sábado, 30 de novembro de 2013

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS

   PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

“Bendito sejais, Deus da Esperança,
pela luz de Cristo, sol de nossa vida,
a quem esperamos com toda a ternura do coração”


(Antífona para o acendimento da 1ª vela da Coroa do Advento).
         

“Iniciando o ano litúrgico, as leituras já nos apontam para o final: a vinda do Filho do Homem e nos dão uma luz orientadora para nossa caminhada até sua chegada. O salmo nos ajuda a compreender quem é o Senhor que nos mantém na caminhada: ‘Que Ele não deixe teu pé vacilar, que teu vigia não cochile! Não! Ele não cochila nem dorme, o vigia de Israel.’ Nesta confiança, vamos permanecer vigilantes à espera do Senhor que vem, a cada dia, ao nosso encontro e de toda a comunidade. ‘Acorramos com nossas boas obras ao encontro de Cristo que vem’, conforme rezamos neste domingo na oração do dia.
            A visão de Isaías nos enche de esperança de vermos a humanidade toda vivendo sob a orientação do Senhor, andando em seus caminhos e Ele mesmo nos ensinando seu projeto. A sua Palavra julgará as nações e os povos, e todos, ouvindo sua voz transformarão suas armas de guerra em instrumentos de trabalho. Não mais haverá combates uns contra os outros. Toda a humanidade sairá das trevas do ódio, da injustiça, da competição e será guiada pela luz do Senhor. Para que esse final chegue, é urgente começar agora.
            Nosso pedido ardente neste tempo é: Vem, Senhor Jesus! Ele já veio, vem e virá mostrar que é possível viver o projeto definitivo do Pai. Projeto comunitário, sociedade igualitária, de irmãos que vivem na justiça e na fraternidade. A nós cabe mudar a história da humanidade no momento atual para que ‘venha a nós’ o Reino de Deus. É com a globalização da solidariedade, do cooperativismo, da co-responsabilidade, conforme a convocação feita pelo Papa Francisco em Lampedusa, que poderemos ‘estar preparados para a hora que vem o Filho do Homem’:
            ‘A cultura do bem-estar, que nos leva a pensar em nós mesmos, torna-nos insensíveis aos gritos dos outros, faz-nos viver como se fôssemos bolas de sabão: estas são bonitas, mas não são nada, são pura ilusão do fútil, do provisório. Esta cultura do bem-estar leva à indiferença a respeito dos outros; antes, leva à globalização da indiferença. Neste mundo da globalização, caímos na globalização da indiferença. Habituamo-nos ao sofrimento do outro, não nos diz respeito, não nos interessa, não é responsabilidade nossa!’
            Que o Senhor nos encontre atentos, abertos e solidários ao sofrimento dos irmãos!
            Hoje existem catástrofes provocadas por uns poucos que se sentem donos do mundo e do restante da humanidade. É preciso acordar para a questão ecológica, para o direito das águas, das plantas e dos animais. Mais ainda, acordar para os direitos dos pobres, das crianças, das mulheres, dos indígenas, dos sem água, sem terra e sem teto.
            Como peregrinos em travessia, seres inacabados em processo permanente de crescimento e maturação e, vivendo num mundo ainda não totalmente redimido, marcado por tantas discórdias, exclusões, guerras e desrespeito à vida, recebemos do Senhor, neste domingo, o dom do seu Espírito. Ele nos mantém vigilantes, firmes, confiantes, insistentes, despojando-nos das atitudes e ações das trevas para vestirmos as armas da luz.
            É necessário continuar suplicando e nos comprometendo incansavelmente com a vinda do Reino de amor, de justiça, de inclusão, de igualdade, de solidariedade e de paz em nosso tempo” (cf. Roteiros Homiléticos do Tempo do Advento de 2013 da CNBB, pp. 14-21).
            A Palavra de Deus do Primeiro Domingo do Advento que deverá enriquecer nossa semana nos sugere duas atitudes: Vigilância e Confiança em Deus, que será capaz de humanizar nossas relações, tornando-nos sinal de Esperança a todos os desesperançados!
            Iniciamos, certamente, os preparativos para o Natal. Músicas natalinas e luzes piscando nas Lojas, nas Praças e nas fachadas das casas, nos fazem balbuciar inconscientemente os aromas do Natal. Há uma corrida desenfreada para as compras de presentes. A figura do Papai Noel, bem maior do que a pequenina Imagem do Menino Jesus na manjedoura rouba a cena por todos os lugares, mesmo que o aniversariante seja o Menino indefeso e minúsculo reclinado entre as palhas e o feno da estrebaria de animais. Pensemos, então, na Campanha da Evangelização que a Igreja no Brasil propõe para este tempo, e que neste ano tem como lema: “Eu vos anuncio uma grande alegria” (Lc 2,10). A coleta da partilha de nossa pobreza será no Terceiro Domingo do Advento. Não levemos restos, sobras e migalhas para essa coleta. A cada presente, decoração, guloseimas que formos comprando com o 13º salário e com demais gastos, seria justo separarmos pelo menos 1% para a Coleta, que garante o êxito da Evangelização em nosso Brasil, tão pobre e carente de recursos, para anunciar essa grande alegria de Lucas: Que Jesus nasceu para nós, mesmo que nem sempre o reconheçamos entre nós ou não tenhamos preparado para Ele a manjedoura de nosso coração.
            Sejam todos muito abençoados. Com ternura e gratidão, o abraço amigo e fiel,
Pe. Gilberto Kasper


(Ler Is 2,1-5; Sl 121(122); Rm 13,11-14 e Mt 24,37-44).

sábado, 23 de novembro de 2013

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS


Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo
Encerramento do Ano da Fé!

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

"O Cordeiro que foi imolado é digno de receber o poder, a divindade, a sabedoria, a força e a honra. A ele glória e poder através dos séculos" (Ap 5,12; 1,6).
"Na festa de Cristo Rei do Universo, conclusão do ano litúrgico, encerramento do Ano da Fé, também comemoramos o dia nacional do leigo e da leiga. Homens e Mulheres que, pelo batismo, são plenamente Igreja e vivem sua missão nas pastorais, nos movimentos e no tecido humano da sociedade, sobretudo na família. Na festa de Cristo Rei, reflitamos sobre quem é esse rei para o mundo de hoje. Os hebreus pedem que Davi seja seu rei, pois crêem que ele os fará felizes. Séculos depois, um grupo dentre eles zomba do rei do universo - o princípio da criação, a palavra que gerou o universo e gera continuamente a vida. As leituras de hoje nos fazem pensar sobre o reinado de Deus no mundo. Davi é ungido rei e reconhecido por todas as tribos de Israel: como acontece a escolha das nossas lideranças políticas (eclesiais e sociais) (Ler 2 Sm 5,1-3). Jesus é rei que morre para nossa salvação e ouve o clamor dos excluídos (Ler Lc 23,35-43). A humanidade de Jesus tornou visível o rosto do Deus invisível (Ler Cl 1,12-20)" (cf. Liturgia Diária de Novembro de 2010 da Paulus, pp.79-82).

Gosto de pensar que desde o início da História da Salvação, Deus dribla a humanidade. Não é um rei convencional aos parâmetros de nossa sociedade. Onde já se viu um rei que escolhe um berço de madeira com palhas de feno para nascer; barcos de madeira, como cátedra para ensinar, e uma cruz de madeira, como trono definitivo de Sua realeza!?! Cruz que para os judeus significava vergonha e escândalo; para os romanos, loucura, mas para nós, tornou-se sinal de Salvação!

Somos convidados na Festa de Cristo Rei, a revermos nosso modo de sermos: pessoas, irmãos, sacerdotes, leigos e leigas coordenadores e líderes em nossas Comunidades de Fé, Oração e Amor. Corremos tanto atrás de poder, cargos, funções, ambientes luxuosos (confundimos bom gosto com luxo exacerbado) e prestígio a todo custo, mesmo que para isso tenhamos de deixar nossa inveja destruir a reputação de outros. Sim, porque a inveja foi o "derramar da garrafinha" da condenação do Rei do Universo à morte mais cruel e escandalosa de sua época: a morte de Cruz! Ou convertemos o poder em serviço, os bens temporais em partilha e o prestígio em humildade, ou não nos identificamos com Jesus Cristo, Rei do Universo!

O Documento de Aparecida, no número 174, referindo-se aos leigos, assim diz: “É importante recordar que o campo específico da atividade evangelizadora leiga é o complexo mundo do trabalho, da cultura, das ciências e das artes, da política, dos meios de comunicação e da economia, assim como das esferas da família, da educação, da vida profissional, sobretudo nos contextos onde a igreja se faz presente somente por eles”.

Desejando a todos muitas bênçãos, com ternura e gratidão, nosso abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler 2Sm 5,1-3; Sl 121(122); Cl 1,12-20 e Lc 23,35-43)


sábado, 16 de novembro de 2013

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS


Trigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

"Meus pensamentos são de paz e não de aflição,
diz o Senhor. Vós me invocareis, e hei de escutar-vos,
e vos trarei de vosso cativeiro, de onde estiverdes" (Jr 29,11s.14).

O Trigésimo Terceiro Domingo do Tempo Comum é o penúltimo do Ano Litúrgico, e traz consigo, na Palavra proclamada, acolhida, refletida, rezada e vivida um sabor de despedida, mas também de um maior compromisso de re-ligar = religião, nossa vida com a vida do mundo em que vivemos e onde somos ou formamos um corpo do qual somos os membros e Cristo é a cabeça. Quando faltamos ao corpo, por menor ou mais insignificantes que possamos parecer, mutilamos o mesmo. O corpo, que a Igreja não nossa, mas de Jesus Cristo, torna-se aleijada, com necessidades especiais...

"O evangelho deste domingo parece descrever cenas da vida atual: fala de violência, destruição, tragédias naturais e sociais. Tudo isso não significa o fim do mundo nem é castigo de Deus; antes, é um alerta sobre o nosso comportamento violento em relação aos outros e à natureza. Diante desse quadro sombrio, a eucaristia torna-se fonte de esperança para todos nós na luta pela vida.

Com a palavra de Deus aprendemos que nossos esforços não são inúteis, pois, permanecendo firmes, transformaremos a realidade violenta em realidade de paz, na qual nascerá e brilhará o sol da justiça.

A primeira leitura nos garante que um dia a impunidade acabará (Ler Mal 3,19-20) [...] O que não é de Deus cai. Mais cedo ou mais tarde cai: a mentira é descoberta, a inveja e a maldade sobre os outros recairá sobre nós mesmos; morreremos engolindo nosso próprio veneno preparado para prejudicar e 'puxar o tapete do outro', a ganância, prepotência e arrogância de querer ser mais do que os outros nos darão um belo tombo no tempo em que menos esperarmos [...] O fim de instituições não significa o fim do mundo (Ler Lc 21,5-19) [...] Só Deus não decepciona. As pessoas nos decepcionam porque não são perfeitas, tem seus limites. Daí a necessidade de aprendermos a compreender, acolher o pecador, sem sermos coniventes com seus pecados, mas capazes de perdoar sempre, como nós somos perdoados por Deus.

 Perguntava a uma moça nesta semana, se ela acreditava em Deus, ao que me respondeu Sim, Senhor! Quando perguntei a qual religião pertencia, respondeu: A nenhuma não, Senhor! Só acredito em Deus e não nas religiões que não me dizem nada! O número de pessoas que dizem acreditar em Deus, porém declarando-se sem religião cresce sempre mais e isso me preocupa. Porém não concordo quando a mídia diz que a Igreja Católica perde a cada ano mais fiéis. Para mim, quem deixa a Igreja Católica não é fiel, mas infiel e de infiéis a Igreja não precisa. A pessoa que diz não precisar de religião é individualista, egoísta e descomprometida, acomodada... Certamente não é tão especialista na ação de re-ligar a humanidade a Deus através dos outros. Mutila, isso sim, o Corpo, que é a Igreja de Jesus Cristo, independentemente da profissão religiosa. Mas esse tipo de comportamento individualista começa na Família, colocada de bruços, e dos demais Alicerces em Crise de nossos tempos, a Educação, O Governo e a Religião [...] O povo quer trabalho (não simples emprego) e justiça social (Ler 2Ts 3,7-12),  (que lhe devolva a dignidade roubada por um capitalismo selvagem que necessita de indigentes para sua própria sobrevivência cruel e desumana).

Reunidos pelo Espírito, formamos a assembléia de irmãos e irmãs que desejam se alimentar do Corpo de Cristo, que nos fortalece nos desafios da vivência cristã (Do contrário, além de mutilarmos o Corpo que formamos com nossa ausência, tornar-nos-emos anêmicos espiritualmente, sem o alimento que nos fortalece para enfrentarmos os desafios que o mundo se nos impõem.) (cf. Liturgia Diária de Novembro de 2013 da Paulus, pp. 58-61).


"Levantai vossa cabeça e olhai,
Pois a vossa redenção se aproxima!”(Lc 21,28).



Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, nosso abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler Mal 3,19-20; Sl 97(98); 2Ts 3,7-12 e Lc 21,5-19).


domingo, 10 de novembro de 2013

Trigésimo Segundo Domingo do Tempo Comum

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS


Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

“Chegue até vós a minha súplica;
Inclinai vosso ouvido à minha prece (Sl 87,3).

           
Se há alguns poucos anos falar de sexo abertamente era tabu, hoje é tabu falar em "morte". Por que medo da morte? A grande certeza que vivemos, é que um dia morreremos, no entanto "morremos de medo de morrer...". Cada vez que a morte passa por perto, ou me encontro diante dela através do exercício de meu ministério, encomendando alguma pessoa falecida, meu questionamento é em relação à vida que levo! A morte é uma excelente oportunidade de melhorar minha qualidade de vida. Geralmente deixamos para depois, as mudanças que talvez teriam de ser revistas logo. É bom não sabermos o dia e a hora de nossa morte, mas quando vier, e nosso nome ecoar na eternidade, não terá outro jeito, a não ser morrer! Há quem chama a morte de terceiro parto. O primeiro acontece quando deixamos o “útero materno”, que geralmente é aconchegante e delicioso. Talvez por isso a criança, ao nascer chora. O segundo parto é, para os cristãos, o momento em que nascemos do "útero da Igreja", a Bacia Batismal. Já o terceiro parto, é quando deixamos o “útero da terra”. Por mais difícil que seja viver, ninguém quer partir. A morte dói e nos faz chorar e traz vazio com sabor de saudade inexplicável.

Para os cristãos a morte não é a última palavra. Vivemos e convivemos com a vida e a morte. A morte e a vida além da morte sempre fizeram parte das preocupações humanas. Há uma tendência de “esticar a vida” cada vez mais. Há décadas, morrer aos 60 anos, morria-se velho. Hoje, quando as pessoas morrem aos 90 anos de idade, achamos que ainda teriam algum tempo pela frente. Isso é assim, porque a máxima aspiração do ser humano é a imortalidade.

          Nossa vida poderia ser comparada a uma viagem de ônibus. Quem ainda não andou de ônibus? Quando nascemos, entramos num ônibus, que é a vida terrena. A única certeza que temos é que há um lugar reservado para nós. Uma poltrona. Não sabemos quem serão nossos companheiros de viagem. Apenas sabemos que a poltrona reservada para nós deverá ser ocupada. Às vezes, ocupamos a poltrona do outro, e isso nos traz constrangimentos. Já assisti muitos "barracos" em ônibus cuja mesma poltrona estava reservada para duas pessoas. Não sabemos quem serão nossos pais, irmãos, amigos, parentes, enfim...
                   
Nossa única missão é tornar a viagem a mais agradável possível. Às vezes há pessoas que tornam a viagem insuportável; outras vezes a viagem é agradável!
                   
Há também o bagageiro. Nossas coisas não podem ocupar o lugar dos outros, mas devem caber em nosso próprio bagageiro do ônibus, a vida!
                  
O ônibus, de vez enquando pára na rodoviária. Se a viagem de ônibus é a vida terrena, a rodoviária é a morte. Ninguém gosta da rodoviária: há cheiro de banheiros, de óleo diesel, barulho de ônibus chegando e saindo, ninguém se conhece, muita gente se esbarrando ou até se derrubando. Há sempre uma incerteza, um friozinho na rodoviária que arrepia nossa espinha, que é a morte. Ninguém gosta da rodoviária: todos passam por ela porque precisam, mas não porque gostam. Haverá um momento em que nosso nome será chamado no alto-falante da rodoviária. Então precisaremos descer do ônibus da vida. Se tivermos enviado algum bilhete, uma carta, feito um telefonema, enviado um torpedo ou email para a eternidade, avisando nossa chegada, não precisaremos ter medo, porque Deus estará esperando por nós. O bilhete, a carta, o telefonema, o torpedo ou email são nossa maneira de viver a fé, a esperança e a caridade através de nossa relação conosco, com Deus e com os outros!
                   
Assim Deus estará esperando-nos na rodoviária da morte. Seremos identificados e acolhidos por Ele, de acordo com o que fomos e nunca com o que tivemos. Se Deus não tiver tempo, pedirá ao Seu Filho Jesus para buscar-nos e conduzir-nos à morada eterna. Se de tudo Jesus também não tiver tempo, Nossa Senhora nunca nos deixará perdidos ou esperando na rodoviária da morte. Ela estará lá, de braços abertos, para receber-nos e levar-nos à presença de Deus, colocando-nos em Seu Eterno Colo de Amor. É o que rezamos sempre: "...rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. Amém!"

Nossa fé se debruça sobre a esperança de que morrendo, veremos Deus como Deus é, e isto nos basta. A morte é superada pela ressurreição. Foi o que o Ano da Fé tentou amadurecer na nossa relação com a vida terrena e a celeste. É preciso transcender e mergulhar no mistério que Santo Agostinho de Hipona nos propunha: “Nascemos para morrer, e morremos para viver de verdade!”. Assim que vivermos essa realidade, direcionando o olhar de nossa fé para a ressurreição, nossa vida será mais harmoniosa, feliz e cheia de novas esperanças, sentido e perspectivas!

Sintamos, todos, o carinho da bênção do Senhor da Vida! Pois “Ele é Deus não de mortos, mas de vivos” (Lc 20,38). Com ternura e gratidão, o abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler 2Mc 7,1-2.9-14; Sl 16(17); 2Ts 2,16-3,5 e Lc 20,27-38).
                                                                                                 
                                                                                                           


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

SOLENIDADE DE TODOS OS SANTOS E SANTAS!



Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

"Alegremo-nos todos no Senhor,
celebrando a festa de Todos os Santos.
Conosco alegram-se os anjos e
glorificam o Filho de Deus".

O Trigésimo primeiro Domingo do Tempo Comum cede lugar à Solenidade de Todos os Santos e Santas, celebrado, segundo o calendário litúrgico, no dia 1º de Novembro, porém no Brasil, no domingo seguinte.

"... a Igreja militante honra a Igreja triunfante 'celebrando numa única solenidade todos os santos' - são as palavras que o sacerdote pronuncia na oração da missa - para render cumulativamente homenagem àquela multidão de santos que povoam o Reino dos céus. A epístola repete as palavras de são João no Apocalipse: 'E vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as gentes e tribos e povos e línguas...'.

 Aquela grande multidão 'que está diante do Cordeiro' compreende todos os servos de Deus, a qual a Igreja decretou a canonização, e todos os que - em número imensamente superior - conseguiram a salvação, com a eterna visão beatífica de Deus.

Deus prometeu de fato dar a eterna bem-aventurança aos pobres no espírito, aos mansos, aos que sofrem e aos que têm fome e sede de justiça, aos misericordiosos, aos puros de coração, aos pacíficos, aos perseguidos por causa da justiça e a todos os que recebem o ultraje da calúnia, da maledicência, da ofensa pública e da humilhação. Hoje todos esses santos que tiveram fé na promessa de Cristo, a despeito das fáceis seduções do mal e das aparentes derrotas do bem, 'alegram-se e exultam' pela grande recompensa dada por um Rei incompreensivelmente misericordioso e generoso. E a Igreja militante, unida pelo indissolúvel vínculo da caridade com os filhos que passaram 'à melhor vida', honra-os com particular solenidade.

A origem da festa hodierna remonta ao século IV. Em Antioquia celebrava-se uma festa por todos os mártires no primeiro domingo depois de Pentecostes. A celebração foi introduzida em Roma, na mesma data, no século VI e cem anos após era fixada no dia 13 de maio pelo papa Bonifácio IV, em concomitância com o dia da dedicação do Panteon a Nossa Senhora e a todos os mártires. O monumento pagão assumiu o nome cristão de Santa Maria dos Mártires. Naquele dia, durante a missa, fazia-se chover uma chuva de rosas vermelhas. No ano de 835 esta celebração foi transferida pelo papa Gregório IV para 1º de novembro, provavelmente por motivos de simples comodidade, como refere João Beleth no século XII, isto é, porque após a colheita do outono era mais fácil arrecadar comida e bebida para a grande multidão de peregrinos que acorriam a Roma naquela oportunidade" (cf. Sgarbossa, M & Giovannini, L - Um Santo para cada Dia - 4ª ed., Paulus, São Paulo, 1996, pp. 350-351).

"... todos são chamados à vida e vocacionados à santidade, tendo como auxílio o testemunho de tantos que são reconhecidos pela Igreja como modelo de vida. Vivendo em plenitude as bem-aventuranças, formamos comunhão com todos os que já foram glorificados com Cristo. É grande a multidão dos que buscaram o Senhor. Eles estão vivendo a plenitude da vida feliz, convivendo face a face com o Deus da vida. As leituras de hoje apontam o caminho que devemos trilhar para também conquistar essa felicidade. São vitoriosos os que se mantêm fiéis ao projeto de Jesus. As bem-aventuranças são o caminho da santidade proposto por Jesus. Já somos filhos de Deus e seremos semelhantes a ele. A Eucaristia transforma-nos, lenta e progressivamente, em seres capazes de contemplar o Pai com todos os que já são salvos. A santidade não só é possível, mas é uma realidade" (cf. Liturgia Diária de Novembro de 2013 da Paulus, pp. 24-27).

Com frequência ouvimos de lábios católicos e cristãos: "Não sou santo... Não nasci para ser santo... Não sirvo para a santidade..." Tais pessoas não compreenderam ainda o próprio Batismo. Uma vez mergulhados no útero da Igreja e tornando-nos filhos de Deus, passamos a seres divinizados! Não divinos, mas divinizados, ou seja, candidatos à Santidade! Gosto de pensar que santo é todo aquele que morrendo, vê Deus como Deus é: tem coisa melhor? Todo ser divinizado procura esforçar-se para viver o Projeto de Vida de Jesus, que são as Bem-aventuranças! Se conseguirmos ou não viver tal proposta de vida, não importa. O importante para Deus é o esforço que empreendemos diariamente por vivê-lo, abrindo-nos à Sua graça. Esse esforço gosto de comparar com as características da criança. Jesus afirma, que entra no Reino dos céus, quem for como uma criança. Tais características nós perdemos facilmente quando crescemos, e penso ser necessário reconquistá-las em nossas relações com os irmãos, conosco e com o próprio Deus:
A criança é sincera, nós ao crescermos, mentimos... E como!
A criança é espontânea, nós ao crescermos, fingimos... Por conivência ou conveniência!
A criança é pura, nós ao crescermos maliciamos... Tudo e todos!
Oxalá possamos reconquistar as características da criança, tornando-nos desde já candidatos à santidade!

Dia 2 de novembro celebramos nossos Fiéis Falecidos – Dia de Finados! Falar na morte, em nossos dias, tornou-se tabu. Mas o cristão que não fala naturalmente da morte, estará disposto quando seu nome ecoar na eternidade? Costumo pensar que a morte é nosso último parto: partimos do útero da terra à eternidade. O primeiro parto, é quando nascemos do útero da mãe. A criança não quer nascer, mas permanecer no útero materno, especialmente, quando é amada e desejada. Mas aos nove meses precisa partir para o mundo. Geralmente chora. Tudo e todos são estranhos e assustam. Com o tempo ela se acostuma, se adapta e convive harmoniosamente com os seus. O segundo parto, é quando nascemos do “útero da Igreja”, a Pia Batismal! Adotados por Deus, recebemos a dignidade de pessoa, os dons da fé. Esta fé será nossa bússola orientadora ao parto definitivo, a morte, que nos devolverá ao colo de Deus, onde seremos “santos”, porque eternamente felizes! Espero muito que o Ano da Fé tenha-nos ajudado a compreender este caminho que nos faz realmente feliz e testemunhas do amor de Deus pela humanidade. Amor tão louco, que nos permite a santidade. E só querermos!

Desejando a todos muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler Ap 7,2-4.9-14; Sl 23(24); 1Jo 3,1-3 e Mt 5,1-12).