segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

AS INTERVENÇÕES CIRÚRGICAS

Pe. Gilberto Kasper* A medicina artificial privilegiou o tratamento mais agressivo à natureza, tanto através da receita de remédios químicos, cada vez mais fortes, como pela intervenção cirúrgica, por extirpar órgãos ou corrigir disfunções. Não há dúvida de que as operações, que interferem profundamente no organismo vivo, cortando-o e mutilando-o, têm salvado muitas vidas. Se eu mesmo, aos 10 anos de idade, não tivesse sido operado, para extração do apêndice, teria morrido de apendicite naquela idade. A técnica, nesse campo, foi-se aprimorando cada vez mais. Hoje essas intervenções se apresentam com grande segurança. Acontece, porém, que o exagero no uso desse expediente não só agride a natureza humana, como também revela uma concepção distorcida da vida e da função da medicina. O Brasil tem a triste fama de recordista mundial de cesarianas. Felizmente, me garantia alguém adido a este setor da saúde, nem todas essas intervenções são realizadas. Constam apenas para fins de pagamentos. Corrupção! Apenas monetária e não medicinal. Conheço cidades em que há mais cesarianas registradas na Saúde Pública do que nascituros. Muitas vezes, mulheres que nem deram à luz, são registradas como parturientes. Simplesmente, para que determinados profissionais da Saúde se apossem de valores maiores do que ganhariam, sem tamanha barbárie de falcatruas. Tomo esse exemplo para advertir sobre dois problemas: um é o faturamento, ou seja, a ganância de lucro que, muitas vezes, está na raiz das intervenções cirúrgicas; e outro é o método de violentar a natureza. Só, em última instância, é permitido recorrer, a esse expediente, que afeta tão profundamente a vida humana e acarreta uma enorme despesa. É quando se esgotaram todos os demais recursos, mais ainda, quando existem fundadas esperanças de melhorar. *pe.kasper@gmail.com Mestre em Teologia Moral, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

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