segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

ACOLHENDO O CONCÍLIO ECUMÊNICO VATICANO II EM MINHA TRAGETÓRIA VOCACIONAL

Em pleno Concílio Vaticano II, recebi pela primeira vez, a Sagrada Eucaristia, exatamente no dia 4 de outubro de 1964, na Igreja Matriz da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, na Vila Santo Afonso, em Novo Hamburgo, Arquidiocese de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Não se falava em outra coisa. Se na minha primeira infância, imitava o Pároco de minha cidade natal, Três Corôas (RS), para brincar de Missa em latim, minha preparação para a Primeira Eucaristia já se deu totalmente com o uso da língua vernácula – português – bem como aquela celebração jamais esquecida em minha vida. Contava na época com apenas sete anos de idade. Sentia-se, entretanto, uma sensação entre susto e medo. Acolher o Concílio Vaticano II foi um desafio, principalmente na aplicação da Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia. Éramos submetidos a uma nova Formação Litúrgica, principalmente como Coroinhas da Paróquia. Misturavam-se entre fiéis as reações de alegria por maior participação nas Celebrações com a desconfiança e certa resistência em deixar de rezar o Rosário ao invés de participar da Santa Missa com as respostas “em português”. Na minha juventude constatavam-se a multiplicidade dos Cursos Bíblicos, a fim de assimilar a CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA DEI VERBUM SOBRE A REVELAÇÃO DIVINA; dos Cursos de Liturgia e de Eclesiologia, tentando também maior compreensão da CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA LUMEN GENTIUM SOBRE A IGREJA. Ao ingressar no Seminário Menor, no início da década de 70, já não se falava mais diretamente dos Documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II, mas das Conclusões da IIª CONFERÊNCIA EPISCOPAL LATINO-AMERICANA DE MEDELLÌN. Afirmava-se que Medellìn era o documento da aplicabilidade do Concílio Vaticano II na Igreja da América Latina. Chegara o momento histórico de compreender e aplicar a quarta CONSTITUIÇÃO DOGMÁTICA GAUDIUM ET SPES, CONSTITUIÇÃO PASTORAL SOBRE A IGREJA NO MUNDO ATUAL. Foram, além das quatro Constituições Dogmáticas, aprovadas ainda nove Decretos e três Declarações, somando o total de dezesseis Documentos Conciliares. No início da década de 80, ao ingressar no Seminário Maior para cursar Filosofia, tampouco se utilizava os Documentos do Concílio Vaticano II, porque além de ressoar na Igreja as Conclusões da IIIª Conferência Episcopal Latino-Americana de PUEBLA, vivia-se o auge da Teologia da Libertação. Meu primeiro semestre de Teologia, cursado na Universidade Javeriana de Bogotá, na Colômbia, privilegiou-me conhecer, pessoalmente Gustavo Gutierrez, considerado “o pai da Teologia da Libertação” que nos proferiu a aula inaugural em Janeiro de 1985. Já na Universidade Católica de Eichstätt, na Alemanha, além da Bíblia de Jerusalém, era indispensável o Compêndio do Concílio Vaticano II. De novembro de 1985 a abril de 1989 fomos incentivados a percorrer todos os seus Documentos, sendo examinados minunciosamente no exame “de Universa”. Com isso, criamos além de simpatia, uma necessária aplicabilidade em nossos inúmeros serviços pastorais nestes 23 anos de Ministério Presbiteral. Desconhecer, desconsiderar, não aplicar as riquezas dos Documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II, meio século depois de sua abertura, nos leva a correr o risco de caminhar à margem da Igreja de Jesus Cristo, totalmente ministerial, missionária e discípula à qual dizemos pertencer. Já a Arquidiocese de Ribeirão Preto contou com três Padres Conciliares: o então Arcebispo de Ribeirão Preto, Cardeal Agnelo Rossi, transferido durante o Concílio para a Arquidiocese de São Paulo, onde foi elevado ao Cardinalado; Dom Romeu Alberti, nomeado primeiro Bispo Diocesano de Apucarana (PR), transferido como Arcebispo de Ribeirão Preto em 1982, que foi o primeiro Padre Conciliar a solicitar a reinplantação do Diaconado Permanente na Igreja e, por isso foi o Bispo Pioneiro a implantar este grau do Sacramento da Ordem em sua Diocese, ordenando o maior número de Diáconos Permanentes durante seu Ministério Episcopal tanto em Apucarana como em Ribeirão Preto. Dizia com bom humor, que chegou a sugerir a Ordenação de Mulheres como Diaconisas, tendo sido vaiado pelo Plenário do Concílio. Finalmente, participou o Padre Luiz Baraúna também de Ribeirão Preto, falecido há pouco tempo, e em nossa humilde opinião, muito mal aproveitado pelo Magistério de nossa Igreja particular. Quem acolhe com amor eclesial os Documentos do Concílio Ecumênico Vaticano II, se apaixona de tal modo pela Igreja de Jesus Cristo, que dificilmente lhe faltará com a fidelidade! Compreenderá melhor a riqueza contida no Catecismo da Igreja Católica, cujo lançamento pelo Beato, o Papa João Paulo II, celebra sua segunda década. Há vinte anos, recebíamos uma preciosidade de bússola orientadora para a vivência, manifestação e testemunho daquela fé, recebida no dia de nosso Batismo. Só assim seremos capazes de acolher a proposta do Santo Padre o Papa Bento XVI, para vivermos intensa e profundamente este ANO DA FÉ aberto ao mundo inteiro no dia 11 de Outubro passado, e no Brasil, dia 12 de Outubro, Festa de Nossa Senhora Aparecida, encerrando na Festa de Cristo Rei no dia 24 de Novembro deste ano. O ANO DA FÉ tempera com sabor divino cada um que participa de sua Comunidade de Fé, Oração e Amor, especialmente em seus momentos mais marcantes, como a Festa da Padroeira, NOSSA SENHORA DE LOURDES! Pe. Gilberto Kasper

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