no meio de nós! O grande e único milagre do “efatá” já aconteceu a todo aquele que se digna chamar-se cristão: é aberto ao anúncio do Reino de Deus, que é um Reino de Amor, Verdade, Justiça, Liberdade e de Paz! Só quem acolhe Jesus na pessoa do outro, mesmo surdo, mudo, cego, coxo, pobre e marginalizado, porque diferente das convenções de uma sociedade consumista e hipócrita e de comunidades que se desfiguram do verdadeiro cristianismo, compreende sua missão e seu discipulado nos dias atuais! Sejam todos sempre muito abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel, Padre Gilberto Kasper (Ler Is 35,4-7; Sl 145(146); Tg 2,1-5 e Mc 7,31-37)

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Santo,você ainda pode ser um.

De acordo com a doutrina católica, é a pessoa que, tendo seguido os mandamentos de Cristo e ajudado a promover o bem, ao morrer está salva e junto de Deus, no céu. Pela fé cristã, mesmo quem tenha feito o mal a vida inteira pode tornar-se santo se, no último momento que antecede a morte, reconhecer seus erros e, sinceramente, pedir perdão a Deus. A Igreja, portanto, não faz santos. A ela cabe apenas reconhecer a santidade de alguém que, com a ajuda divina, a tenha conquistado pelos próprios méritos. Como nem mesmo o papa consegue saber o que se passa depois da morte, durante séculos a Igreja desenvolveu um complicado processo para comprovar se uma pessoa, ao morrer, já está salva. Ou seja, se virou santa. Existem duas formas pelas quais a Igreja tenta descobrir se alguém é santo ou não. A primeira é pelo exame exaustivo da biografia do candidato, para assegurar-se de que ele realmente levou uma vida correta, ajudando a melhorar o mundo a sua volta. O outro sinal, considerado infalível, é o milagre - um evento extraordinário, inexplicável à luz da ciência ou de qualquer razão humana, e que, teoricamente, só é possível mediante a ação divina. Ocorre que, da mesma forma que a Igreja não faz santos, o santo também não faz milagre. Ele é apenas um intermediário entre um ser vivo, que solicita o milagre, e Deus, que o concede. Por isso, o milagre é considerado uma prova de santidade pelos católicos. Quando acontece, significa que o santo a quem foram dirigidas as orações está perto o suficiente de Deus para interceder em favor de alguém e ser atendido. O milagre é, portanto, um sinal do mundo dos mortos para o mundo dos vivos. Durante séculos, esses dois parâmetros - a biografia ilibada do candidato a santo e os milagres obtidos mediante sua suposta intercessão - foram considerados os requisitos essenciais para o processo de santidade. Na primeira etapa, a da beatificação, era necessário que, além de comprovar que o candidato teve uma vida correta, fosse constatada a realização de pelo menos um milagre. Na etapa seguinte, a da canonização, exigia-se um segundo. Para não haver riscos de engano, os candidatos sempre passaram por um escrutínio rigoroso. Nisso também há mudanças. Pelas regras do Vaticano, qualquer católico pode propor o início de um processo de beatificação, mas, até João Paulo II, cabia ao proponente provar que o candidato era santo, enquanto o tribunal da Igreja se esforçava para demonstrar o oposto. Daí surgiu a figura do "advogado do diabo", um promotor cuja função era demonstrar, por todos os meios, que o aspirante asanto tinha culpa em cartório. Por esse sistema, era considerado culpado (de não-santidade) até prova em contrário. Além disso, toda a investigação sobre a biografia do candidato e seus supostos atos milagrosos centralizava-se em Roma. João Paulo II mudou esse processo em 1983. Agora, a candidatura não precisa mais ser encaminhada diretamente a Roma, como se fazia anteriormente. As dioceses locais ganharam autonomia para iniciar o processo e até mesmo fazer toda a investigação inicial sobre a vida do candidato a santo. Dessa forma, quando chega ao Vaticano, o processo está em uma fase bem adiantada e com o importante aval de uma parte da hierarquia católica (os bispos locais), que antes não era levada muito em conta. O papa descentralizou o trabalho de garimpar santos ao redor do mundo. Ao todo, são mais de 5.000 bispos com autonomia para cuidar das fases iniciais do processo. Em Roma as coisas também mudaram. O procurador da Congregação da Causa dos Santos, nome oficial do antigo advogado do diabo, deixou de existir. Agora, a investigação cabe a um "colégio de relatores", que se encarrega de checar os dados biográficos do candidato enviados pelas dioceses locais. "A canonização deixou de ser um processo semelhante a um inquérito criminal para se parecer mais com uma tese de pós-doutorado", diz George Wiegel, um dos biógrafos de João Paulo II. Outra mudança: hoje, para que alguém seja beatificado, nem mesmo a comprovação de um milagre é necessária. Um exemplo disso é o padre José de Anchieta, o primeiro candidato a santo do Brasil, beatificado sem que nenhum milagre por sua intercessão tenha sido registrado oficialmente. O milagre só continua a ser fundamental na etapa seguinte, a da canonização. A figura mítica dos santos não é uma criação exclusiva do catolicismo romano. Nas sociedades antigas era comum celebrar a memória de um morto poderoso dando-lhe status de divindade. A palavra apoteose vem do grego apothéosis, que significava a elevação de um ser humano à categoria dos deuses. Curiosamente, muitos dos primeiros cristãos foram martirizados e se tornaram santos justamente porque se recusaram a cultuar os imperadores como deuses. Hoje outras religiões possuem figuras parecidas com as dos santos católicos. A Igreja Ortodoxa russa elevou ao altar o czar Nicolau II, assassinado pelos bolcheviques em 1917 durante a revolução comunista. Uma estátua do imperador foi instalada no centro de Moscou e recebe a visita de procissões de fiéis. A Igreja Luterana Evangelista de Nova York canonizou o pastor Martin Luther King, assassinado a tiros em 1968. O budismo também cultua divindades com funções parecidas com as dos santos católicos. Uma delas é Kannon, também representada nas imagens por uma mulher angelical segurando um filho nos braços. Entre 1600 e 1800, quando o cristianismo foi proibido no Japão, os fiéis passaram a venerar nos altares a santa oriental. Do ponto de vista católico, os santos não existem apenas para intermediar milagres. Servem também de exemplo para os que estão vivos. Ao canonizar alguém, é como se a Igreja dissesse: "Veja o que essa pessoa fez de bom e tente imitá-la. Assim você também poderá salvar a sua alma". No começo do cristianismo, só os mártires, os que morriam pela fé, eram santos. O relato mais antigo chama-se "O Martírio de São Policarpo", do ano 167, e conta a morte do bispo da cidade de Esmirna, na atual região da Turquia. Todos os 54 primeiros papas morreram assim e foram imediatamente promovidos à condição de santos. Só no final do século IV surgiram as outras formas de santidade. Durante os primeiros 1 000 anos da Igreja, não havia processo algum de beatificação ou canonização. Os santos eram escolhidos por aclamação popular. Cabia aos bispos apenas referendar a vontade do povo. São dessa época os santos legendários, cuja história real se mistura com a lenda, reproduzida de boca em boca durante a Idade Média. Uma dessas figuras é Santa Úrsula. Segundo relato medieval, era filha de um rei católico da Inglaterra e foi pedida em casamento por um príncipe pagão. Disposta a manter sua virgindade, ela conseguiu adiar o casamento por três anos. Como fez isso? Passou os três anos em alto mar, navegando junto às costas da Grã-Bretanha. Antes de partir, providenciou a companhia de onze filhas de nobres, todas virgens, e cada qual levou junto mais 1 000 virgens. No total, 11 000 virgens, distribuídas em onze navios. Ao final dos três anos, um forte vento levou as virgens e seus navios para longe da Inglaterra. Aportaram na Alemanha e, dali, seguiram a pé, em peregrinação, até Roma. Depois voltaram à cidade alemã de Colônia, onde foram todas martirizadas pelos hunos por se recusarem a abrir mão de sua virgindade e a renegar a fé em Cristo. Atualmente, Úrsula e as 11 000 virgens estão na galeria dos santos de existência duvidosa, não comprovada. Fazer santos hoje envolve uma laboriosa rede no mundo católico. Grandes congregações religiosas, como a dos beneditinos, chegam a manter profissionais de plantão no Vaticano para zelar pelo bom andamento de seus processos de canonização. Até pouco tempo atrás, a defesa de uma causa consumia mais de 70 000 reais, em razão dos custos com pesquisas de documentos e as constantes viagens à Roma. Agora é possível aprovar um santo com metade desse dinheiro. Isso abriu as portas para candidatos de países e congregações mais pobres. "A simplificação do processo mudou o perfil dos eleitos", afirma o frei italiano Sergio Mariano Foralosso, autor de uma tese de mestrado sobre a distribuição geográfica das causas dos santos. Em seu trabalho, Foralosso analisou centenas de processos do Vaticano entre 1895 e 1975. Até o final do século XIX, metade dos santos eram italianos e apenas 13% deles não tinham origem européia. Vinte anos atrás, o quadro já era bastante diferente. A porcentagem de santos não-europeus já havia dobrado. "As reformas recentes e a disposição do papa João Paulo II acentuaram ainda mais essa tendência", afirma Foralosso. OBSERVAÇÕES Em 2 000 anos de história da Igreja, João Paulo II é o que mais fez santos. Ao todo, já canonizou 447. Todos os outros 263 papas, somados, fizeram 302 canonizações. De uma leva só, no começo de outubro de 2000, o Papa canonizou 120 cristãos martirizados na China entre 1648 e 1930. Além disso, promoveu outras 1 052 pessoas à condição de beatas, o penúltimo estágio antes da santidade. Na igreja, sob o comando de João Paulo II, o próprio conceito de santidade mudou. Antigamente, santos eram figuras míticas da fé cristã, pessoas de conduta e virtudes ímpares, capazes de se submeter às mais terríveis provações em nome da religião que professavam. Depois de mortas e já candidatas à santidade, eram responsáveis por milagres e feitos extraordinários. Com essas exigências, ser santo era uma meta quase inatingível para seres humanos normais, repletos de defeitos e fraquezas e expostos às tentações e ao pecado. Os santos de João Paulo II, ao contrário, são pessoas comuns, sem nenhuma outra característica marcante que não seja ter levado uma vida honesta, fazendo o bem, rezando e seguindo os ensinamentos de Cristo. Nessa galeria de santos gente-como-a-gente há um jovem estudante, alpinista e jogador de futebol, uma pediatra mãe de família, uma empregada doméstica e um mordomo negro haitiano cuja biografia registra como feito mais notável ir à missa em Nova York todos os domingos e se dar bem com a vizinhança. "Esse papa tem uma visão generosa do ser humano", diz o professor e psicólogo Ivan Rojas, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. "Ele acredita que qualquer pessoa pode ser santa, ainda que sem realizar nenhum feito extraordinário. A santidade não está mais confinada aos mosteiros e às sacristias. É uma vocação natural dos cristãos." Tome-se o caso do estudante italiano Pier Giorgio Frassati. Filho do fundador e diretor do jornal La Stampa, de Turim, Pier foi um jovem absolutamente normal. Gostava de esportes e excursões e estudou engenharia de minas. Morreu aos 24 anos, de poliomielite, e foi beatificado em 1990. Um dos motivos de sua beatificação, citados pelo Vaticano, é que, nas horas vagas, Pier visitava os pobres e ajudava as pessoas necessitadas. Também organizou a Federação dos Universitários Católicos italianos. São razões nobres e merecedoras de admiração por parte da Igreja, mas no passado dificilmente alguém tão jovem e com um currículo tão modesto de boas ações seria promovido a santo. Para facilitar o acesso das pessoas comuns ao status da santidade, o Papa simplificou o processo de beatificações e canonizações. Do ponto de vista do processo canônico, hoje é muito mais fácil virar santo do que vinte anos atrás. Katharine Drexel, milionária americana que usou sua herança de 20 milhões de dólares para fundar uma ordem missionária, foi canonizada no começo de outubro, apenas 45 anos depois de sua morte. Antigamente, para que alguém virasse santo era preciso que o processo se arrastasse na burocracia do Vaticano durante dois ou três séculos, em média. O atual papa reduziu de cinqüenta para cinco anos a exigência de tempo mínimo entre a morte do candidato e o início de seu processo de santificação. Fonte: Revista Veja, edição de 20/12/2000, título: Santo - Você ainda pode ser um"

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Muitas almas irão para o inferno por não haver quem se sacrifique e reze por elas

Naquele domingo ensolarado de 19 de agosto de 1917, Lúcia, Francisco e seu irmão João foram pastorear. No caminho para Valinhos, Lúcia sentiu que algo de sobrenatural estava para acontecer. Achando que Nossa Senhora iria aparecer, João, rapidamente, chamou a irmãzinha, Jacinta. Efetivamente, Maria surgiu envolta por um reflexo de luz, mas aguardou a chegada da pequena Jacinta, antes de se mostrar, entre as folhas da azinheira. A Senhora lhes disse, então: "Quero que continueis a vir à Cova da Iria, a cada dia 13, e que continueis a rezar o terço todos os dias. No último mês, farei o milagre, para que todos creiam. Se vocês não tivessem sido presos na cidade, o milagre teria sido mais divulgado. São José virá com o Menino Jesus para levar a paz ao mundo. Nosso Senhor vira abençoar o povo. Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora das Dores também estarão aqui." Lúcia perguntou, então: - O que é que Vossemecê quer que se faça com o dinheiro que o povo deixa na Cova da Iria? - Desejo que façam dois andores: um, leva-o tu com a Jacinta e mais duas meninas, as três vestidas de branco; o outro, que o leve Francisco com mais três meninos. O dinheiro dos andores é para a festa de Nossa Senhora do Rosário e o que sobrar é para a construção de uma capela que deverá ser construída. Lúcia pediu: - Eu gostaria de vos pedir a cura de alguns enfermos. E Maria a atendeu: - Sim, alguns eu irei curar, neste mesmo ano. - E, tomando um aspecto mais triste, Nossa Senhora acrescentou: - Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores, pois muitas almas vão para o inferno por não haver quem se sacrifique e reze por elas." Os Pastorinhos de Fátima eram tão convincentes no que se referia aos pedidos de Nossa Senhora que, logo no ano seguinte, em julho de 1918, a festa de Nossa Senhora do Rosário foi realizada e, em agosto do mesmo ano, a primeira capela começou a ser construída, conforme pedira a Santa Mãe de Deus. (Memórias da Irmã Lúcia)

Nenhum pecado para Maria

"Nem se deve tocar na palavra 'pecado' em se tratando de Maria; e isto em respeito Àquele de quem mereceu ser a Mãe, que a preservou de todo pecado por sua graça" (Santo Agostinho, Sermão 215,3. 325 DC). Sabemos que a Santa Virgem Maria recebeu a graça maior para vencer por todos os flancos o pecado, porque mereceu ela conceber e dar à luz a quem não teve pecado algum. (Santo Agostinho, De Natura et Gratia 36,42. 325 DC) Santo Agostinho

sábado, 1 de setembro de 2012

HOMILIA PARA 0 22º DOMINGO DO TEMPO COMUM DE 2012

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé! “Neste primeiro domingo do mês de setembro, com toda a Igreja no Brasil, queremos destacar e valorizar ainda mais a Bíblia, o livro da Palavra de Deus. Para este mês temático, a Igreja no Brasil propõe o aprofundamento do Evangelho de Marcos. Que seja um mês de proveito para todos! Em cada Celebração Eucarística, o Senhor nos convida para participarmos das mesas da Palavra e da Eucaristia, estreitando assim os laços que nos unem a ele e aos irmãos e irmãs. Nossa semana é marcada pelo encontro com Deus e com os irmãos, no Dia do Senhor. ‘O domingo é o dia em que a família de Deus se reúne para escutar a Palavra e repartir o Pão consagrado, recordar a ressurreição do Senhor na esperança de ver o dia sem ocaso, quando a humanidade inteira repousar diante do Pai’ (CNBB, Guia Litúrgico-Pastoral. 2ª Ed. Brasília: Edições CNBB, 2007, p.9). ‘Somos convidados a discernir o que é ensinamento da Palavra de Deus do que é tradição humana. A liturgia que agrada ao Senhor é fazer opção pelo seu projeto, que se realiza na prática da solidariedade. A Palavra de Deus propõe leis e normas que favorecem a vida do povo, e não o apego a detalhes insignificantes. Sejamos praticantes da Palavra de Jesus, não apenas ouvintes. Pois é necessária a preocupação com leis justas que promovam a vida, sem subestimá-la como tanto acontece em nosso tempo. Contemplamos sentenças injustas, com argumentos e silogismos que justificam até mesmo crimes incontestáveis. O que é mais importante: a vontade de Deus ou a tradição humana? Na medida em que o homem cria seu próprio deus, ao invés de reconhecer na Palavra, a loucura do amor de um Deus verdadeiramente apaixonado por sua criatura predileta, a pessoa, alimentamos a ideia de um mundo vazio, sem perspectivas, sentido e esperança! A verdadeira religião é solidariedade com os marginalizados e ruptura com as instituições injustas’ (cf. Liturgia Diária de Setembro de 2012 da Paulus, pp. 19-22). A palavra que ouvimos na celebração deste domingo é uma palavra que liberta e que comunica vida. A escuta e o cumprimento da lei de Deus são apresentados como um caminho de vida e libertação. Jesus corrobora isso, ensinando que é o esquecimento do mandamento de Deus e o apego às tradições dos homens o que perverte o coração humano. Os fariseus e alguns mestres da lei se aproximaram e se reuniram em torno de Jesus, o observando. Também nós, tantas vezes e por tantos motivos, nos reunimos em torno de Jesus. De que modo observamos a prática de nossos semelhantes, discípulos de Jesus Cristo? Acaso nos consideramos fiéis cumpridores de sua palavra? Que direito isso nos dá de julgarmos as atitudes de nossos semelhantes? [...] Além de criarmos nosso próprio deus, com frequência tentamos ser deus sobre a vida dos outros. Isso acontece quando julgamos, condenamos e nem por fim escondemos nossos defeitos atrás dos defeitos e limites de nossos semelhantes. Coisa feia é sentir-se no direito de julgar, de difamar, de excluir, de discriminar ou até mesmo de ser conivente com quem nos garante algum prestígio. Ainda não conseguimos viver o Evangelho que pede correção fraterna, que acredita na mudança das pessoas. Ao contrário: preferimos colar adesivos na testa dos que não nos interessam ou por pura inveja, investimos nossa incapacidade de perdoar, dificultando e destruindo a vida do próximo. Isso é notável nas relações sociais, políticas e também eclesiais. Como viver configurados com Jesus Cristo sem a capacidade de sua misericórdia e capacidade de perdoar o outro, incondicionalmente? Com facilidade espalhamos o erro dos outros, desviando os olhares dos nossos próprios, não poucas vezes bem mais graves e cabeludos. É a mesma coisa que abrir um travesseiro de penas de ganso e espalhá-las ao vento. Nunca mais conseguiremos recolher todas as penas e devolvê-las ao travesseiro. Isso me parece no mínimo diabólico! [...] Longe dos seguidores e seguidoras de Jesus deve estar todo tipo de culto exterior e vazio! Ouvir e praticar é o refrão que se repete, constantemente, na liturgia deste domingo. Israel era um povo admirado pelas demais nações por ter um Deus tão próximo e uma lei tão justa. Nossas comunidades cristãs, por que motivos são admiradas e respeitadas? Realizamos, através das comunidades e de outras organizações, tantas coisas importantes para os indivíduos e para a sociedade, em diversos campos como os da educação, da saúde e da assistência social? As atividades subsidiárias um dia podem não serem mais necessárias, então, o que sobrará para essas organizações? Restará sempre o tesouro mais valioso que é a Palavra de Deus, o Evangelho. A Palavra ouvida se faz presença na ação eucarística! Aquele que é anunciado, proclamado na Palavra, se torna presença na Eucaristia. Com nossos corações inundados pelo amor de nosso bom Deus e de laços estreitados com ele, pela escuta atenta de sua Palavra, nos unimos ainda mais ao participarmos da mesa do Corpo e do Sangue de nosso Senhor. Mergulhamos mais perfeitamente nessa comunhão, quando a Eucaristia, alimento da caridade, nos faz reconhecê-lo e servi-lo em nossos irmãos e irmãs” (cf. Roteiros Homiléticos da CNBB, n. 23, pp. 9-14). Não canso de renovar o esforço por ser coerente entre o que penso, falo (anuncio) e faço. Do contrário torna-se hipocrisia minha missão e discipulado. Saibamos temperar nossas relações com conversão, coerência e bom senso sempre! Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço sempre amigo e fiel, Padre Gilberto Kasper (Ler Dt 4,1-2.6-8; Sl 14(15); Tg 1,17-18.21-22.27 e Mc 7,1-8.14-15.21-23)

NOSSA GRATIDÃO E BÊNÇÃOS NA SANTO ANTONINHO

Muitas foram as manifestações de solidariedade e desejo de colaborar para repor o que foi furtado. Primeiro o Padre Gilberto está providenciando com os responsáveis, maior segurança, principalmente da casa ao lado, para depois readquirirmos o necessário para nossa Santo Antoninho. Foi aberta uma conta poupança na Caixa Econômica Federal para quem desejar contribuir, partilhando de sua pobreza. A Nina está responsável por esta conta e poderão ver com ela Agência 1612 e Conta Popança 13-00075028-1 – Realina Rosa de Rezende – CPF: 744.846.998-34. Sejam todos recompensados por aquilo que puderem contribuir. No dia 22 de agosto foram extraídas as figueiras que nasceram na torre da Igreja. Agradecemos ao Oswaldo Pinto de Carvalho da Ambiental, ao Nato Campos que conseguiu com Carlos Henrique Farias da C.H.F. o caminhão-guincho e a quem doa hoje mil mudas de árvores que o Padre Gilberto distribuirá no próximo dia 14 de Setembro, Festa da Exaltação da Santa Cruz, após à Missa das 19 horas, quando será entronizada a nova cruz da Santo Antoninho, nascida das raízes das Figueiras. O Nato Campos, limpando as Raízes, chegou à cruz que agora será oficial em nossa Igreja. Todos seremos convidados a plantar tantas árvores, quantas possíveis em nossas residências ou praças públicas. Padre Gilberto Kasper

A CRIMINALIDADE AUMENTOU, A POLICIA DESANIMOU

*Pe. Gilberto Kasper A Igreja Santo Antoninho, Pão dos Pobres de Ribeirão Preto sofreu dois arrombamentos nas madrugadas de 16 e 17 de agosto de 2012. Além de profanarem o Templo, o Sacrário que guarda a Eucaristia reservada para os Enfermos e Pessoas Idosas, levaram toda a aparelhagem de som, cálices, ventiladores, tapetes e outros objetos litúrgicos. Nossa Igreja estava bem guardada. O acesso dos ladrões foi pela Academia Ribeirãopretana de Letras Jurídicas, Casa da Amizade, ao lado da Santo Antoninho, tombada pelo CONPPAC, cuja segurança, segundo Dr. José Arnaldo Cione, o Responsável pelo Espólio do Patrimônio, é de responsabilidade do Poder Público. Após invadirem o Patrimônio Tombado e visivelmente abandonado há décadas, foi quebrado um vitral há doze metros do solo, por onde entraram os ladrões, saindo através do alto muro diante da Avenida Saudade, 222. Ninguém viu e nem ouviu nada, como de costume! O portão pelo qual adentraram os ladrões estava simplesmente escorado, sem fechadura travada com chave, nem mesmo cadeado. Um frágil tapume segurava fechado, aparentemente o portão. Tão logo constatada a invasão e o prejuízo, acionamos a Polícia Militar. Atendeu-nos com rapidez e solicitude o Soldado PM Trigo, que registrou um Boletim de Ocorrência no local. Orientou-nos que aguardássemos a Polícia Civil. Perguntado três vezes, se teríamos de procurar a Delegacia da Polícia Civil, respondeu que não: “...aguardem, porque nós mesmos mandaremos a Polícia aqui!” Depois de cinco horas de espera, fomos informados por telefone pela Atendente da Polícia Civil de que fomos mal orientados e que não constava nenhum registro de furto junto à mesma. O Soldado Trigo já nos desanimara, afirmando de que a lei protege os criminosos. Mesmo sendo presos em flagrante, saem da Delegacia antes dos Soldados. Já a Polícia Civil orientou-nos de que teríamos de registrar um segundo Boletim de Ocorrência e então aguardar a Polícia Técnica para a realização da Perícia. Mas a Atendente já nos adiantou, de que só há uma Viatura e dois Peritos à disposição da cidade de Ribeirão Preto e cidades adjacentes. Talvez demorassem a chegar para a necessária perícia. Contatamos o Governo Municipal, que prontamente enviou a Guarda Municipal. Os Guardas Municipais foram muito gentis e nos sugeriram que levássemos os objetos do Templo para nossa residência. Seria o procedimento mais adequado, porque eles não poderiam fazer nada a nosso favor. Tudo depende da Polícia Civil. Passados quatro dias, continuamos aguardando a Polícia Técnica, que além da perícia, teria condições de solicitar as fitas das câmaras instaladas na Lotérica próxima da Igreja e, que talvez tenha filmado a saída dos ladrões. Imaginamos que identificando os mesmos, esses pudessem identificar os receptadores dos objetos furtados. Não alimentamos a esperança de recuperarmos os objetos furtados. Sabemos que tal comportamento é consequência da Cultura da Sobrevivência que se impõe ao Brasileiro, bem como o acelerado aumento do consumo de drogas. Se a Polícia tivesse condições de prender os receptadores dos objetos furtados diariamente em nossa cidade, talvez os furtos diminuíssem. Mas tudo parece muito demorado. Temos a nítida impressão que enquanto a criminalidade aumentou, a Polícia desanimou nos últimos anos. Graças ao eco da Imprensa Escrita, Falada e Televisiva, bem como de muitas pessoas empenhadas pelo bem comum de nossa cidade, a Polícia Civil, Técnica e Delegacia de Investigações Gerais (DIG) esteve em nossa Igrejinha no dia 21 de agosto e já iniciou as devidas investigações. Além de nossa mais profunda gratidão a todos, desejamos que consigam diminuir a cruel criminalidade em nossa amada Ribeirão Preto. *pe.kasper@gmail.com