sábado, 25 de maio de 2013

HOMILIA PARA A SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações
o Espírito do seu Filho, que clama: Abba, Pai” (Gl 4,6).


          “Domingo passado, celebramos o dom do Espírito Santo sobre cada um de nós. Assim concluímos os cinquenta dias das solenidades pascais. Na Páscoa de Jesus e em nossa páscoa na dele, pudemos experimentar como Deus foi – e continua sendo – extremamente bom para conosco.
          Hoje, como que buscando vivenciar ainda mais intensamente a beleza de Deus, celebramos sua própria intimidade de amor e vida a se expandir para dentro da história da humanidade.
          Que bom estarmos reunidos, na Solenidade da Santíssima Trindade. Deus acabou de nos falar, pelas leituras bíblicas proclamadas. Deixemos, agora, que o Senhor nos explique o que ele nos disse: primeiro recordando, brevemente, o que Ele nos falou para, depois, mergulharmos mais fundo no mistério da festa deste domingo e, enfim, celebrá-lo bem na liturgia e no nosso próprio viver cristão do dia a dia.
          ‘Bendito seja o Pai, bendito seja o Filho unigênito e bendito o Espírito santificador. Somos todos acolhidos, amados e convidados a fazer parte da Família de Deus.
          O Espírito da verdade nos fala através da Palavra proclamada. Prometido por Jesus, ele nos leva a experimentar o amor de Deus, que nos conhece e nos ama desde toda a eternidade.
          A verdadeira sabedoria procede de Deus e precede a humanidade, é posterior a Deus e anterior ao universo, é inferior a Deus e superior ao mundo. O Espírito nos faz conhecer os planos do Pai celeste revelados em Jesus. Deus derramou seu amor sobre cada um de nós.
          Na Eucaristia damos graças ao Pai, por Cristo, no Espírito, pelas maravilhas da criação e principalmente por seu plano de salvação que continuamente nos reúne e atua em nossa vida” (cf. Liturgia Diária de Maio de 2013 da Paulus, pp. 90-93).
          Santíssima Trindade! Eis a riqueza inesgotável que a Igreja nos aponta para que saibamos onde Deus abre seu íntimo para nós: em seu Filho Jesus e no Espírito de Jesus que nos anima. Lá encontramos Deus, o encontramos não como bloco de granito, monolítico, fechado, mas como pessoas que se relacionam, tendo cada uma sua própria atuação: o Pai que nos ama e nos chama à vida; o Filho Jesus que, sendo bom e fiel até o dom da própria vida na morte de cruz, nos mostra de que jeito é o Pai; e o Espírito Santo, que ainda de outro jeito, fica sempre conosco. O Espírito atualiza em nós a memória da vida e das palavras de Jesus e anima a Igreja. Todos os três estão unidos e formam uma unidade naquilo que Deus essencialmente é: amor.
          Que bom seria se toda a humanidade tomasse consciência desta riqueza de vida e se conectasse com ela!... A saber, que somos, juntamente com todas as criaturas, totalmente permeados pela presença do amor criativo, ativo e unitivo da Trindade santa. Para além (ou aquém) das couraças e armaduras de nosso corpo pessoal e social, este amor trinitário está presente, fez de nós sua morada, seu espaço predileto. O problema é que nos identificamos facilmente com o efêmero de nossas couraças e armaduras, nosso ego, de tal modo que nos desconectamos da nossa essência, com tristes consequências: perdemos a unidade, nos fragilizamos, nos fragmentamos, nos tornamos inseguros, medrosos, desesperados, estressados, agressivos, amargurados, sem qualidade de vida pessoal e social.
          Sobretudo em nossos tempos, quando a humanidade tende a isso mesmo, à falta de qualidade de vida, decorrente do endeusamento do efêmero e transitório, temos que aprender a nos conectarmos sempre mais à essência de nós mesmos, isto é, à Trindade santa que nos habita. Então o mundo será melhor, com certeza.
          A Santíssima Trindade é a melhor comunidade, feita união, comunhão e partilha. A partir dela, em conexão permanente com ela, é que seremos bons colaboradores dela para uma sociedade humana mais sadia” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo Comum I de 2013 da CNBB, pp. 11-17).
          Como é interessante que haja tanta disparidade, desunião, inveja e competição entre cristãos, que se sentem filhos de Deus, irmãos de Jesus Cristo, animados pelo Espírito Santo. Não causaria tamanha contrariedade uma tristeza profunda no coração do Senhor? Gosto de pensar a Santíssima Trindade como Comunidade Perfeita a ser acolhida, imitada, vivida e anunciada com a vida relacional dos cristãos, especialmente das Comunidades que celebram um mesmo mistério, cada um a seu modo, mas que nem sempre conseguem viver o mesmo mistério com a disponibilidade da conversão, da coerência entre fé e ação e, finalmente o bom senso.
          O amor com sabor divino que somente a pessoa é capaz de experimentar é o “ingrediente” principal da Santíssima Trindade: o Pai é o amante; o Filho é o amado e o Espírito Santo é o amor com o qual o Pai ama o Filho e no Filho, cada um de nós, criaturas prediletas feitas à Sua imagem e semelhança.
          Saibamos amar as pessoas com amor de sabor divino, e só assim transformaremos o mundo do desamor!
          Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão o abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler Pr 8,22-31; Sl 8; Rm 5,1-5 e Jo 16,12-15).




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