domingo, 22 de março de 2015

QUINTO DOMINGO DA QUARESMA


COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS
Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!

            Estamos chegando ao final da Quaresma. No próximo domingo iniciaremos a Semana Santa com o Domingo de Ramos. Neste dia, também concluiremos a primeira etapa da Campanha da Fraternidade 2015: FRATERNIDADE: IGREJA E SOCIEDADE. “Eu vim para servir” (Mc 10,45). Com o gesto concreto da coleta manifestamos nossa atitude de partilha e solidariedade.
          A Coleta da Solidariedade do próximo domingo será o resultado de nossos exercícios quaresmais de penitência, certamente frutos saborosos de nosso jejum e abstinência ao longo deste rico tempo de conversão. Partilharemos de nossa Pobreza com quem tem menos do que nós. Tudo aquilo que deixamos de consumir durante a Quaresma será oferta agradável ao coração de Deus, através de nossas Comunidades de Fé, que enviarão toda a coleta à Cúria Metropolitana, que a destinará aos projetos, sobretudo relacionados aos irmãos menos favorecidos. Do total desta coleta 40% serão enviados à CNBB e 60% serão administrados pela Arquidiocese, que sempre faz a devida prestação de contas divulgada no site da mesma: www.arquidioceserp.org.br.
          Na celebração do Quinto Domingo da Quaresma somos convidados a ver Jesus em sua missão recebida do Pai. Seguimos os passos dos gregos que subiram a Jerusalém para adorar a Deus. Mas eles querem ver Jesus. O que significa ver Jesus? Por que ver Jesus? Ver Jesus é compreender sua atitude e desvendar seu projeto. Jesus mesmo o explica, fazendo uma meditação sobre a “hora”.
          “Hora” é o final de sua vida terrestre. Tudo caminha para essa hora. A “hora” é o momento no qual o amor gratuito de Deus, materializado em seu carinho pelos pobres, encontra-se com a força social e religiosa que o rejeita: o pecado. Esse conflito expressa-se na cruz. Por isso, a cruz é levantada como denúncia daquilo que leva Jesus à morte e como testemunho de sua entrega de amor.
          Na primeira leitura temos a profecia de Jeremias sobre a nova aliança a qual nós vivemos hoje. Em Cristo repousa a nova aliança. Para estar nessa aliança, precisamos da força pascal do Cristo. Essa força nós recebemos no Batismo e continuamos recebendo na celebração dos sacramentos e na oração da Igreja: é o Espírito de Cristo, a lei da nova aliança, escrita no coração de cada um de nós.
          Em Hebreus, colhemos uma lição preciosa: Jesus não é um senhor sentado nos palácios, desligado da situação real das pessoas. Jesus não permaneceu nos céus, contemplando as nossas angústias, mas tornou-se companheiro de viagem. Percorreu o caminho da humilhação e da morte. Por tudo isso, podemos confiar nele e aceitar o convite que nos faz para sermos discípulos missionários. Dessa forma, a segunda leitura nos convida a seguir o mesmo caminho de Cristo, um caminho semeado de dificuldades. Ele, porém, o percorreu antes de nós e por isso compreende nossas dificuldades e incertezas, nossos receios e fraquezas.
          E a nossa presença junto aos que sofrem, aos enfermos, idosos, como vai? Somos como Jesus, uma “Igreja do Ir” ao encontro das pessoas, ou nossa Pastoral e Ministério se resumem em celebrar com os que vêm, quando não excluímos os que não preenchem nosso “legalismo”?
            O episódio do evangelho de hoje situa-se entre a ressurreição de Lázaro e a última Ceia, segundo o quarto Evangelho. A agressividade dos adversários de Jesus chegou ao auge. A Paixão já é tramada nos gabinetes. Os sumos sacerdotes haviam dado ordens: Se alguém soubesse onde Jesus estava, o indicasse, para que o prendessem (João 11,57). Prenderam-no por pura inveja!
          No evangelho, no entanto, Jesus convida seus discípulos a seguirem o gesto prudente do agricultor que semeia. Diz-lhes para não terem medo de perder a própria vida, porque quem morre por amor entra na glória de Deus. O evangelho interpreta a morte de Jesus como uma manifestação de seu amor. Para ele o homem cresce e se realiza somente quando ama, ou seja, quando doa sua vida pelos irmãos.
          Para Cristo, o homem atinge o ponto mais alto da realização de sua vida quando se entrega à morte por amor aos seus.
          Penso ser urgente revermos o verdadeiro sentido da morte em nossos dias. Não obstante vivamos e promovamos certa Cultura de Morte, insensibilizados com as dezenas de mortes assistidas diariamente em nossos telejornais, ela, a morte, é ao mesmo tempo um tabu, na medida em que passa dentro de nossa casa ou por perto dela. Não acredito que alguém morra na véspera ou atrasado. Mas quantas pessoas têm direito a uma morte digna, quando nossa Sociedade se encontra falida, sem que nossos governantes consigam atender dignamente a todos que deles dependem? Se antigamente as pessoas morriam no aconchego do carinho da família, hoje é submetida a morrer sozinha na frieza de CTIs - Centros de Terapia Intensiva ou em corredores de hospitais superlotados, principalmente quando não há convênios ou quando tais moribundos dependem exclusivamente do SUS – Sistema Único de Saúde, que serve de modelo para países economicamente desenvolvidos, mas não serve os filhos da própria nação. Não é deste tipo de morte que o Evangelho deste domingo fala. Se Jesus veio para curar e fazer o bem, certamente não aprovaria o que se passa nos bastidores de nossa precária e corrompida Política Pública de uma Sociedade que alimenta seu capitalismo selvagem com a miséria de milhões de filhos de Deus, prometida, de eleição em eleição, tornar-se a melhor do mundo, mas que de governo em governo envergonha nossa nação. Há os tipos de mortes que nos santificam, como: gestos de ternura, delicadeza, gratidão, reconhecimento, abrir mão de privilégios em favor do próximo, etc. Se soubéssemos aproveitar tais oportunidades, seguramente seríamos bem mais humanos e configurados com Cristo, que nos convida a passarmos por tais experiências, promovendo-nos mutuamente em tudo.
          O homem quer frutificar sem morrer, mas é impossível. Jesus aceita ser grão que morre debaixo da terra para dar fruto abundante. Em Jesus se dão as mãos duas realidades fortemente antagônicas: a morte e a fecundidade. Na conjunção de perder o mundo para ganhar o mundo resume-se o mistério pascal de Jesus Cristo.

            Precisamos aprender a lidar melhor com a morte, a fim de estarmos prontos no dia em que nosso nome ecoar na eternidade. Cada morte que passa por nós, poderá ser um novo esforço a melhorarmos nossa qualidade de vida!
          Desejando-lhes abundantes bênçãos, com ternura e gratidão o abraço amigo e fiel,
Pe. Gilberto Kasper
(Ler: Jr 31,31-34; Sl 50(51); Hb 5,7-9 e Jo 12,20-33)
Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Março de 2015, pp. 73-76 e Roteiros Homiléticos da Quaresma de 2015 da CNBB, pp. 53-59.


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